A Rádio Moçambique (RM) lançou há dias o primeiro prémio anula para jornalistas com o objectivo de premiar os melhores trabalhos realizados para desencorajar a prática de caça furtiva e a destruição indiscriminada da flora.
O lançamento do referido prémio marcou o culminar do II Seminário Internacional sobre os Media, Turismo e Caça Furtiva, uma iniciativa da Rádio Moçambique, realizado na vila sede do distrito de Vilankulo, província de Inhambane.
Refira-se que o Governador da Província de Inhambane, Daniel Chapo, no acto de abertura do seminário, desafiou os jornalistas a usarem a sua inteligência e engenho para ajudarem a moldar a sociedade de forma positiva.
“Sabemos que os Media desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento da sociedade. No que diz respeito à caça furtiva, acreditamos que todos, incluindo os jornalistas, podemos fazer alguma coisa para mudar o cenário”, disse Chapo.
Acrescentou que esse combate à caça furtiva concorre para o desenvolvimento do país, dado que o uso racional e sustentável de recursos naturais, numa perspectiva de uso a longo termo e tendo em conta as gerações vindouras.
“O combate é duro mas, acredito, que podemos minimizar o drama se trabalharmos em conjunto”, rematou Chapo.
Por sua vez, Faruco sadique, PCA da Rádio Moçambique, instigou os profissionais de comunicação a empenharem-se arduamente, sem contudo olvidarem a ética e a deontologia profissional, para contarem histórias relacionadas com a fauna e flora e contribuírem para o combate à caça furtiva.
O II Seminário Internacional sobre os Media, Turismo e Caça Furtiva teve o condão de reunir, para além de jornalistas, responsáveis pela gestão de parques e reservas de fauna e flora das províncias de Gaza, Inhambane e do Kruger Park (África do Sul), bem como pessoal da Procuradoria da República, representantes da Polícia de República de Moçambique (PRM), gestores de instâncias turísticas entre outros interessados.
Durante o seminário, foram debatidos temas como O impacto da Caça furtiva e pesca ilegal nas áreas de conservação (Reservas e Parques), Estratégias de combate à caça furtiva, Tendências e desafios da cobertura e investigação jornalística sobre a caça furtiva, Turismo, caça furtiva e desenvolvimento das comunidades, que suscitaram acesos debates em volta dos assuntos com olhares jurídicos, policiais, económicos e jornalísticos.
Dos debates resultou que os diversos actores devem trabalhar em conjunto e promoverem a troca de informações para uma melhor acção contra o tráfico de peças, animais, plantas, peles de animais, entre outros. Os traficantes, como se constatou durante os debates, usam estratagemas cada vez mais sofisticados de tal sorte que um corno de rinoceronte pode, em 48 horas sair do país e ir parar nas mãos do consumidor final num país asiático, destino referido como o principal mercado.
Entretanto, o país, no quadro do combate à caça furtiva já começou a mexer-se, à semelhança de outras nações. Por exemplo, no ano passado subscreveu a primeira resolução sobre caça furtiva e tráfico de animais selvagens da Assembleia Geral das Nações Unidas. A resolução, que não é de natureza vinculativa, exorta todos os países a dar "passos decisivos" para prevenir, combater e erradicar o tráfico ilegal de animais. Historicamente, as Nações Unidas nunca se tinham pronunciado através de uma resolução sobre este tema.
É que o problema é tão grave que há dezenas de animais e plantas que estão praticamente extintos devido `aquela prática ilegal. O que ficou patente durante o lançamento do Prémio é que é preciso um trabalho muito grande de todo um sistema de fiscalização. É preciso chegar aos mandantes. Desmantelar as quadrilhas de caçadores é provavelmente o menos importante neste momento. É necessário chegar às redes organizadas, transnacionais, particularmente intermediários e compradores.
A título de exemplo desse combate, no ano passado, no nosso país, Mais de 300 pessoas foram presas por caça furtiva no ano passado em Moçambique. O país também perdeu mais de 50 porcento da sua população de elefantes nas últimas duas décadas. No que diz respeito ao rinoceronte, o cenário é mais dramático.
E, como a dar razão à RM pelo prémio lançado durante o II Seminário Internacional sobre os Media, Turismo e Caça Furtiva,dois cidadãos moçambicanos foram detidos em Vilankulo, na província de Inhambane, acusados de caça furtiva. Em sua posse, a Polícia confiscou duas pontas de marfim com 15 quilogramas e apreendeu ainda uma viatura na qual se faziam transportar. A detenção registou-se precisamente dois dias depois da reunião que discutiu questões ligadas à caça furtiva.
Belmiro Adamugy,em Vilankulo



