
A Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe) adiou a realização do Campeonato Nacional da modalidade por motivos organizacionais, soube domingo do respectivo presidente, Benjamim Uamusse (BIG-BEN).
Com esta decisão, cumpre-
se aquilo que já se
tornou “regra” a nível
da FMBoxe, o adiamento
da prova máxima da
modalidade com a mesma justificação
de falta de dinheiro.
O próprio presidente de
direcção da FMBoxe foi quem
publicamente anunciou o “Nacional”
para os dias 25, 26 e 27
de Novembro de 2016, supondo
que as condições organizacionais
e financeiras estavam reunidas.
Parece que a falta de planificação
voltou a dominar.
As datas acima transcritas
foram anunciadas depois de
posta de lado a possibilidade
de a prova ter lugar na cidade
da Maxixe, em Inhambane, por
falta de fundos.
“À Maxixe só iríamos se
conseguíssemos um bom
apoio financeiro, mas não foi
possível, sobretudo porque o
Estado, através do Fundo de
Promoção Desportiva, não
nos pode ajudar, dada a situação
que todos conhecemos”,
afirmava na altura "Big-Ben".
Tinha dito também que tudo
estava pronto para a realização
da prova, mas eram só promessas,
agora reinam incertezas. A
prova está adiada e não se sabe até então as datas da sua realização.
Uamusse disse ao nosso
jornal que há questões técnicas
ainda por se concertar, da mesma
forma que faltam dados por
preencher, sem avançar quais.
Na conversa, em que a frase
mais repetida era “o Nacional
há-de ser realizado”, disse que
há ainda jogos de apuramento
por realizar no Centro e Norte
do país. Aliás, o "Nacional", pelo
menos nesta edição, vai mudar
de cara, sendo que será disputado
tendo os atletas representando
as suas regiões e não os
seus clubes.
"Está certo que a prova
será aqui em Maputo, mas
neste momento as zonas
vão disputar para as qualificações,
embora tenhamos
outros aspectos ainda por
acertar, mas o Nacional vai-se
realizar", esclareceu "Big-Ben".
Entretanto, fontes próximas
da federação disseram à nossa
reportagem que um dos factores
que torna difícil movimentar
atletas do Norte e Centro para o
Sul do país é a tensão político-
-militar. Mas essa justificação é
reprovada pelos nossos entrevistados
a propósito do adiamento
do “Nacional”.
Falta seriedade na federação
domingo saiu à rua para ouvir alguns
treinadores sobre o adiamento do Campeonato
Nacional de Boxe. No Ferroviário
de Maputo falou com Elísio Manhiça,
treinador principal, e no Estrela Estrela
Vermelha com Lucas Sinóia, técnico dos
alaranjados, os bi-campeões nacionais.
"Existem outros meios para transportar
atletas, não se pode pensar
somente nos carros", remata Elísio Manhiça,
treinador de boxe no Clube Ferroviário
de Maputo.
Para Elísio Manhiça, os organizadores
do Campeonato Nacional de Boxe não
são sérios. Segundo contou, a prova nacional
daquela modalidade não pode ser
organizada como se fosse “um torneio do
bairro”.
"Não deve haver favores. A federação
deve basear-se apenas nas listas
dos apurados pelas associações
provinciais. Não pode querer meter
no Nacional indivíduos recrutados
à última hora por clubes de existência
duvidosa. É o comportamento da
federação que leva a dizer que eles,
os organizadores, não são sérios. E
é isso que retarda a modalidade no
país", explica. Disse mais, "e há falta de
entendimento e coordenação entre as
associações e a federação".
Lucas Sinóia, treinador do Estrela
Vermelha de Maputo, não só compartilha
a ideia da falta de seriedade por parte
dos senhores da federação, assim como
diz “tenho uma visão diferente do que
devia ser o nosso boxe. Se todos tivessem
a mesma visão, já estaríamos
noutros patamares. A situação agrava-
se com a falta de entendimento entre
a federação e os seus associados,
que são as associações provinciais.”
Principais vítimas
No meio de tanta barafunda que caracteriza
o boxe nacional, os pugilistas
consideram-se as principais vítimas da
falta de seriedade por parte dos dirigentes
da modalidade.
Hélio Langa, pugilista do Clube Ferroviário
de Maputo, ensaia pacientemente
alguns KOs nos treinos. Dedicado, todos
os dias vai àquele local para aperfeiçoar
as suas técnicas com o objectivo de fazer
o seu clube campeão nacional.
Langa é dos sérios candidatos aos
lugares cimeiros, é campeão da cidade
de Maputo dos 52 quilogramas e vice-
-campeão nacional.
Em conversa com o domingo, Langa
diz sonhar com um campeonato mais
organizado e com boas condições para
todos os atletas, acrescentando que a seriedade
é tudo que não deve faltar.
Instado a comentar sobre a possibilidade
da substituição do “Nacional” por
jogos regionais, Langa é peremptório ao
afirmar que "isso não é campeonato
nacional. Queremos uma prova que
junte todos os bons pugilistas do país
na mesma cidade e fazermos a festa
da nossa modalidade. A federação
teve um ano para preparar essa prova".
Segundo conta, os jogos regionais não
lhes interessam, porque anulam todo o
trabalho de preparação realizado nos
clubes.
"Se há campeões de 2015, tem de
haver campeões de 2016. Temos de
estar a avançar e não a recuar. Se há
falta de dinheiro é porque a federação
não sabe procurar dinheiro. E não se
procura dinheiro de um dia para o outro.
A preparação de um campeonato
deve durar um ano", afirma.
Valdo, pugilista do Estrela Vermelha
de Maputo, ainda sonha com a realização
do “Nacional” a todo terreno. Não acredita
noutra coisa, senão numa prova que
junte no mesmo local todos os melhores
pugilistas de Moçambique.
"Queremos um campeonato com
concorrência nacional e perfeita. Não
sou a pessoa certa para falar da realização
e organização de um campeonato
nacional, mas qualquer desorganização
lesa o nosso trabalho do
dia-a-dia", frisou Valdo.
Maputo
premeia
os melhores
do boxe
A Associação de Boxe da Cidade de Maputo premiou,
na manhã de ontem, os melhores da modalidade
de 2016 numa gala realizada na Faculdade de
Educação Física e Desportos da Universidade Pedagógica
(UP).
Na categoria de melhor clube ficou o Ferroviário de
Maputo. Clube feminino do ano ficou com ALS. Já o Matchedje
foi a equipa "fair-play"; para o dirigente do ano, a
associação escolheu Luís Rosa Manhique, presidente do
Estrela Vermelha.
Paulo Jorge foi eleito o melhor atleta do ano. Carlos
Alberto foi indicado atleta revelação. Helena Bagão é a
escolhida para a categoria de atleta feminino do ano.
Melhor treinador do ano é Elísio Manhiça, do Ferroviário.
Como árbitro do ano foi escolhido Horácio Quepisso.
O prémio para treinador consagrado foi atribuído a Justino
Gudo. Este ano não foi eleito melhor jornalista do ano,
nem melhor jornal.
Pretilério Matsinhe



