
Pelo menos 200 empresas nacionais localizadas na cidade de Maputo e na sede do distrito de Marracuene, na província de Maputo, já se alistaram para beneficiarem do projecto de canalização de
gás natural actualmente em curso nesta região do país sob a égide da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
Dados em nosso poder indicam que no quadro da massificação do consumo deste recurso natural, extraído nos jazigos de Pande e Temane, na província de Inhambane, foram identificados e alistados hotéis, restaurantes, padarias, diferentes tipos de indústria, hospitais, empresas ligadas ao ramo de trasnportes entre outros classificados como grandes consumidores de energia e de combustíveis fósseis.
Fonte da ENH refere que com a materialização deste empreendimento, a partir deste ano, o país vai poupar cerca de dois milhões de dólares na factura de importação de gasolina e diesel e, de forma progressiva, poderá economizar até 35 milhões de dólares em 2030. Por outro lado, o funcionamento deste sistema vai gerar pelo menos 80 postos de trabalho permanentes.
Entretanto, a canalização do gás natural para as cozinhas das famílias desta região do país continua adiada por razões de ordem económica e técnica. Segundo a nossa fonte, “as ligações serão efectuadas de forma gradual e à medida que o sistema se for consolidando”.
Por ora, a ENH enuncia que o uso do gás natural trará benefícios para as famílias, empresas, instituições públicas, em suma, para a economia nacional pois, ajudará a reduzir as despesas mensais relacionadas com o consumo de energia, se se atender ao facto de o gás natural, para a mesma quantidade de energia, poder custar 60 por cento a menos que as botijas de gás comum que é largamente utilizado no país, o que terá reflexos directos na balança de pagamentos e no Produto Interno Bruto.
Em termos práticos, “significa que se alguém gasta mil meticais por mês em gás de cozinha, por exemplo, com o uso de gás natural pagará 600 meticais durante este mesmo período para o mesmo fim. Também se estima que o gás natural custe às famílias menos 15 por cento comparado com a electricidade”, sublinha.
Ainda neste contexto, a nossa fonte reforça que o gás natural, quando usado como combustível para viaturas é mais barato que o o diesel e a gasolina, dado que com um metro cúbico de gás natural é possível rodar mais quilómetros do que com um litro de gasolina ou diesel, o que permite uma economia nos gastos com o veículo.
O que ainda não foi divulgado é o custo para a montagem das condutas necessárias para que aquele combustível chegue às cozinhas, fornos de cada família mas, aponta-se que o acesso ao gás natural requer avultados investimentos dada a especificidade dos materiais para a instalação.
Gás mais leve que o ar
Enquanto as equipas de trabalho vão escavando passeios um pouco por toda a cidade para instalar a tubagem, a ENH afiança que o manuseio do gás natural é mais seguro do que o do gás das botijas comuns, feito de petróleo liquefeiro.
Segundo a nossa fonte, diversos motivos fazem do gás natural um combustível seguro, dentre os quais se destaca o facto de não carecer de estocagem e, em caso de vazamento, dissipar-se mais facilmente por ser mais leve que o ar.
“O gás de cozinha é mais pesado e tende a acumular-se junto ao chão representando, por isso um grande perigo em caso de faísca ou chama. Para que o gás natural se inflame, é preciso que seja submetido a uma temperatura superior a 620 graus centígrados, quando o álcool se inflama a 200 graus centígrados e a gasolina a 300 graus”, disse.
Perante este quadro, a nossa fonte afirma que o uso deste combustível eleva o nível de segurança pessoal e patrimonial reduzindo inclusive custos com seguros e que a instalação da rede de gás será feita de acordo com os níveis de segurança internacionalmente reconhecidos.
“Em locais de maior perigosidade foram desenhadas medidas adicionais de segurança. Para além disso, estão previstas acções de educação à população sobre medidas de segurança no uso do gás natural”, aponta.
Com efeito, a construção da rede de canalização de gás natural para o primeiro grupo de consumidores deverá ser concluída em meados do próximo ano e resulta de uma parceria entre a EHN e uma empresa coreana, a KOGAS, tida como detentora de experiência comprovada em projectos similares.
Ao abrigo do referido entendimento, e tendo em conta a experiência na área e capacidade financeira, a KOGAS deverá construir a rede, operar o sistema, numa fase inicial, e formar quadros nacionais que deverão tomar o controlo das operações, num futuro muit próximo.
Esta primeira fase do empreendimento está orçada em 38.2 milhões de dólares americanos, e consiste na construção de um gasoduto de alta pressão, com 11quilómetros, a partir do Parque Industrial de Beluluane, na Província de Maputo, até à zona da antiga SONEFE. Daqui será instalada uma conduta menor, de pressão intermédia, com cerca cinco quilómetros para cidade de Maputo e a sede do Distrito de Marracuene.
A extensão total projectada para a rede de distribuição de gás canalizado é de aproximadamente 60 quilómetros excluindo os ramais para os consumidores.
A segunda fase do empreendimento baseia-se na construção de um ramal com cerca de 25 quilómetros de extensão para o distrito de Marraquexe, ao longo do qual foram identificados alguns consumidores ao longo deste percurso, nos sectores industrial e comercial, incluindo a panificação, e as fábricas Têxteis de Marracuene, ex-Mabor, fábrica de papel e cartão (Fapel/Fapacar), e ainda o Hospital do Geral do Infulene.



