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Há boas notícias no algodão

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Texto de Jorge Rungo

O sector do algodão está a fervilhar de notícias agradáveis depois de ter entrado em falência múltipla nas últimas décadas. Sem fazer alardes, o Instituto Nacional do Algodão está a desfazer-se em múltiplos caminhos com a finalidade de devolver ao país o seu estatuto de grande produtor desta importante fonte der fibra para a indústria têxtil.

O director daquele instituto, Norberto Mahalane, conta que o Governo, através deste sector, está a namorar investidores que deverão estabelecer três unidades fabris em pontos estratégicos para reestabelecer a cadeia de produção têxtil que o país merece por conta das condições naturais que possui.

Neste momento, segundo Norberto Mahalane, Moçambique gere a cauda da lista dos países produtores de algodão, o que é simplesmente bizarro, tendo em conta que alguns dos que estão no topo africano, como são as casos de Burkina Fasso, Togo e Mali, por exemplo, não tem terra e muito menos condições agroclimáticas para competir em pé de igualdade com o nosso país. Mas…

Para inverter este quadro, Mahalane alista várias acções que estão em curso, algumas das quais surpreendentes, como a aquisição de três máquinas que servem para classificar o algodão. Até ai tudo parece comum. Mas quando se diz que cada uma delas custa 200 mil dólares e exige cuidados e carinhos excepcionais, a coisa muda de figura.

Por exemplo, estas máquinas devem ser acondicionadas num local onde a temperatura deve ser estável no intervalo entre 20 e 22 graus. Mais um grau ou menos um, a máquina “engasga” e deixa de ser fiável. Idem para a humidade do ar. Deve estar cirurgicamente regulada para evitar que diga que o algodão é de segunda, quando é de primeira, e vice-versa.

Surpresa? O sector do algodão tem muitas. Enquanto a maioria pensa quer o Instituto do Algodão dorme e ressona, o director afirma que estão a ser implementados programas que visam elevar a produtividade dos actuais 500 a 600 quilogramas de algodão colhidos por hectare para uma tonelada e meia extraídas do mesmo hectare.

Para chegar a este objectivo, Mahalane revela que um grupo de jovens moçambicanos foram levados ao Brasil para serem treinados em técnicas de extensão desta cultura de rendimento, enquanto outros, que foram treinados a nível local, estabelecem Campos de Demonstração de Resultados (CDRs) nas aldeias para que os camponeses possam ver com os próprios olhos como se faz para ampliar as áreas de cultivo e ter resultados cada vez melhores. É pouco?

Recentemente o Conselho de Ministros ordenou que se comecem a dar passos rumo à liberalização do fomento desta cultura para que se torne mais competitivo. Para tal, o Instituto do Algodão deverá acelerar a colocação de extensionistas nos distritos, garantir que haja provedores de insumos e aumento do número de empresas no sector.

“Temos uma aposta do Governo. Uma das áreas onde este ciclo de governação aposta é na área do emprego. Não haveria melhor sector para gerar tanto emprego por dólar investido como o sector têxtil. A ideia é lançar, neste quinquénio, pelo menos dois parques têxteis”, diz Norberto Mahalane.

Para mais novidades deste sector que pode virar a economia nacional de avesso, em poucos anos, particularmente a economia familiar, basta que o leitor vire esta página. A seguir encontrará a entrevista que o director do Instituto do Algodão nos concedeu.

O regresso do algodão!

Texlom, Téxtáfrica do Chimoio, Têxtil de Mocuba, Texmoque, Texmanta, enfim. Estes nomes dizem muito a milhões de moçambicanos que tiveram o privilégio de conhecer o período áureo da indústria têxtil nacional. Foram tempos que, infelizmente não voltam mais. Ciente disso, o Instituto do Algodão de Moçambique está a agir na calada, sem holofotes e parangonas para trazer de volta o melhor que o sector pode dar aos camponeses, aos industriais, comerciantes e à sociedade moçambicana como um todo. Devolver a dignidade de vestirem roupa e usarem tecidos feitos de algodão. Original. Como acontecia no passado, quando todas estas fábricas transformavam o algodão em fio, fio em tecido, tecido em roupa. É disso que falamos a seguir. Norberto Mahalane não precisou pedir-nos um questionário. Falou como quem fala da palma da mão. Conhece o assunto e por isso, seguem-se as suas palavras, lavradas para o jornal pelo Editor de Economia, Jorge Rungo.

