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Atenções para centro e norte

Por admin
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Asatenções da “poule” de apuramento ao “Moçambola” 2014 estão focadas hoje para as zonas centro e norte do país, com a realização de seis jogos em diferentes cidades e vilas.

Arrancou ontem a corrida final para o “Moçambola” 2014, com a participação de 22 clubes nas três zonas (sul, centro e norte), dos quais, apenas os três vencedores ganham direito a participar no campeonato nacional.

Para a zona norte, todos desafios estão programados para hoje, em Monapo, Lichinga e Cuamba. Com efeito, mo campo Municipal de Monapo, está agendado o confronto entre os dois representantes da província de Nampula, Benfica de Monapo e Ferroviário de Nacala.

No campeonato provincial, os “locomotivas” foram mais fortes e são sérios candidatos a vencer esta “poule”.

Na província do Niassa, o Estádio 1º de Maio, em Lichinga, será palco do desafio entre a Universidade Pedagógica e Ferroviário de Pemba, enquanto no Campo Municipal de Cuamba, a Associação Desportiva de Cuamba enfrentará Clube Desportivo de Mueda.

Já na região centro do país, na capital provincial da Zambézia, Ferroviário de Quelimane cruza-se com Águias de Angónia, enquanto na Beira, no campo do Ferroviário da Manga, Futebol Clube da Beira bater-se-á com Chimoio Futebol Clube.

Completa a jornada o desafio agendado para a província de Manica envolvendo as formações do Textáfrica de Chiomoio e Futebol Clube de Angónia, esta última representante de Tete.

Festa do futebol escala diferentes pontos do país na tarde de hoje

Palmeiras pode trazer

“Moçambola” à Zambézia

– Vaticina o treinador Zulo

Rogério Henriques Balate (Zulo) é o homem mais feliz do desporto zambeziano. Levou, pela segunda vez, o recém-criado Palmeiras de Quelimane à conquista do título de campeão provincial de futebol da Zambézia, remetendo o veterano Ferroviário ao segundo lugar. E admite qualificar-se ao “Moçambola” 2014.

“Como treinador já cumpri uma etapa da caminhada ao Moçambola. Potenciei a equipa para ganhar jogos, o resto é com a direcção. Há quatro anos que existe o Palmeiras de Quelimane. Eu estou aqui há três anos. No primeiro ano fiquei em segundo lugar, ganhei Taça de Moçambique ao nível provincial e cheguei às meias-finais da fase nacional, tendo sido derrotado em Tete pelo Chingale. No segundo ano fui campeão nacional e na poule consegui o segundo lugar. Este ano sou de novo campeão provincial e pretendo trazer de volta o Moçambola à Zambézia”,.

A entrevista ao domingo teve o final do jogo entre Califórnia e Sporting de Quelimane, no campo dos “locomotivas” da capital zambeziana, cujo resultado de 0-0 ditou o apuramento do Ferroviário de Quelimane à fase regional de apuramento para o Moçambola.

O Sporting precisava de ganhar, o que não conseguiu naquele dia em que a nossa reportagem pode assistir a um futebol selvagem em que os jogadores mais se preocupavam em bater no árbitro e seus auxiliares que em jogar a bola.

Talvez seja importante antes de prosseguirmos com a conversa esclarecer que este Palmeiras não tem nada a ver com o Palmeiras de Quelimane que fora Sporting e continua Sporting. Este é um novo clube, dos que sempre foram pela designação Palmeiras de Quelimane.  

O campeão da Zambézia também não respira boa saúde, o que leva Zulo a afirmar que “se calhar o lugar que ocupa no futebol contraste com a realidade vivida pela equipa, desde dificuldades de ordem financeira às lesões de jogadores nucleares durante a época”.

O que mais inquieta Zulo no futebol zambeziano são as frequentes acções de pugilato nos campos, o que resulta da falta de boa organização.

– O grande problema do futebol da Zambézia está na própria organização, com cenas vergonhosas que não contribuem para o desenvolvimento da modalidade. São os árbitros que decidem resultados de jogos; são equipas que facilitam suas próprias derrotas. Em suma, a estrutura mental do jogador está muito abaixo do desejado,queixa-se.

No entender do treinador, existem jogadores que vão ao campo a saber que vão perder para beneficiar uma e outra equipa. “O ano passado o campeonato foi decidido em finalíssima arranjada.”

No seu entender, o Palmeiras de Quelimane é o clube mais prejudicado no sistema de corrupção que envolve o futebol zambeziano.

“ A nossa equipa é que tem sido muito prejudicada. O ano passado foi impedida de utilizar jogadores estrangeiros que se encontravam na mesma situação dos estrangeiros do Ferroviário e do Sporting. Há pessoas que ditam regras neste futebol, em detrimento da própria associação que devia fazer mais e melhor aquilo que é da sua competência”, reclama.

O treinador diz mesmo que há muitas interrogações sobre o funcionamento da associação provincial de futebol da Zambézia.

Quando questionado se o Palmeiras não sabia corromper como os outros clubes, Zulo diz que é difícil dizer sim ou não “ mas posso afirmar categoricamente que ganhei jogos justamente. Preparo os meus jogadores para enfrentar outras adversidades, para além das que esperam no campo.”

O JOGADOR DEVIA GANHAR MAIS 

Zulo reconhece que o desenvolvimento de futebol numa determinada província passa por proporcionar salário condigno aos jogadores.

“Devia-se pagar mais do que se paga ao jogador da Zambézia. Se o tecto salarial é o que se paga no Ferroviário, no Sporting e no Palmeiras, imagine-se quanto recebe o jogador doutros clubes. Com este tipo de remuneração ao jogador, o futebol zambeziano continuará vulnerável à corrupção”, alerta o treinador palmerista.

Depois de confessar que é produto do Estrela Vermelha de Maputo, Zulo diz sentir que “ há pessoas que não se interessam em tirar o futebol da Zambézia do marasmo em que está mergulhado.”

A terminar, defende que “se não for o Palmeiras a trazer o Moçambola para Zambézia, que seja o Ferroviário, a segunda equipa com direito a participar na poule.”

Zulo, que foi formado futebolista no Estrela vermelha de Maputo, depois de ter deixado de jogar abraçou a carreira de treinador, tendo primeiro substituído António Sábado no Ferroviário de Quelimane, em plena Liga 2M, designação do campeonato nacional, em 2002.

Em 2008 treinou a equipa do Desportivo de Bárue, na província de Manica. Regressou para o Ferroviário de Quelimane em 2009, donde saiu para o Sporting da mesma cidade no ano seguinte, 2010. É treinador do Palmeiras de Quelimane desde 2011.

Legenda Foto: Festa

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