
-Encontrados três alunos a fumar soruma no recinto escolar
O consumo de álcool e drogas no recinto escolar está a tomar proporções alarmantes na Escola Secundária Estrela Vermelha, cidade de Maputo. A direcção daquela instituição de ensino refere que a situação está fora do controlo, pois, semanalmente, são encontrados alunos a ingerirem bebidas alcoólicas, outros a se drogarem.
Alguns destes
alunos foram
alvos de processos
disciplinares
que
depois culminaram
com a
sua expulsão
da escola, mas
a realidade mostra que ainda
não foi encontrada a medida
certa para fazer face à situação.
O caso mais recente foi registado
na passada quinta-feira,
quando três alunos da 9.ª classe
foram surpreendidos a fumar
soruma no recinto escolar. Num
outro momento, outro aluno foi
encontrado a consumir álcool.
Trata-se de estudantes, por
coincidência, repetentes; o aluno
mais velho, que se presume
seja o fornecedor, tem 17 anos
e os outros 16. Na altura, dois
puseram-se em fuga e um deles
foi capturado.
Entretanto, depois de alguns
contactos, a direcção da escola
reuniu-se com os pais daqueles
alunos para informar-lhes sobre
o sucedido. Na ocasião, depois
de tanta insistência, um dos alunos
disse que comprara a droga
no Jardim dos Madgerman.
O director da escola, Gilberto
Reis, referiu que a situação
está a tomar níveis preocupantes
e teme que qualquer dia se
registem casos mais graves,
como assassinatos.
"Às vezes encontrámos
garrafas de diferentes bebidas
alcoólicas, restos de
soruma e palitos de fósforos
nas escadas e nas casas de
banho. Já expulsámos alguns
alunos mas mesmo assim
persistem estas práticas nocivas.
Na formatura falamos
sempre sobre o perigo das
drogas", disse.
A nossa equipa de Reportagem
conversou com dois pais
dos alunos encontrados a fumar
soruma na semana finda que se
mostraram surpreendidos embora
um tenha confessado que
já suspeitava de alguma coisa.
Lucinda Albino, mãe do aluno
identificado apenas por Luís,
referiu que ficou chocada, porque
o seu filho nunca mostrou
mau comportamento em casa.
Às vezes mandava o filho controlar
a sua banca de venda de
produtos diversos. Ele nunca
desviou dinheiro.
"Desconfiei no ano passado
quando chumbou, facto
que nunca tinha acontecido
e avisei-lhe logo que se este
ano voltasse a reprovar passaria
para o curso nocturno.
Este ano as notas não são
animadoras, a máxima são 12
valores", disse.
Confrontada com a nova
realidade, Lucinda tem muitas
ideias para tirar o filho do vício,
entre as quais está arranjar uma
ocupação profissional sem, contudo,
deixar de estudar.
Por sua vez, Laurindo Tafulane,
pai de Emílio, disse que
não ficou surpreendido quando
ouviu a direcção da escola dizer
que o seu filho foi encontrado a
fumar soruma, pois sempre andou
desconfiado.
Lembra que houve uma altura
em que o seu filho sempre
saía por volta das 17.00 horas
de casa. Num desses dias acompanhou
os seus movimentos
e foi encontrá-lo na Escola de
Minkadjuine com alguns amigos
suspeitos.
"Perguntei-lhes de que estavam
a tratar e disseram-me
que estavam apenas a conversar.
Mas não me convenceram.
Disse-lhes logo que
estavam a fumar soruma",
contou.
Num outro desenvolvimento,
Tafulane acusou o Governo
de ser culpado desta situação,
alegadamente, porque quando
os pais procuram repreender os
seus filhos são levados à esquadra
acusados de violação dos
direitos da criança.
"Nunca faltou um momento
para lhe falar sobre a
vida. Houve uma altura em
que quando voltava da escola
ficava na minha banca a vender,
mas, passado um tempo,
começou a comprar telefones,
descobri logo que não
era pessoa ideal para confiar
no negócio", disse.
Por sua vez, Eugénio Macamo,
com 68 anos de idade, pai
de Maurício, irritado com o que
acabava de ouvir na escola sobre
a atitude do seu filho, disse
à nossa Reportagem que embora
não seja a melhor solução,
pensa em expulsá-lo de casa.
"Mas primeiro vou ter
um encontro com a família
para informar o que ouvi do
director. Estou muito chateado.
Eu sou reformado, não ganho nada, mas sempre sacrifico-
me para ele estudar",
referiu.
Entretanto, os pais e os alunos
foram ouvidos na Sétima
Esquadra da Polícia da República
de Moçambique, cidade de
Maputo. Na altura, foi dito que
os alunos retornarão ao convívio
familiar, mas terão de colaborar
com a Polícia de modo a
encontrar os vendedores.
Texto de Abibo Selemane
abibo.selemane@snoticias.co.mz
Fotos de Jerónimo Muianga