Enquadre-nos sobre o que é este instituto de que pouco se fala?

O Instituto Algodão vela pela promoção da produção, comercialização, exportação e industrialização da fibra do algodão. Somos uma instituição com certa autonomia em relação a uma direcção nacional convencional.

Porquê?

Porque este sector tem uma dinâmica muito rápida que requer decisões rápidas.

Que tipo de decisões?

Por exemplo, o estabelecimento do preço mínimo que tem em vista proteger as empresas e os camponeses para que nenhum saia lesado.

Comecemos pelas empresas. Quantas intervêm no processo produtivo?

Interagimos com 14 empresas que actuam em regime de concessão para o fomento desta cultura.

Como funciona esse modelo?

O governo assina um contrato de fomento com cada uma das empresas e dá-lhes um território físico, que pode compreender vários distritos. Estas empresas devem entregar sementes, insumos a crédito, prestar toda a assistência técnica e proceder à compra da produção resultante.

Quantos camponeses estão envolvidos?

Depende. Este ano temos cerca de 230 mil famílias, mas há anos em que temos 300 mil famílias.

Não temos produtores do sector comercial?

Essencialmente trabalhamos com o sector familiar, mas estamos a reativar a produção comercial. O sector familiar responde por 96,5 por cento da produção e as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) respondem pelos restantes 3,5 por cento.

Situemos o nosso leitor. Onde é que temos produção de algodão no país?

Temos um ranking das províncias. Na campanha passada a maior produtora foi a província de Nampula, seguida de Cabo Delgado, Niassa, Tete, Manica e Sofala. As restantes têm menor expressão. Nampula é campeão em título.

Deve ter um ranking das empresas fomentadoras. Qual é a campeã?

É a Plexus, que é uma empresa de capitais britânicos. Tem o maior volume de produção. A seguir vem a Sanam, do grupo João Ferreira dos Santos (JFS), e seguem outras empresas. Deixe-me dizer que a Plexus tem vindo a produzir cerca de 25 a 30 mil toneladas de algodão caroço, essencialmente em Cabo Delgado, nos distritos de Montepuez, Balama, Namuno e Chiúre, assim como em Erati na província de Nampula.

Em termos globais, de que quantidades estamos a falar?

O país tem estado a produzir entre 70 a 80 mil toneladas de algodão caroço. Essa é a média das últimas três campanhas. Isso representa algo próximo de 38 a 40 mil toneladas de fibra descaroçada em 10 fábricas activas. Outras duas unidades fabris não estão a funcionar.

Sem consumo interno, vai tudo para a exportação…

Estamos a exportar para países como Bangladesh, Indonésia, China, Vietname, ou seja, para o continente Asiático que absorve 75 a 80 por cento da nossa produção. O que sobra vai para alguns países africanos que recebem 13 por cento da nossa produção e a Europa fica com qualquer coisa como 1,2 por cento da produção.

REVITALIZAR A INDÚSTRIA TÉXTIL

Quando teremos uma cadeia produtiva completa?

A única fábrica que faz o trabalho de transformar a fibra em fio para depois seguir a produção de roupa é antiga Riopele, em Marracuene, província de Maputo.

Perguntava sobre eventuais planos para ter mais empresas do género…

A nossa intenção é de ter duas a três novas unidades de fiação e tecelagem. Uma poderá estar localizada no corredor da Beira, refiro-me à zona de Nhamatanda ou Dondo, outra no vale do Zambeze, na Zona Económica Especial de Mocuba e a terceira em Nacala. Essa é que é a nossa prespectiva de desenvolvimento.

Isso é um sonho ou um projecto real, palpável, com datas e nomes?

Existe uma aproximação que está a ser feita junto do sector privado e também troca de correspondência com alguns investidores e posso dizer que temos estado a interagir em volta de três coisas essenciais com esses investidores.

Isso é muito bom. Que coisas?

A primeira é o pacote de incentivos para o sector têxtil, porque tem as suas especificidades, sobretudo no que se refere à volta de mão-de-obra. Estamos a trabalhar nesta variável. A segunda questão relaciona-se com as infra-estruturas, nomeadamente no acesso à energia estável, porque este sector é muito sensível. É preciso ter energia de qualidade porque, de contrário, no processo de fiação acontecem vários problemas que as vezes a agente vê na roupa. A última variável relaciona-se com insegurança política, porque para o investidor as actuais notícias do ambiente político são inquietantes.

