– Benni McCarthy, antigo jogador do FC Porto e dos “Bafana-Bafana”, em exclusivo ao domingo
Benni McCarthy está na memória de muitos africanos como um dos jogadores de futebol que bem representou África na Europa, onde foi vencedor da Liga dos Campeões, a jogar pelo Futebol Clube do Porto, em 2004, e melhor marcador do campeonato de Portugal.
Terminada a carreira de
futebolista não hesitou
em regressar a casa,
África do Sul, mantendo-
se sempre ligado ao
futebol, como comentador da
Super Sport, enquanto se forma
treinador.
Segue-se a entrevista que
concedeu ao nosso colaborador
Jonas Nhaca, em Joanesburgo.
McCarthy recebeu um convite
da Academia Brilho de Sol Íris
para visitar Moçambique no
princípio de Dezembro próximo.
Benni McCarthy, o que
passou a fazer depois de arrumar
as chuteiras?
Agora estou a fazer o curso
de treinador de futebol. Frequento
o curso da UEFA “A”,
cujas provas serão em Março
de 2017. Quando tiver o diploma
nas mãos já poderei treinar
qualquer equipa do mundo. A coisa que gostaria de fazer é ser
treinador. Eu vivo o futebol e do
futebol. Não me vejo a fazer outra
coisa senão futebol.
E quando aparece como
comentador-residente da Super
Sport?
Não foi há muito tempo.
Quando jogava não me restava
tempo para fazer comentários
de jogos. Agora que não jogo já
tenho tempo de ver jogos, analisar
a actuação dos jogadores,
dos árbitros e do público em
geral. Ser comentador de jogos
vai-me ajudar a ser bom treinador
de futebol. O ser comentador
televisivo será uma mais-
-valia para a minha profissão de
treinador. Saberei ver melhor o coisa que gostaria de fazer é ser
treinador. Eu vivo o futebol e do
futebol. Não me vejo a fazer outra
coisa senão futebol.
E quando aparece como
comentador-residente da Super
Sport?
Não foi há muito tempo.
Quando jogava não me restava
tempo para fazer comentários
de jogos. Agora que não jogo já
tenho tempo de ver jogos, analisar
a actuação dos jogadores,
dos árbitros e do público em
geral. Ser comentador de jogos
vai-me ajudar a ser bom treinador
de futebol. O ser comentador
televisivo será uma mais-
-valia para a minha profissão de
treinador. Saberei ver melhor o jogo e os seus intervenientes.
Que experiência terá ganho
da realização do mundial
de futebol na África do Sul,
seu país, em 2010.
Até então era uma coisa
doutro mundo. Ninguém sonhava
que um dia o mundial seria
realizado em África. O meu país
teve o luxo de ser o primeiro
país africano a acolher a maior
prova futebolística do mundo.
Foi um orgulho para toda
a África. É pena que não tenha
chegado longe na competição.
Normalmente quem organiza
um “mundial” espera chegar
longe. A África do Sul não foi capaz
disso, mas ganhou grande
experiência.
Partiu da segunda divisão
sul-africana, foi para a
Holanda, Portugal, Espanha
e Inglaterra. Fale-nos da experiência
que ganhou nessas
andanças?
Foi difícil. Nunca tinha saído
da África do Sol. Tinha 17
anos quando rumei para a Europa
para jogar futebol. Foi uma
oportunidade única. Nenhum
africano diz não a uma oportunidade
dessas. É uma possibilidade
para alguém mudar a sua
vida e da sua família. Para mim
foi pegar naquela oportunidade
com as duas mãos e fazer o possível.
Ser jogador africano muito
conhecido no mundo era o
meu sonho, que se transformou
numa coisa especial.
A jogar pelo FC Porto,
em 2004, ganhou a Liga dos
Campeões da Europa e foi o melhor marcador de Portugal.
Terá sido isso o que mais
lhe marcou na passagem pelo
futebol europeu?
