
Depois de muita angústia, os corpos das 50 vítimas fatais do trágico acidente aéreo, registado na passada segunda-feira, dentre eles os 19 jogadores da Chapecoense, foram velados, ontem, sábado, na Arena Condá. Os mesmos foram trasladados em Medellín, na Colômbia. Mais de 100 mil pessoas, de entre familiares, desportistas, governantes, adeptos, participaram na sua última homenagem.
No aeroporto de Chapecó foi realizada uma cerimônia militar com a presença de autoridades, de entre eles o presidente da Republica, Michel Temer. Após a cerimónia militar, os corpos foram levados até a Arena Condá para o velório coletivo.
No velório, o acesso foi permitido, primeiro, aos familiares das vítimas, depois foi a vez dos adeptos. A cerimónia foi acompanhada com mais de 100 mil pessoas. Para permitir a acomodação de todos foram instalados talões na área externa, já que o local tem a capacidade para apenas 19 mil pessoas.
"A sensação que temos é de que eles apenas estão voltando de uma viagem e vamos poder abraçá-los". "Estamos feridos de morte", "Fomos atingidos no coração".Estas foram três frases proferidas por alguns moradores de Chapecó e adoradores da equipa que resumem o clima de comoção que envolveu o velório.
A mãe do Danilo, um dos jogadores da equipa, e que perdeu a vida no acidente, considerou o momento como terrível. Já imaginou que seu filho está em lugar longe, que você não pode abraça-lo, vai chegar em um caixão lacrado?! E você vai ficar de longe vendo ele, não vai poder olhar no rosto nunca mais? Isso é terrível.
Entretanto, a queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense mexeu com o mundo do futebol . Através do site oficial, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) lamentou o ocorrido, prestou solidariedade e suspendeu todas as actividades, incluindo a final da Copa Sul-Americana, que começaria a ser disputada na última quarta-feira.
Escala em Bogotá
custaria 10 mil reais e uma hora extra
A empresa LaMia, responsável pelo voo que levava a Chapecoense e que se acidentou em Medellín matando 71 pessoas, teria um custo adicional de cerca de 10 mil reais se decidisse por parar no Aeroporto de Bogotá para realizar um abastecimento, segundo especialista consultado pela "Folha de S.Paulo". O valor inclui combustível e taxas aeroportuárias.
A parada se fazia necessária por conta da distância entre os pontos de origem do voo (Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia) e chegada (Medellín, na Colômbia). A distância entre essas cidades é de cerca de 3.000km, exatamente a autonomia de voo do modelo BAe Avro RJ85 – ou seja, o avião não tinha margem de reserva para esse trajeto.
Segundo Bruno Fernando Goytia Gómez, filho do copiloto Ovar Goytia, que faleceu no acidente,a companhia aérea desistiu de parar em Cobija, no norte da Bolívia, por conta do atraso no voo comercial que partiu de São Paulo. Além disso, o aeroporto de Cobija fica fechado durante a noite.
A escala em Bogotá, que fica 300km ao sul de Medellín, seria a alternativa e atrasaria a chegada da delegação ao local da partida em apenas uma hora, segundo projeção do coronel Douglas Machado, especialista em investigações de acidentes aéreos.
Evo Morales exige "medidas drásticas"
O Presidente da Bolívia, Evo Morales afirmou não saber que a LaMia era uma empresa com matrícula no país. Em coletiva de imprensa, o governante admitiu que Gustavo Vargas, representante da companhia aérea, havia sido piloto do grupo aéreo da presidência. Morales pediu punição após o acidente com o avião que matou 71 pessoas, incluindo 19 jogadores da Chapecoense, e garantiu que o governo tomará medidas drásticas.
Da empresa LaMia, não sabia que tinha autorização, não sabia que era uma empresa com matrícula boliviana. Vamos tomar medidas drásticas, garantiu o presidente Gustavo Steven Vargas Villegas, director de Registo Aeronáutico Nacional da Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia (DGAC), seria filho de Gustavo Vargas, diretor geral da LaMia e ex-piloto do grupo aéreo da presidência. Morales afirmou que é preciso fazer uma investigação a fundo sobre os envolvidos.
É preciso investigar como se legaliza, como se constitui a empresa e as certificações correspondentes, afirmou o presidente.



