– Isaura Nyusi, nas festividades do Dia Mundial da Mulher Rural
Alguns desafios que se colocam à mulher moçambicana, no geral, e especialmente à mulher rural, tais como a fraca presença no desenvolvimento do país; a lentidão na atribuição do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT); o analfabetismo; acesso ao financiamento, bem como aos serviços de extensão agrária e à assistência jurídica somente serão ultrapassados através da sua determinação.
Esta foi a tónica dominante do pronunciamento de Isaura Nyusi, esposa do Presidente da República, durante as comemorações do Dia Mundial da Mulher Rural, em Magude, local escolhido para acolher as cerimónias centrais.
Na ocasião orientou a cada uma das mulheres a dar o melhor de si, no seu meio, de forma a transformar os desafios que teimam em persegui-las em metas tangíveis, bastando para o efeito que “cada uma de nós faça a sua parte e da melhor forma possível”, não obstante todas as dificuldades e adversidades, conforme referiu.
Isaura Nyusi encorajou, portanto, o Movimento Moçambicano de Mulheres Rurais (MMMR), para que sirva realmente de vanguarda para advogar e lutar pela eliminação dos males que fustigam o desenvolvimento de indivíduos do sexo feminino, entre os quais a violência doméstica, os casamentos prematuros e as gravidezes precoces das raparigas no meio rural.
Entretanto, endereçou uma saudação “bem merecida” às mulheres rurais, pelo mérito com que implementam as estratégias de produção do Governo, na agricultura de subsistência familiar, assim como no rendimento de pequena e média escala, não obstante o fraco domínio tecnológico para fazerem face ao agravamento das mudanças climáticas, caracterizadas por secas prolongadas, cheias e pragas.
Por tal, enalteceu “o trabalho abnegado de toda a mulher rural, do distrito de Magude em especial, de todo o país, da região e do mundo”, e reafirmou a sua solidariedade, para “de mãos dadas trilharmos o caminho do progresso e do emponderamento integral e sustentável da mulher rural”.
MULHERES CONTROLAM
MENOS TERRAS
Fazer com que o papel da mulher na sociedade seja reconhecido tem sido um grande desafio no país, no continente africano e no resto do mundo. Com efeito, as mulheres fazem parte das atenções de várias organizações governamentais e não governamentais que lutam pela sua valorização. O seu reconhecimento e importância no desenvolvimento socioeconómico e ambiental e a salvaguarda dos seus direitos são invocados cada vez mais, bem como a elevação da consciência da sociedade, conforme referiu Leisa Perch, representante da ONU-Mulher.
Perch avançou a necessidade de embarcar nos ventos da mudança. Para ela, é importante retirar as mulheres da posição de vulneráveis, uma condição que, segundo referiu, é realidade em todos os países de África.
Durante a cerimónia, referiu que a produção média das mulheres na agricultura é menor em relação a dos homens: “as mulheres controlam menos terras”. Por tal, defendeu, “é preciso alterar este cenário, assegurar que não só tenham a agricultura incrementada, através do aumento do tamanho das terras de cultivo, mas também que haja o alargamento das fontes de renda”. 
O apelo pelas mudanças constitui uma necessidade não só no que diz respeito à diminuição do fosso, em termos de oportunidades económicas e não só, entre o homem e a mulher, mas também na forma como se lida com a terra, tendo em conta que “o clima está a mudar…”. Conforme referiu, há necessidade de mudar, a nosso tempo, as culturas e a alimentação.
Isto permitirá assegurar uma alimentação adequada às famílias dirigidas por mulheres, sendo que, segundo referiu, para o sucesso de qualquer estratégia a ser aplicada, “é preciso haver sensibilidade em relação as actividades das mulheres rurais ” e, acima de tudo, é importante emponderá-la.
QUEM TEM LICENÇA
DEVE TRABALHAR (DE FACTO)
O Governo da província de Maputo está focado e empenhado na luta para mitigar ou acabar com a fome que assola parte considerável da população, conforme afiançou Raimundo Diomba, Governador desta província. É nesta senda que apelou a todos os que possuem terras para cultivo a fazerem uso, de facto, para aliviar o sofrimento do povo.
Com efeito, até ao próximo ano serão reforçadas medidas para obrigar a todos os que detêm licenças para o aproveitamento das terras de cultivo que assim o façam. “Os que têm licença terão de fazer uso, de contrário as terras serão lhes retiradas”.
Diomba referiu que todos os esforços estão a ser empreendidos no sentido de tornar a agricultura uma prática de rendimento, procurando diminuir alguns embaraços que entravam o seu desenvolvimento. Assim sendo, “quanto à questão da água estamos já a trabalhar com algumas organizações que dão o seu apoio na distribuição de água, daí que é preciso preparar a sementeira, inclusive usando de meios próprios”, apelou.
Carol Banze
carol.banze@snoticicas.co.mz



