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Profissão: comentarista!

Por admin
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Quando assisti ao comentário televisivo a respeito da nomeação da ministra dos Recursos Minerais e Energia, Letícia Klemens, comummente de reprovação, sob uma hipotética falta de competência, tive que apelar a dois meus direitos naturais: de ficar enjoado e ao esforço de evitar, mesmo assim, outro tipo de desarranjos que me levassem a publicamente demonstrar esse meu mal-estar.

Fiquei enjoado porque os argumentos apresentados pelos comentaristas tinham como base o facto de ela “não ser da área” e “ desconhecida”. Pura e simplesmente! É isso que em dada altura levou-me a gritar em voz alta, através de um livro “Buracos Macuas”- Contributo para uma Unidade Nacional Efectiva.

O ser “da área” significaria qualquer coisa como que ela fosse para o ministério dos Recursos Minerais e Energia cavar as minas, monitorizar directamente a saída do gás e respectiva liquefacçao ou a implantação dos postes de energia elétcrica ao encontro das regiões ainda carentes, ou ainda, operar as pás escavadoras na construção das barragens hidroelétricas em perspectiva.

É como, afinal, estivéssemos errados ao pensar que se procurava quem gerisse um sector tão nevrálgico quanto os recursos minerais e energia nos tempos que correm. Pensávamos que tinha sido isso (gestão) que norteara a nomeação para o sector, de Pedro Couto, que de facto é economista e que vai fazer o mesmo na Hidroeléctrica de Cahora-Bassa.

Mesmo não a conhecendo como os outros cidadãos, enjoa-me porque faz lembrar os tempos em que uma boa biografia, para ser elegível, devia passar por Nachingwea/Kongwa, em que um bom currículo devia ser acompanhado por apelidos sonantes de certos moçambicanos.

Trouxe-me à memória ainda os tempos em que o CV duma pessoa elegível para tais cargos devia passar pelas escolas Noroeste (I ou II) a seguir Josina Machel ou Francisco Manyanga e depois Universidade Eduardo Mondlane. Ou ainda devia ter sido vista muitas vezes nos corredores das chamadas reuniões de quadros.

O resto era paisagem, ou, como diria um poeta, era resto que o resto deixou!

Na verdade, é incomodativo ver que ainda há quem comenta sobre o país que não conhece e sobre matérias que devia, obrigatoriamente, não dominar, mas sim, entender! O primário, em opinião sincera, é que este país é grande e nós somos muitos. Há moçambicanos em todos os cantos do mundo, com os mesmos direitos que nós aqui. Os caminhos a trilhar já não são os mesmos, porque o desenvolvimento que outros não querem assumir, já não são tao sinuosos quanto eram, trouxeram estradas adventícias que não nos obrigam necessariamente a passar pelos carreiros acima enumerados para se ser um moçambicano elegível.

Precisamos de avaliar e autoavaliarmo-nos em função do trabalho que fazemos no nosso dia-a-dia, nunca em função da nossa clara e intencional subjectividade. Para isso precisamos de deixar que as pessoas trabalhem e avaliemos o seu trabalho.

Porém, para que isso seja assim, há um perigo a ultrapassar: os comentaristas devem ser pessoas com créditos fora de suspeitas. Não têm que ser aqueles que fazem disso a sua profissão inicial. Não se pode ser comentarista sobre matérias das quais fugimos na via real enquanto profissão.

Dir-me-ão que também estou a comentar. É verdade, mas não é minha profissão e comento sobre o Moçambique real, aquele que não quer ser descriminado!

Pedro Nacuo
nacuo49nacuo@gmail.com

 

 

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