Como superam esta última componente?

Temos estado a convidar os actores para irem connosco aos locais onde pretendem investir. Por exemplo, o investidor interessado implantar uma fábrica têxtil em Nhamatanda já foi ao terreno e viu que é possível ir e voltar sem problemas. Com o investidor de Nacala fizemos a mesma coisa. Agora estamos a trabalhar com o actor que está interessado na região de Mocuba.

De onde são esses três investidores e quem são?

Os nomes ainda não posso revelar. Mas, um investidor é africano, vem do Quénia. Outro investidor é de origem japonesa e o terceiro faz parte de uma multinacional, mas não tenho o país de proveniência.

Falou em incentivos e isso muitas vezes gera barulho porque muitos entendem que o sinónimo é não pagar impostos. Estão a negociar o quê no concreto?  

Estamos a falar dos incentivos articulados no âmbito da Lei de Investimentos. Mas, como estas iniciativas estarão implantadas em Zonas Económicas Especiais, os incentivos estarão relacionados com estas áreas.

Tem algo em particular que se deve negociar para além do que rege as Zonas Económicas Especiais?

Tem aspectos específicos do sector têxtil que se relacionam com a legislação de trabalho.

Como? O que tem a Lei do Trabalho?

O sector têxtil é muito específico. Funciona 24 horas, não obedece a feriados, entre outros, sempre visando alcançar a escala. O que eles tem estado dizer é que gostariam que o país tivesse um regulamento específico de trabalho para o sector têxtil.

Para quê?

Para responder às necessidades específicas do sector… deixe-me explicar o seguinte. O sector têxtil tem a possibilidade de empregar pessoas com alguma habilidade e também trabalhadores com menor índice de escolaridade, mulheres, pessoas que não precisam da força física para fazer o trabalho, até pessoas com certo nível de deficiência, tudo isso tem que ser articulado e previsto em algum pacote de benefício para esses trabalhadores e para o empregador. Portanto, esses são casos que temos discutidos com os potenciais investidores.

Óptimo. Este plano deve ser executado até quando?

Temos fé de que dentro deste quinquénio duas dessas unidades deverão arrancar.

AUMENTAR RENDIMENTOS

Disse que o país produz a volta de 80 mil toneladas de algodão caroço. Parece pouco. Ou é nossa ignorância?

Os nossos rendimentos de campo são de 550 a 600 quilogramas por hectare. Não é uma média boa. Tem razão. É bastante baixo porque outros países estão a fazer 1200 a 1500 quilogramas por hectare. Nós estamos a meio do caminho.

O que está a ser feito para chegar a este objectivo?

Vou responder, mas antes permita que lhe diga que o outro objectivo é aumentar o sector comercial que eu disse que tem cerca de 4 porcento. Gostaríamos que o sector privado se interessasse pelo sector, investisse e 50 porcento da produção nacional viesse deste segmento, sem reduzir a produção do sector familiar.

A nossa pergunta continua válida…

Devo dizer que mesmo essa marca de 4 por cento é recente. Só tem três anos. Antes o sector empresarial produzia menos de 0,5 por cento.

Esse crescimento resulta de quê?

Temos estado a avançar num programa promoção de produtores comerciais.

Senhor director voltemos à pergunta que fizemos há pouco. O que está a ser feito para se passar de 500 para 1200 quilos?

Nos últimos quatro anos recrutamos 20 a 25 técnicos médios e superiores que colocamos nos distritos prioritários. Esses técnicos têm estado a fazer Campos de Demonstração de Resultados (CDRs), para além de assistência técnica ao produtor. A diferença é que estes campos têm um mínimo de quatro hectares.

Explique-se melhor…

O que queremos é mostrar que é possível fazer quatro hectares e colher muito mais. Como sabe, o nosso produtor tem uma média de meio a um hectare por família. Os nossos técnicos usam os mesmos meios que as famílias usam. Colocamos o desafio para os nossos técnicos de produzir e colher uma média de duas toneladas por hectare e eles tem estado a conseguir. Achamos obviamente que o sector familiar pode não conseguir manter esta fasquia poderá atingir uma tonelada e meia, o que é um rendimento realístico.

