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Vandalismo e anarquia é o que se observa um pouco por toda a nossa urbe, mas com mais ousadia no Zimpeto, numa verdadeira afronta à monumental obra do estádio com o mesmo nome, com os seus acessos bem pavimentados e com passeios bastantes para a circulação humana.
O cenário que se assiste
na entrada para o
Estádio do Zimpeto a
partir da Avenida de
Moçambique, sobretudo
a partir do início da noite, é
simplesmente desolador.
A Avenida de Moçambique,
exactamente naquele entroncamento
com a entrada ao Estádio,
foi suficientemente alargada
para facilitar o fluxo denso do
tráfico que já se previa com a
construção não só do complexo
desportivo mas também da Terminal
rodoviária do Zimpeto.
Mesmo antes da sua ligação
com a Circular, a Avenida de Moçambique
naquele troço estava
bastante larga, o suficiente para
suportar duas filas de viaturas
nos dois sentidos, totalizando
quatro faixas de rodagem folgada.
Só que tal tranquilidade do
fluxo de trânsito foi de pouca
dura, pois o mercado do Draiven
(Drive in), antes disciplinado nos
seus complexos por fora da estrada,
foi invadido por informais
que tomam de assalto ostensivamente
metade da faixa de rodagem
da Avenida de Moçambique,
exactamente na zona onde as
viaturas mais espaço precisam
para se alternarem na mudança
de sentido que o entroncamento
exige.
O mais caricato é ver os polícias
sinaleiros sem espaço para
colocar as viaturas quando às
suas costas se estende uma faixa
de rodagem tomada por vendedores
indisciplinados. São os
mesmos vendedores que teimam
em usar o Mercado Grossista
como retalhista.
Na senda desta reportagem,
contactámos a vereadora dos
Mercados no Município de Maputo,
Orlanda Fonseca, carregando,
dentre outras, a preocupação
que já havíamos sentido no contacto
com outros munícipes, segundo
a qual aquela zona era tomada
por vendedores que eram
forçados a abandonar o Mercado
Grossista do Zimpeto por volta
das 17.00 horas, quando este
encerra ao contrário dos outros
mercados da cidade de Maputo
que fecham às 19.00 horas.
A vereadora, com a qual falámos
por telefone porque se
encontrava a trabalhar fora do
seu gabinete, questionou de
imediato: "são vendedores de
que mercado? O grossista de
Zimpeto, nem? Como diz o
nome, aquele é um mercado
grossista e não retalhista. A
prática do comércio retalhista,
tanto dentro como fora
daquele mercado, é ilegal. Até
porque o Mercado Grossista
do Zimpeto ainda vai fechar
mais cedo, bem antes das
17.00 horas, pois aqueles que
trabalham lá dentro são fun-
cionários públicos. Precisam
de ter um horário razoável de
entrada e de saída".
Orlanda Fonseca acrescentou
que "nós nos limitamos a
sensibilizar as pessoas. Não
podemos usar a força. É a
democracia" – disse, deixando
transparecer uma certa frustração
pela falta de urbanidade dos
nossos concidadãos.
UMA INFORMALIDADE
FORMAL
A vereadora de Mercados
do Município de Maputo revelou
que existe uma associação dos
informais que, praticamente,
torna esta actividade paralela de
formal. Ou seja, estamos perante
a formalização da informalidade.
Com efeito, vários vendedores
de rua têm alegado que pagam
taxas, justificando assim
a sua legalidade e liberdade na
prática da actividade.
Bem vistas as coisas, a prática
Bem vistas as coisas, a prática
de venda informal não tem
nada de fraco nem de informal.
Antes da construção do Estádio
um dos pontos povoados pelos
vendedores informais, onde até
camionistas descansavam antes
de tomar a viagem de longo
curso pela N1 era a rotunda de
Mahlazine, no cruzamento entre
as avenidas Lurdes Mutola
e Avenida de Moçambique, na
cidade de Maputo.
Bastou tomar-se a decisão
de tirá-los dali, a medida foi
imediatamente cumprida, tendo
estes vendedores, sobretudo de
pão e refrigerantes para viajantes,
se instalado no Zimpeto,
bem ao lado do controlo policial
de Michafutene.
Mesmo antes de terminar a
ponte da Circular no Zimpeto,
estes acabariam por deixar o
posto policial para o entroncamento
em que nasceria a complexa
ponte. Estes vendedores
até agora estão lá, com a diferença
de que o espaço de actuação
e de estacionamento dos
seus clientes é bastante para
não perturbar o trânsito.
Este facto de terem recebido
ordens para se mudar e tal ordem
ter sido acatada, juntamente
com o facto de não serem todas
as rotundas ou vias públicas
que são tomadas para a prática
de comércio ambulante, mostra
que nada é espontâneo como se
pode erradamente depreender.
Da mesma maneira que há
dirigentes ilegais que marcam
preços da venda a grosso no
mercado de Zimpeto ("gai gai"),
acto que já denunciámos neste
jornal, há angariadores de
passageiros para o transporte
inter-provincial. A venda na rua
não é uma excepção.
Ficámos a saber que existe
uma associação de vendedores
informais que escolhe as esquinas,
coloca os vendedores
mediante pagamento de taxas
diárias à revelia das autoridades
municipais.
Na nossa interacção com a
vereadora dos Mercados, esta
lançou um apelo no sentido de
esses vendedores informais não
acatarem essas cobranças, pois
as mesmas não lhes atribuem
nenhuma legalidade nem legitimidade.
O mesmo apelo tem sido
emitido pela Polícia Municipal
em programas interactivos radiofónicos.
A verdade, porém, é que os
vendedores estão de pedra e
cal, com ar de quem está seguro
de que ninguém os irá incomodar,
ousando colocar a sua
mercadoria em plena faixa de
rodagem.
Francisco Alar
falar@snoticias.co.mz



