
A Fronteira de Ressano Garcia, distrito de Moamba, província de Maputo, registou este ano, 2016, um movimento fraco de entradas de moçambicanos que vinham ao país para celebrar a Páscoa.
De acordo com dados facultados pelas autoridades da Fronteira de Ressano Garcia, de 18 a 25 de Março entraram no país mais de 49 mil pessoas, destas cerca de 13 mil atravessaram entre quinta e sexta-feira. No ano passado, atravessaram no mesmo período, mais de 97 mil cidadãos, para Moçambique.
Acredita-se que o fraco movimento naquele posto transfronteiriço deve-se ao conflito político militar que se verifica em alguns pontos do país, sobretudo, na região centro. Maior parte dos cidadãos que entraram no país tinham como destino as cidades de Maputo, Matola e algumas zonas da província de Gaza e Inhambane.
A fronteira esteve a funcionar 24 horas por dia desde o passado dia 18 de Março corrente e foram igualmente montados 10 postos para flexibilizar o processo de atendimento, quiçá evitar as enchentes nas fileiras.
A nossa equipa de Reportagem conversou com alguns concidadãos que atravessaram na passada quinta-feira para Moçambique, os quais mostravam-se satisfeitos porque queriam aproveitar o período da Páscoa para passar com a família. Mas também estavam preocupados por causa da crise, tanto política, assim como as calamidades naturais que estão a deixar muitas famílias sem tecto e comida.
Zefanias Kavo, trabalha em Pretória como electricista desde 1992, atravessou a fronteira na passada quinta-feira, e conta que está no país para lembrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo junto da sua família.
Kavo disse que vem ao país em todos momentos festivos, sobretudo religiosos por considerar serem especiais.
“Este é um momento muito importante porque revivemos a vida e obra do nosso pai maior. Quando chegam essas alturas, dispenso outras actividades para estar com a minha família, disse.
O nosso entrevistado lamenta ainda o mal-estar que o povo moçambicano está a atravessar, nos últimos tempos, o qual considera que afugenta os empresários que querem desenvolver as suas actividades no país.
“Gostaria que este momento servisse de reflexão para os nossos actores políticos. A situação retrai o investimento, em consequência, vamos ter o aumento do desemprego, visto que nenhum empresário aceita drenar o seu dinheiro num sitio onde não há garantia de segurança”, disse Zefanias Kavo.
Por sua vez, Feliz Estêvão, natural de Chimoio, trabalha numa das minhas da África do Sul há 17 anos.
Em conversa com a nossa equipa de Reportagem na passada quinta-feira, na fronteira de Ressano Garcia, disse que o seu destino era a cidade de Maputo, porque não se pode aventurar para longe por temer acontecer o pior pelo caminho.
“Vou até à cidade de Maputo depositar dinheiro num dos bancos para a minha família e regresso amanhã (sexta-feira) para África do Sul. Gostaria de passar o dia com a minha família mas as condições não favorecem, infelizmente”, disse.
A fonte disse ainda que tinha recebido proposta da sua empresa para trabalhar em Tete, mas por causa da insegurança preferiu manter-se naquele país vizinho.
Por seu turno, Arone Tembe, trabalha nas minas da África do Sul desde 1977, está no bairro Boquiço, Município da Matola, para celebrar a Páscoa na companhia da sua família.
“Sempre que chegam estes momentos, venho para cá. Trata-se de momento que reservo para ir à igreja, para além de ficar com a minha família para discutirmos assuntos que nos dizem respeito”, disse.
Abibo Selemane
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Fotos de Jerónimo Muianga