Há pouco disse que estão a ser atraídos investidores para o sector. Com estes resultados é possível manter indústrias a funcionarem?

É possível, sim.

É?

Os nossos volumes de produção neste momento permitem-nos ter quatro unidades médias de fiação e tecelagem.

Que aritmética está a fazer?

Simples. Uma unidade média tem que estar em condições de processar cerca de 10 mil toneladas de fibra. Como normalmente se faz um pouco de uma mistura com outras fibras é possível chegar a 15 mil toneladas. O nosso primeiro objectivo é aproveitar este potencial e não queremos esperar pelo aumento dos rendimentos de campo para fazer investimentos.

Mas, a que se deve a baixa produtividade?

Vários factores. O primeiro é que, infelizmente, ainda não temos um sistema de distribuição de sementes de boa qualidade a todos os produtores, pelo que estamos a trabalhar no sentido de fornecermos sementes certificadas.

Está a falar de factores preponderantes…

Sim. A segunda variável tem a ver com pacote de insumos nomeadamente fertilizante e inseticidas. Aí estamos a trabalhar no sentido de aumentar um pouco o uso de insumos na produção do algodão. Neste momento o volume de insumos que usamos é bastante baixa e existe um programa para estimular o uso de fertilizantes e optimizar o uso de pesticidas que são insumos importados porque as duas fábricas de fertilizantes existentes no país ainda não produzem o suficiente.

Existe algum plano para a componente técnica, ligada à produção propriamente dita?

Essa é a terceira variável. Precisamos de ter disciplina agrotécnica porque o algodão é uma cultura tecnicizada, pois, exige disciplina em termos de datas de sementeira, compasso, profundidade, datas de sacha, desbaste e de pulverização. Aliás, a pulverização é uma variável interessante porque é preciso escolher o produto, misturar correctamente com a água, escolher o melhor aparelho e até a velocidade de quem esta trabalhar influencia na qualidade de pulverização.

Ainda tem a enxada de cabo curto a complicar as contas…

Neste momento estamos a trabalhar naquilo que chamamos de tecnologia de intermédio para evitar que os camponeses semeiem de coluna curvada. Temos um instrumento de tipo “matraca” que se pode usar para semear sem se inclinar. Estamos a olhar para a tecnologia tipo tracção animal e aproveitar o movimento dos parques de máquinas que o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar está a montar para aumentar os níveis de processamento. Tudo isto visa chegar a uma fase em que processamos a fibra ao nível nacional.

Extensão rural irá

até aos países vizinhos

Dada a sensibilidade desta cultura é importante que se tenha um serviço de extensão rural à altura. O que está a ser feito nesse domínio?

Estamos a contratar técnicos para assegurar que cada um nos trinta distritos prioritários tenha um técnico ramal do algodão, neste momento treinamos, contratamos e estamos a manda-los para pequenas áreas de especialização.

Onde?

Temos, por exemplo, uma equipa técnica no Brasil numa formação sobre produção de alto rendimento. Mandamos outros técnicos para outros países no quadro das parcerias que temos no domínio da assistência técnica.

O governo tem apostado em Centros de Transferência Tecnológica para outras culturas. E o algodão?

Ia mencionar isso. Estamos a desenvolver um Centro Regional de Transferência de Tecnologia de Algodão que deverá ser instalado, a partir do primeiro trimestre de 2016, no distrito de Gurué na Zambézia, que deverá assistir às províncias da região centro e sul, porque temos um centro em Namialo, província de Nampula, para cuidar do norte. É um investimento do Estado em parceria com o governo do Brasil.

Quanto custa um centro destes?

Algo em torno de dois milhões de dólares, mas tem outras despesas que não estão quantificadas. O que importa é saber que este centro deverá também beneficiar países como a Zâmbia, Zimbabwe e o Malawi. Numa primeira fase iremos trabalhar com o Malawi, porque está enquadrado numa iniciativa que visa o aumento da produtividade do algodão nas bacias de Chire e Zambeze.

Classificação electrónica do algodão

Um dos momentos críticos para quem lida com culturas de rendimento é o da avaliação da produção. Que avanços há nesta matéria?

Sem dúvida. Estamos a concluir um investimento que foi feito nos últimos quatro anos para a aquisição de equipamento electrónico capaz de avaliar a fibra. Até agora usamos métodos manuais. A partir desta campanha estaremos em condições de fazer a classificação automática para colocarmos a produção directamente junto dos utilizadores finais e não estarmos dependentes de intermediários só porque não podíamos classificar de forma segura e fiável.

