Início » VISITA DE ESTADO DE PAUL KAGAME: Grande foco na cooperação económica

VISITA DE ESTADO DE PAUL KAGAME: Grande foco na cooperação económica

Por admin
90 visitas
A+A-
Reset

Moçambique e Ruanda buscam alicerces para uma cooperação económica com maior amplitude, melhor sustentada e mais estruturada. Maputo e Kigali rubricaram na capital moçambicana um acordo de consultas políticas e constituíram “taskforce” que cimentará maior intercâmbio nos sectores de agricultura, turismo e energia.

Kigali e Maputo rubricaram
um acordo de
consultas políticas
pelos ministros Oldemiro
Baloi e Louise
Mushikiwabu após conversações
formais entre o Governo
moçambicano e o ruandês, realizadas
na passada segunda-
-feira.
De acordo com o Presidente
da República, Filipe Nyusi, a
primeira sessão da Comissão
Mista constituída terá lugar
durante o primeiro trimestre
do próximo ano conforme
acordo dos dois governos.
O estadista moçambicano
disse que a visita do estadista
ruandês a Moçambique ocorre
num momento de grandes
desafios que se colocam devido
à conjuntura internacional
caracterizada pela crise económica.
Frisou, contudo, que há
que conjugar esforços entre
os dois países em torno de
uma cooperação que visa a transformação da crise em
oportunidade de desenvolvimento.
Moçambique e Ruanda
vêm mantendo relações de
amizade e cooperação que
datam da assinatura, pelos
dois governos, do Acordo Geral
de Cooperação, em Julho
de 1990.
“No quadro do mesmo,
temos privilegiado as consultas,
troca de posições
e concertação política em
torno de matérias de interesse
comum”, sublinhou
Filipe Nyusi.
“Acrescentou que se na
cooperação política e diplomática,
os dois países têm
dado passos assinaláveis,
o mesmo não se pode dizer
em relação à cooperação
económica que, devido a
factores conjunturais, não
teve os avanços desejados”.
Ressalvou que a visita de Paul Kagame constitui uma
oportunidade ímpar para fazer
uma viragem nas relações
de amizade e cooperação entre
Moçambique e Ruanda,
com realce para as relações
económicas e comerciais.
Desta forma, a visita do
estadista ruandês foi vista
pelo Executivo moçambicano
como um momento privilegiado
para se incentivar a cooperação
e intercâmbios em
sectores como a Agricultura,
Turismo, Administração Espaís tatal e Desenvolvimento de
Capital Humano.
O Presidente moçambicano
garantiu que orientou
os titulares destes sectores
a identificarem programas e
projectos concretos, cabendo
aos Governos moçambicano
e ruandês a criação de condições
e do ambiente favoráveis
para uma cooperação frutuosa.
“Os acordos que assinámos
no decurso desta visita
são uma indicação clara
da nossa determinação de
fazer das nossas excelentes
relações de amizade
um trampolim para uma
cooperação económica mutuamente
benéfica”, frisou
Filipe Nyusi.
PRINCIPAIS
PRIORIDADES
O Executivo moçambicano
deu garantias de empenho na
reestruturação de empresas
públicas para torná-las mais
produtivas.
Igualmente exibiu sinais
de compromisso arrojado na
promoção de investimento
nacional e estrangeiro, com
vista a transformar e acrescentar
valor aos recursos
naturais, como forma de
criar mais empregos e obter
mais rendimentos.
Para o efeito, elegeu quatro
áreas nas quais concentra
os esforços de desenvolvimento,
nomeadamente, a
Agricultura, Infra-estruturas,
Energia e Turismo, para
tirar maior proveito das vantagens
comparativas e competitivas
de Moçambique.
O Chefe de Estado moçambicano
informou a Paul
Kagame que Moçambique tem
vindo a trabalhar para a normalização
das suas relações
e devolução de confiança aos
seus parceiros de cooperação,
com realce para o FMI e o
Banco Mundial, e nos últimos
meses tem conhecido uma
evolução positiva.

A questão
de refugiados ruandeses

O Chefe de Estado moçambicano
garantiu ao seu homólogo ruandês que
Moçambique não permitirá que o seu
território seja usado para desestabilizar
outros países.
Nyusi deu esta garantia nas conversações
formais havidas segunda-feira
entre as delegações de Maputo e Kigali
que passaram em revista a cooperação
entre Moçambique e Ruanda.
Numa conferência de Imprensa conjunta
com a sua homóloga ruandesa,
Loiuise Mushikiwabu, Oldemiro Baloi,
chefe da diplomacia moçambicana, revelou
que vivem em território moçambicano
três mil ruandeses, alguns na condição
de refugiados ou de requerentes
de asilo.
O Governo de Kigali acredita que
uma pequena parte deste grupo tenha
promovido o genocídio de 1994 que
vitimou 800 mil pessoas no seu território.
Oldemiro Baloi não descartou a possibilidade
de se avaliar a situação de
alguns destes refugiados no sentido de,
justificando-se, avançar-se para acordos
de extradição.
Acredita-se que uma das principais
razões da vinda de Paul Kagame a Maputo
assenta na busca de um acordo de
extradição.
Pronunciando-se sobre esta matéria,
o Presidente da República, Filipe
Jacinto Nyusi, disse que o Executivo
moçambicano irá encorajar os cidadãos
ruandeses a regressarem voluntariamente
à sua pátria, respeitando o direito
internacional.

Do genocídio ao
desenvolvimento sustentável

O Ruanda passou por situações muito
adversas, destacando-se o conflito
que levou a um dos genocídios mais
repugnantes e ignóbeis da história contemporânea
da humanidade.
Oitocentas mil pessoas foram massacradas
durante um conflito que opôs
as etnias hutu e tutsi, em 1994.
Durante os últimos vinte anos, o país
tem alcançado elevado nível de desenvolvimento
económico, de forma sustentada
e ininterrupta, destacando-se
como exemplo a seguir.
Apresenta-se como um país dinâmico,
centro de resultados de desenvolvimento
económico, com índices de
crescimento económico sem igual na
sub-região.
Este crescimento tem contribuído
para uma melhoria significativa do índice
de desenvolvimento humano, graças
às políticas bem-sucedidas de valorização
e estímulo ao desenvolvimento do
capital humano.
O Presidente ruandês, Paul Kagame,
disse que o grande impulso de desenvolvimento
do Ruanda reside na força
do mercado livre e no empreendedorismo.
Ressalvou que, após o genocídio de
1994 no Ruanda, havia a percepção de
risco e não havia lucros imediatos nas
empresas.
“Fruto das nossas políticas de inclusão
económica, agora as empresas
têm sido lucrativas”, apontou.
Disse que o seu Executivo mobilizou
todos os ruandeses para a edificação
de uma nova sociedade, diferente
daquela que se confrontou com o genocídio.
“Tivemos de trazer de volta três
milhões de ruandeses que se tinham
exilado. Fizemos justiça e promovemos
uma verdadeira reconciliação
entre os ruandeses”, acrescentou.
Ressalvou que dois milhões de casos
foram julgados em menos de uma década,
vivendo o Ruanda como Nação mais
harmoniosa, ciente de que a unidade é
sempre um desafio permanente.
Salientou que o genocídio trouxe
como legado a busca de soluções através
do diálogo, o que passa por unir as
pessoas, investindo no tempo necessário
para a promoção de novas mudanças.

Texto de Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz

Artigos relacionados

Focus Mode