TEXTO DE REGINA NAETE E MICAELA MEQUE
Após chuvas intensas que assolaram a zona sul do país, o desespero instalou-se nas comunidades. O drama repete-se. As inundações voltaram a deixar casas submersas, e centenas de famílias são forçadas a abandonar suas residências e buscar refúgio em centros de acolhimento, onde a luta pela sobrevivência é diária.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), até quinta-feira, existiam no país cerca de 90 centros de acolhimento activos, com 92.792 pessoas, das quais 17.524 resgatadas das zonas de risco.
Em alguns centros da cidade e província de Maputo, o silêncio ensurdecedor ecoa nos corredores. Em cada rosto observa-se desespero, medo e denúncia de quem perdeu esperança de regressar à sua casa. Não é para menos. Essas pessoas viram tudo o que tinham a ser arrastado pelas águas. Residente em Maxaquene “C”, na cidade de Maputo, com sua mãe e três filhos, Cátia Armando, de 24 anos, viu sua casa a ficar inundada e seus bens arrastados pelas águas. Recorda o episódio com profunda tristeza e dor.
“Perdemos quase tudo que tínhamos, a nossa casa ficou inundada e fomos obrigados a sair de imediato. Nos primeiros dias tentávamos sobreviver tirando a água para fora, mas não foi uma solução viável, pois a zona toda está inundada, contou.
Com seu bebé no colo e os outros membros da sua família, apenas com o traje que traziam, refugiaram-se no centro de acolhimento situado no mesmo bairro.
Em conversa com domingo, Cátia partilhou que estar sem abrigo e num centro de acolhimento tornam a sua vida mais difícil. Lamenta a sua estada naquele local e relata não ter esperança de regressar à casa nos dias que seguem. “É difícil estar longe de casa e conviver com diferentes pessoas e famílias, mas o pior é saber que tudo que construímos durante anos já não existe e viver sem saber qual será o nosso destino depois daqui”, disse.
SAÚDE EM RISCO
No centro de acolhimento instalado no Instituto Industrial e Comercial da Matola, as dificuldades enfrentadas pelas famílias deslocadas vão além da perda de seus bens. A alimentação é deficitária e as condições de higiene são precárias. Jéssica Mangove, representante do INGD naquele local, disse que o centro acolheu 108 famílias, num total de 238 pessoas, provenientes dos bairros Matola “Aˮ, “Fˮ e Fomento. Leia mais…