É óbvio que lhe vou perguntar que máquinas são essas e quanto custam?

O conjunto de equipamento custou-nos cerca de 600 mil dólares. São três máquinas. Uma máquina está posicionada em Nampula, outra na Beira e a terceira em Montepuez, em Cabo Delgado. Estas máquinas são sensíveis à temperatura e à humidade. Elas funcionam entre 20 e 22 graus centígrados e em espaços onde a humidade relativa do ar é de 62 a 66 por cento.

Num país como nosso onde de manhã temos 14 graus e a tarde podemos ir até aos 40…

O grande desafio era encontrar tecnologia de controlo de clima que fosse estável para este nosso tempo. Felizmente estamos a concluir essa parte. Levamos muito tempo a trabalhar no equipamento do controlo da temperatura e humidade, e agora estamos a afinar o equipamento em Nampula. Temos uma equipa a montar a máquina de Montepuez. A máquina da Beira foi montada com êxito.

Suavizar a variação de preços

A fixação de preços é uma “batata quente” anual. Existe algum caminho menos penoso?

O preço é uma variável muito importante, porque ao longo dos anos temos uma variação de preços dentro da campanha e uma variação quase diária no mercado internacional o que faz com que a fixação que fazemos exponha as empresas e os camponeses em função dessa flutuação.

Que saídas se podem “inventar” num quadro como este?

Estamos a desenvolver um mecanismo de suavização de variações de preços que, apesar de não resolver, poderá minimizar a variação dentro da época e entre as épocas. No próximo mês de outubro teremos uma reunião para encerrar o assunto.

De onde colhemos essa experiência?

Alguns países, incluindo africanos, já adoptaram esta técnica. Moçambique será o quarto. Nós achamos que para o nosso país o modelo de Fundo de Estabilização não pode ser adequado. Estamos a pensar em algo que suavize as variações, ou melhor, que seja capaz de “podar” os excessos num ano e enxertar nos anos em que o preço baixa. São desafios são enormes, infinitos, mas é isso que nós podemos dizer.

Novo conceito têxtil nacional

Que ideias há para a indústria têxtil? Tem enormes parques destruídos e abandonados. O que se pode aproveitar?

Estamos a olhar para duas saídas, tendo em conta que as antigas fábricas foram concebidas num contexto diferente. A ideia agora não é fazer roupa, mas, sim, produzir tecidos sem marca que são as toalhas, lençóis, cortinados, e tecidos para uniformes e tecidos técnicos usados para estofar, mobilar, entre outros. Essa é a nova perspetiva.

Percebo, mas a pergunta era sobre as infraestruturas…

O que pensamos que deve ser feito é aproveitar as infraestruturas para fazer parques têxteis, ou seja, criar conglomerados onde teremos um a fazer cortinas, toalhas, lençóis, outros a fazer tecidos técnicos e uniformes. Todos estariam concentrados no mesmo parque, junto da empresa que estaria a fazer a fiação. É esta a nova perspetiva.

Mas o que vemos até aqui são empresas que actuam isoladamente e importam tecidos…

É verdade que isso ainda acontece. Por exemplo, a Texlon esta a trabalhar neste momento do ponto de vista de vestuário. Naquelas instalações funciona a Moztex que esta a produzir para exportar. Traz tecido de fora, faz a confecção e exporta. Isso é o bom para o país, mas não é o ideal.

O que seria o ideal?

O ideal seria ligar a nossa produção do campo com a fiação e tecelagem para fazer produtos de qualidade, sem estarmos preocupados necessariamente com a marca.

Falamos da Texlom. E as outras?

A Texmoc, em Nampula, importa pano-cru da Tanzânia, faz acabamentos e produz capulanas. Este é um segmento do sector têxtil mas que não resolve. A textÁfrica de Chimoio está parada e não tenho conhecimento de uma intervenção específica. A Têxtil de Mocuba não chegou a funcionar por razões de segurança. O equipamento envelheceu do ponto de vista tecnológico e foi vandalizado. Estamos a pensar em transferir o conceito para Nhamatanda, Sofala.

Jorge Rungo
jrungo@gmail.com

 

 

 

 

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