
Um grupo de cidadãos nacionais e estrangeiros, supostamente ligados aos colonos do então Clube Desportivo Indo – Português, tem estado a tentar destruir o Clube Desportivo Estrela Vermelha de Maputo para no seu lugar se criar uma espécie de sociedade anónima com o nome de Estrela Jogos e Pingos, para se apoderar do vasto património alaranjado, revela ao domingo o seu presidente de direcção, Luís Manhique.
Luís Manhique faz esta revelação em resposta a uma nossa pergunta sobre o estagio jurídico do património do Estrela Vermelha, já que vezes sem conta ouve-se dizer que é do Estado.
“Se houvesse dúvidas sobre a titularidade ou, se quisermos, a propriedade das instalações do Estrela Vermelha, não teria havido qualquer deliberação na perspectiva do redimensionamento que foi feito, porque não se pode empreender acção e actividade de coisa alheia”, esclarece Luís Manhique.
Na mesma senda de esclarecimento sobre a titularidade do património alaranjado, Manhique afirma “não pode haver dúvidas que é pertença integral do clube e seus sócios. O que houve e que pode estar na origem de alguma especulação em redor desta questão foi o facto de ter havido, por lapso, a nacionalização daquelas instalações à luz da lei nacional, no momento em que se extinguiu ou deixou de existir o Clube Desportivo Indo-Português, depois da constituição do Centro Popular de Cultura e Desporto que o veio substituir. Posteriormente nasceu o Clube Desportivo Estrela Vermelha de Maputo, resultante da fusão dos clubes Malhangalene e o Centro Popular de Cultura e Desporto e não como erradamente consta nos Estatutos do Estrela Vermelha publicados no Boletim da República, em 1997.
Prosseguir afirmando que “é isto, e muito mais, em redor do património, que estamos a corrigir, ao mesmo tempo a introduzir mecanismos de protecção, na medida em que começam a surgir apetites ligados aos colonos do Indo-Português, que sistematicamente perturbam o nosso ambiente, eventualmente na perspectiva de recuperar um projecto que já foi destronado”.
Essa intenção de recuperar o que foi do Indo-Português, conforme Luís Manhique, se traduziria “na destruição do Estrela Vermelha e na constituição de um novo clube, em forma de sociedade anónima denominada Estrela Jogos e Pingos, que por sua vez tomaria o património pertença do actual clube. Compreende a razão da desinformação que por vezes nos abala?”
SEMPRE LUTAMOS PARA REGRESSAR AO MOÇAMBOLA
A declaração do treinador do Estrela Vermelha, Chaquir Bemat, de que “não tínhamos obrigação de ir para o Moçambola”, deixou algumas pessoas ligadas ao clube um tanto quanto inquietas.
Nesta conversa com o presidente Luís Manhique, este não entra em confrontação de palavras com o técnico, mas procura clarificar algo que não tenha sido bem compreendido.
“ O Estrela Vermelha tem estado a lutar objectivamente para o Moçambola. Em nenhum momento abdicaremos deste objectivo. E para nós lutar objectivamente significa construir uma equipa capaz de ascender e permanecer no Moçambola, ter um campo com balneário e logística ao nível desse desafio. Mas se atingíssemos esse objectivo neste ano, sem termos esse balneário e essa logística, não deixaria de ser um desafio que teríamos de assumir”.
Diz Manhique que há dois anos vem sendo formada a equipa do futuro do Estrela Vermelha e que tem como principal tarefa “criar identidade de forma de o Estrela Vermelha estar e ser”.
E diz mais, “ninguém tem duvidas que este ano vendemos essa imagem. Vamos continuar a fortificar essa equipa, reforçando-a ainda mais para que consigamos o nosso objectivo na próxima época. Já estamos a fazer contratações para isso, indo buscar jogadores do Moçambola. Vamos trazer mais Genitos. Oficialmente as nossas “oficinas” abrem a 5 de Janeiro.
Para melhor acolhimento das dez equipas das camadas de formação, o campo de futebol anexo ao pavilhão vai ser relvado”.
Ao gabinete técnico do clube foi alocado uma viatura nova. E foram destacados dois treinadores para pesquisa permanentes de talento, sobretudo no Bebec e nos torneios dos bairros.