Sempre é sonho de um menino
africano jogar na Espanha,
em Portugal, Inglaterra… Tive
também a oportunidade de ser
treinado por José Mourinho. Ser
africano e ganhar a Liga naquela
altura, ao mesmo tempo que era
o melhor marcador do campeonato
português, foi coisa muito
especial, um orgulho. Não sei
se há muitos africanos que podem
dizer que saíram de África
e foram ter sucesso na Europa
como eu.
O que lhe marcou negativamente
na Europa?
É o facto de ser africano,
porque no mundo dos brancos
nós, africanos, temos de trabalhar
mais que os europeus. Só
que para nós, africanos, trabalhar
duro é o nosso quotidiano, é
a nossa forma de viver. Engana-
-se o treinador que pensa que
o que é fácil para o europeu é
difícil para o africano. Eu, porque
queria triunfar, impus o meu
africanismo na Europa. Não
queria decepcionar. Nada me
custou. Nós temos de trabalhar
mais que os outros para termos
sucesso fora de portas.
Como tem estado a acompanhar
o futebol africano,
sobretudo na África do Sul,
em Angola, Moçambique… O
continente poderá voltar a ter
bons jogadores capazes de
ombrear com os dos outros
continentes na Europa, como
foi o seu caso?
Nós, africanos, nascemos
com o dom de jogar futebol. Não
temos de aprendê-lo na escola
como os europeus. Com disciplina
e paixão podemos conquistar
o que quisermos no futebol.
Comunga da ideia de que
o futebol africano tem défice
na formação?
Não tenho nenhuma ideia.
Acha que temos talento
que pode explodir daqui a
quatro ou cinco anos?
Temos talento. Talvez o que
nos falta é disciplina, infra-estruturas
e dinheiro.
O que você ficou por conquistar
como jogador de futebol?
Ganhar o campeonato do
mundo. Teria terminado a carreira
muito mais feliz se tivesse
ganho o campeonato do mundo,
talvez daquela vez que o meu
país o organizou. Esse sonho
jamais o realizarei.
Talvez como treinador!
Talvez!
Gostaria de conhecer
Moçambique hoje mesmo
A Academia Brilho de Sol Íris convidou
o antigo jogar sul-africano que mais
brilhou na Europa, Benni McCarthy, para
vir a Moçambique conviver naquela “fabriqueta”
de futebolistas com crianças vulneráveis
e órfãs que sonham em um dia
serem como ele foi nos campos de futebol
espalhados pelo mundo.
Em princípio, Benni McCarthy deve
chegar a Maputo a 8 de Dezembro de
2016, no mesmo dia visitará vários cantos
da capital moçambicana. Dia 9, das 9.00
às 11.00 horas, estará na Academia Brilho
de Sol Íris, na Zona do Zimpeto, em Maputo.
À tarde vai-se encontrar com o ministro
da Juventude e Desportos, Alberto
Nkutumula. Ainda no mesmo dia, tem encontro
marcado com o presidente da Federação
Moçambicana de Futebol (FMF),
Alberto Simango Jr., seguindo-se uma palestra
que será por ele proferida na sala
Mário Wilson da sede da FMF, das 17.30 às
18.00 horas. Dia 10 regressa ao seu país.
Está convidado a ir para Moçambique
conviver com crianças vulneráveis
e órfãs que estão aprendendo coisas de
futebol na Academia Brilho de Sol Íris.
Tem alguma expectativa do que vai encontrar
no nosso país?
Para conhecer meus irmãos e minha
família. Em África somos todos irmãos,
somos uma família. Tenho na mente de
que Moçambique é muito bonito e eu estou
com muita vontade de ir conhecer
esse país maravilhoso e sua gente. Vou
lá passar a minha experiência de futebol
e da vida que vive na Espanha, Portugal,
Holanda e Inglaterra e trocar ideais com
pessoas do desporto. Espero que a minha
história possa servir de exemplo para os
mais novos.
Que projectos tem para o futebol?
O meu projecto é ser professor daqueles
que querem ser como Benni McCarthy,
Drogba, Dominguez… Quero ser treinador
para ajudar os mais novos a realizarem os
seus sonhos.
Jonas Nhaca *
*Colaborador



