
Atracou na semana finda, no porto de Maputo, o navio de carga chinês contendo material e equipamento, estimado em 725 milhões de dólares, para a construção da ponte que vai ligar a
Cidade de Maputo e o Distrito Municipal KaTembe
Segundo apurou o domingo, durante a semana passada equipas ligadas ao empreiteiro chinês encarregue pela edificação da ponte estiveram a retirar equipamento do navio para o recinto do estaleiro de onde serão dirigidas as obras.
A ponte para a KaTembe terá 3 quilómetros de comprimento, com dois viadutos de acesso, sendo o do lado da “Malanga” com 980 metros e o da Ka Tembe com pouco mais de 700 metros. Em termos de largura, a ponte terá duas faixas, com duas pistas cada, podendo circular nela quatro viaturas em simultâneo, a uma altura não inferior a 48 metros.
O viaduto vai começar na barreira da Malanga, passando por cima da “Motorcare”, da “Delta Trading” e do terminal de viaturas do Porto de Maputo até à zona da Ka Tembe, mais concretamente no bairro Chamissava.
Do lado da Ka Tembe vai ser construída uma estrada nova que passará fora da actual área que se encontra densamente povoada naquele distrito municipal, incluindo a via para a Ponta D’Ouro, com cerca de 102 quilómetros, e da Bela-Vista até Boane, com cerca de 70 quilómetros.
No que ao desenvolvimento urbano da Ka Tembe diz respeito, estão previstas áreas para espaços verdes, logística, turismo, equipamentos e uma nova zona urbanizada.
O projecto será desenvolvido em três eixos, designadamente a construção da ponte propriamente dita, assim como a configuração da estrada entre KaTembe e Ponta D’Ouro, incluindo a ligação à fronteira e a via entre Bela-Vista e o distrito de Boane. Este empreendimento compreenderá ainda o desenvolvimento urbano da KaTembe e o ordenamento do território do Sul da província de Maputo.
Recorde-se que o esboço deste projecto começou no biénio 2007-2008 e todos os estudos feitos ditaram a criação da Empresa “Maputo-Sul” no sentido de mobilizar financiamento para a implementação do mega-empreendimento, que é parte integrante do Plano Quinquenal do Governo no presente mandato.
KaTembe conta actualmente com uma população de 20 mil habitantes mas, com a construção das infra-estruturas previstas, nos próximos 20/30 anos deverá contar com 400 mil pessoas.
O projecto de construção da ponte Maputo-KaTembe enquadra-se num pacote de obras sob responsabilidade do sector de estradas, que inclui também a construção das estradas KaTembe/Ponta do Ouro e Bela Vista/Boane, e as pontes sobre os rios Maputo, Futi e Umbeluzi.
O projecto que temos vindo a citar contempla, igualmente, um amplo plano de urbanização do Distrito Municipal da KaTembe, o qual visa a transformação dos bairros residenciais em zonas para habitação, bem como de áreas para as actividades comercial, industrial e turística.
Refira-se que o plano de desenvolvimento do Distrito Municipal da KaTembe tem em vista a construção da Ponte da KaTembe, que irá criar condições de acessibilidade excepcionais entre as duas margens da Baía de Maputo, abrindo assim uma oportunidade para a concretização do crescimento urbano da cidade de Maputo no sentido Sul, tendo em conta que a área daquele distrito municipal possui actualmente uma densidade de ocupação reduzida.
Ao nível da província de Maputo está desenhado uma série de projectos de desenvolvimento, como são os casos da fábrica de cimento na zona de Salamanga, um campo para a cultura de arroz e a construção de um porto de águas profundas de Techobanine, entre Moçambique e o Botswana.
Está prevista, ainda, neste projecto, a requalificação das avenidas 24 de Julho, ONU e OUA, além das ruas Nuno Álvares, Rainha Santa e Lago Amaramba, localizada nos bairros da Malanga e Lhanguene.
Projectada está também a construção de uma rotunda superior na zona da ex-Brigada Montada, para além de linhas de estrada para acomodar o tráfego por forma a não atravessar pela via circular em fase de construção, incluindo uma estrada paralela à Rua Nuno Álvares.
De acordo com dados em nosso poder, vai ser construído um cruzamento desnivelado, com vias aéreas, na zona da Praça 16 de Junho, junto das instalações da empresa Toyota de Moçambique.
Serão construídos ainda acessos directos para a ponte através de viadutos que passarão por baixo da Avenida 24 de Julho, na zona do Mercado da Malanga, na área de “Mwankhakhana”. A “24 de Julho” passará de quatro para seis faixas de rodagem.
Uma vez que a maior parte das viaturas, sobretudo pesadas, que se deslocam para as grandes unidades localizadas ao longo da Avenida da OUA, incluindo o Matadouro de Maputo, poderão provocar congestionamentos nas suas manobras de mudança de direcção, será feita a requalificação das ruas do Lago Amaramba e da Rainha Santa para permitir o acesso pela parte posterior daquelas instalações industriais. A Avenida da ONU será reservada para o trânsito rápido.
O projecto da construção da ponte para a KaTembe surge como um complemento ao processo de reabilitação Estrada Nacional Número 1, que já inclui as pontes Armando Guebuza e da Unidade, no quadro da ligação terrestre entre os países da SADC e da ligação segura às zonas turísticas do Sul da província de Maputo.
Benjamim Wilson



