Há uma verdade que se pode tirar do discurso de Artur Semedo, proferido no final do jogo em que a sua equipa voltou a perder diante do já campeão nacional de 2016, Ferroviário da Beira. De verdade, no "Moçambola" tem havido resultados forjados. Quem o faz e como o faz é o que se deve investigar. Não é coisa de hoje, vem desde antes da criação de clubes como a Liga Muçulmana de Maputo, que passou a se chamar Liga Desportiva de Maputo.
Artur Semedo não disse nada de novo, senão
incluir Rafik Sidat na sua lista de forjadores de resultados
do "Moçambola", pois, por muitas vezes,
o considerou qualquer coisa como dirigente digno,
que levou a Liga Desportiva ao nível dos melhores
clubes que se possa ter. Com Shafee nunca tiveram
relações amenas.
Semedo já vinha dizendo o que disse no domingo
13 de Outubro, com a diferença de desta
vez ter apontado os irmãos Rafik e Shafee de o
perseguirem, de forjarem resultados, sobretudo
contra a sua pessoa de treinador, e que ele era
muito pequeno para confrontar homens tão fortes
como o são.
Semedo não enlouqueceu. Ainda goza de boa
saúde mental, pelo menos a olho nu. Pode ter dito
o que disse com conhecimento. Trabalhou com os
irmãos Sidat, na então Liga Muçulmana de Maputo.
E só ele pode hoje dizer, por exemplo, se o
título de campeão nacional que ganharam juntos
em 2010 foi por mérito do treinador e a equipa de
jogadores ou porque foi uma forja dos dois irmãos
Sidat.
Talvez Semedo viesse de novo a público, desta
vez para pedir desculpas ao Ferroviário da Beira,
que aos olhos de todos os moçambicanos é justo
campeão nacional de 2016. Ele tem de reconhecer
essa verdade.
Não se deve aconselhar Semedo a pedir desculpas
aos dois irmãos Sidat, porque só ele sabe
porque os acusou de forjadores de resultados. Ele
sabe o que vai dizer se for levado ao tribunal para
escapar à penalização pela alegada calúnia e difamação,
se é que tem provas convincentes.
Nem deve ser condenado à toa por ter apontado
o dedo aos dois irmãos Sidat, porque muitos
de nós nunca tivemos a oportunidade de conhecer
o que Semedo, na qualidade de treinador ambulante,
conhece dos nossos dirigentes de clubes e
respectivos simpatizantes e adeptos.
Desta vez Semedo acusou os dois irmãos Sidat
de perturbarem o seu trabalho, das outras vezes
foram os outros, mesmo sem apontar nomes.
Aliás, os insucessos de Semedo sempre tiveram
terceiros como culpados. Só ele sabe porquê.
Se as palavras de Semedo servirem de lançamento
para uma verdadeira investigação sobre
a corrupção no nosso futebol (no contexto geral
do nosso desporto), na teia será apanhada muita
gente metida na compra e venda de resultados.
Há indivíduos que se fazem passar por impecáveis
quando na verdade são outros dos principais pecadores
do nosso desporto, incluindo treinadores.
É como aqueles que dizem que não recorrem a vovôs
(curandeiros) para ganharem jogos, quando,
na verdade, fazem-no frequentemente.
Manuel Meque



