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Honras militares no “adeus, Zé Manuel”

Por admin
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Os restos mortais do antigo jogador de futebol José Manuel Sete, falecido a 5 de Novembro, dia que completou 54 anos de idade, vítima de doença, repousam desde o dia 8 de Novembro no Cemitério de Michafutene, em Maputo.

Porque para além de ser
jogador era soldado,
as cerimónias fúnebres
de Zé Manuel tiveram
lugar na Base Aérea
de Maputo e depois no campo
de futebol deste ramo das Forças
Armadas de Moçambique,
e foram presenciadas por familiares,
dirigentes do Matchedje
e da Associação de Futebol da
Cidade de Maputo (AFCM), de
amigos e ex-colegas.
Foram lidas mensagens de
condolências nas quais se enalteceram
as qualidades futebolísticas
do finado, assim como
a sua maneira humilde de estar
no desporto, mesmo depois de
ter deixado de jogar.
De Sofala, onde nasceu e
cuja selecção representou, veio
a mensagem do presidente do
município da Beira, Daviz Simango,
na qual se leu que “tratava
a bola por tu”, devido às
suas qualidades inatas de futebolista.

Filipe Budula leu a mensagem
conjunta da AFCM, de que
é presidente, e Federação Moçambicana
de Futebol (FMF),
onde vinha sublinhado que “anossa dor é grande. Morreu o
homem, ficou o seu legado de
jogador e treinador.”
Os seus familiares fizeram
saber em mensagem que nasceu
no distrito de Chemba, na
província de Sofala. Era social,
dedicado e humilde. Em 1976
terminou o futebol recreativo,
no qual representou a Juventus
da Beira. Em 1977 ingressou no
Têxtil do Púnguè, ainda júnior.
Futebol foi sempre a sua paixão,
com o objectivo de alegrar
as pessoas, pelas quais sempre
procurou fazer o bem.
Os seus filhos classificaram-
-no de “lutador e batalhador
para o bem da família e para
concretização dos seus sonhos,
até onde as suas forças
lhe permitiram.”
Confessaram os filhos que
“a sua determinação e coragem
são exemplo de vida para
nós.”
Foram seis mensagens lidas
no local onde ele, Zé Manuel,
recebeu treinos como jogador e
deu treinos às camadas jovens,
designadamente da Associação
Provincial de Futebol de Sofala,
do Clube Desportivo Matchedje,
da Escola Internacional de
Maputo (onde era colaborador),
dos Amigos e Naturais de
Chemba, do presidente do município
da Beira, da AFCM/FMF,
da família e dos filhos.

O cortejo fúnebre seguiu
para o Cemitério de Michafutene.
A urna, rodeada por militares,
chegou à cova coberta das
bandeiras do Matchedje e nacional,
esta em cima da primeira.
No momento do adeus final houve
três salvas de tiros de armas,
intercaladas de cânticos religiosos
em português e sena.
Desse modo, os desportistas
presentes no Michafutene
despediram-se de Zé Manuel,
um dos melhores intérpretes
do futebol nacional, campeão
nacional pelo Têxtil do Púnguè,
em 1981, e pelo Matchedje de
Maputo nos anos 1987 e 1990.
O capitão da famosa Selecção
Nacional de Juniores, de que faziam
parte Pelembe, Jerry, Nico
e companhia.
Nicolau de Sousa (Nico, também
conhecido por “Danger-
-man”) recorda-o como tendo
sido “grande homem, camarada
e tudo mais. Foi ele que
me puxou para o Têxtil do
Púnguè, em 1981, quando
já tinha assinado pelo Textáfrica
de Chimoio. Os dois
clubes, que pertenciam ao
ramo da Indústria e Comércio,
entenderam-se e a minha
transferência não causou
problemas. Nesse ano fomos
campeões nacionais. Perdi
um grande amigo.”
Nico descreve o jogador Zé
Manuel de “médio nato com
técnica apuradíssima. Era difícil
tirar-lhe a bola dos pés.”
Aliás, Zé foi dos mestres do
estilo de jogo a que se popularizou
de “galinha come no chão”,
uma forma de jogar que consistia
em fintas, algo que o Têxtil
do Púnguè soube explorar para
que em 1981 superasse os sempre
grandes clubes de Maputo,
maioritariamente sediados na
capital do país, Maputo.
Lucas Sinóia, ex-pugilista do
Matchedje, que acompanhou as
cerimónias fúnebres do camarada
Zé Manuel do princípio ao
fim, confidenciou ao domingo
que “no dia em que fomos
levados, eu e ele, a uma residência
onde passaríamos a
morar, o presidente do Matchedje,
Cara Alegre, desafiou-
nos dizendo que quem se casasse primeiro ficaria
com a casa e o outro teria
de abandoná-la. Em poucos
dias Zé Manuel apareceu com
uma mulher e disse que já se
tinha casado e tive de sair da
casa. Era o que já previa por
ser mais novo. Sempre o tive
como um bom companheiro
do desporto, que soube lutar
pela sua dignidade até a sua
morte.”

Manuel Meque
manuel.meque@snoticicas.co.mz

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