
O Malawi lançou um apelo de emergência à comunidade internacional para socorrer dois milhões e oitocentos mil malawianos que poderão passar fome nos próximos seis meses, devido ao efeito combinado da seca e das cheias que também afecta outros países da SADC, como Moçambique.
No início do ano, Malawi foi afectado pelas piores cheias na sua história, que resultaram em mais de cem mortos, para além da destruição de milhares de hectares de culturas diversas. Infraestruturas socioeconómicas como casas, estradas, escolas e unidades sanitárias também foram destruídas.
Por isso, o presidente Peter Mutharika pediu recentemente à comunidade internacional 146 milhões de doláres norte-americanos para salvar vidas em perigo e suprir a falta de alimentos.
O estadista malawiano foi ao extremo de implorar para a comunidade internacional todo o apoio possível para salvar os malawianos, principalmente os mais vulneráveis.
Trata-se da pior crise alimentar nos últimos dez anos, num país onde mais de cinquenta por cento da população vive com menos de um dolár por dia.
Até Março do próximo ano, Malawi precisa da ajuda humanitária, sob o risco de registar mortes devido a fome.
De acordo com o Comité de Vulnerabilidade, cerca de dois milhões e oitocentos mil malawianos vão passar fome em vinte e quatro dos vinte e oito distritos do país entre Outubro e Março de 2016. A seca e as cheias resultaram na quebra das colheitas em trinta por cento, em particular do milho, a base de alimentação dos malawianos.
Com recurso a fundos internos, o governo do Malawi conseguiu importar trinta mil toneladas de milho da Zâmbia, para além de outras vinte e seis mil toneladas que poderão chegar ao país nos próximos dias.
O presidente Peter Mutharika disse que a importação do milho destina-se não só para o consumo da população afectada, mas também para estabilização do preço do cereal no mercado, onde alguns comerciantes estão a vender o produto a preços especulativos.
Malawi é um dos países mais pobres do mundo, a sua economia depende da agricultura e por essa razão vulnerável à insegurança alimentar devido às calamidades naturais.
A crise alimentar vem associar-se à suspensão do apoio directo ao orçamento por parte dos doadores ocidentais devido à corrupão, tornando a situação do Malawi extremamente grave.
O Programa Mundial da Alimentação começou já a mobilizar apoios para socorrer o Malawi. O PMA considera essencial assegurar os ganhos de desenvolvimento alcançados em áreas como saúde e educação. Em algumas regiões afectadas, as pessoas começaram a vender o gado para sobrevivência.
O relatório “Custo da Fome em África” estima que a taxa de pessoas com baixa estatura no Malawi ronda os 42%, considerada uma das mais altas do continente. O problema custa cerca de 600 milhões de doláres anuais ao governo do malawiano.



