
A Trans African Concessions (TRAC) não possui e não está interessada em adquirir equipamento para a remoção de viaturas acidentadas ao longo da Estrada Nacional Número 4 (N4) por entender que a aquisição destes representa uma despesa avultada e desnecessária.
Durante a semana de 9 a 16 de Outubro passado registaram-se três acidentes rodoviários na N4, todos envolvendo camiões e, no caso mais grave, que culminou com a obstrução da via, a TRAC teve de desembolsar cerca de 800 mil meticais para alugar uma grua para remover os veículos sinistrados.
Estas despesas, segundo apurámos, resultam do facto de a TRAC não dispor de meios para responder rapidamente aos acidentes que ocorrem naquela via. Aliás, Fenias Mazive, director do Centro de Manutenção da TRAC, afirma que a TRAC “não tem camiões-cisterna, gruas e reboques e nem pretende adquirir estes meios, porque seria um gasto totalmente desnecessário. O que aquela concessionária tem são acessórios básicos, nomeadamente sinalizadores luminosos, cones, carros de emergência, kits de produtos para desinfectar as vias em caso do derrame de combustíveis, óleos ou substâncias tóxicas”, disse.
Para fazer face aos acidentes que ocorrem na N4, Mazive disse que a instituição possui contactos de provedores de serviços, que tem os equipamentos que possam precisar. No entanto, este método tem vindo a desgastar alguns automobilistas que usam aquela rodovia, uma vez que permanecem horas a fio no engarrafamento.
Um dos casos mais complexos aconteceu na terça-feira (dia 11), no distrito de Moamba, na província de Maputo, onde um camionista não se apercebeu de que a sua viatura, carregada de açúcar a granel, pegara fogo em plena marcha. O incidente deu-se devido a uma avaria num dos eixos das rodas traseiras que aqueceu e pegou fogo.
Este camião ficou totalmente carbonizado porque quando o automobilista se deu conta do incêndio já não era possível debelá-lo usando o extintor. Quando a TRAC conseguiu accionar um dos provedores, a viatura já estava totalmente queimada. Neste intervalo a população das redondezas aproveitou-se da situação para roubar a mercadoria com recurso a baldes, sacos, bacias, capulanas, entre outros, no lugar de ajudar a debelar as chamas.
“Os prejuízos são mais a nível da estrutura do camião e da mercadoria que foi roubada”, lamentou Mazive.
No dia seguinte (quarta-feira, dia 12), um camião, também carregado de açúcar, teve um acidente na N4, na Matola, também na província de Maputo e foi esvaziado pela população. No dia 13, uma camioneta tombou na mesma N4, na Matola, quando transportava frangos.
Dada a sucessão destes acidentes, usuários das redes sociais alardearam que a expectativa da população residente ao longo da N4 era de ver tombar uma viatura de transporte de valores e outro da Cervejas de Moçambique (CDM) para que, à semelhança do que aconteceu com os camiões carregados de açúcar, pudessem “aproveitar” a valiosa mercadoria.
De referir que no incidente que decorreu na zona da Matola, na N4, destruiu um poste de iluminação e a vedação separadora da via, houve danos na estrutura do piso no acidente da Moamba e prejuízos avultados para os automobilistas que permaneceram horas a fio presos no engarrafamento. A TRAC também diz que não conseguiu alcançar a receita diária resultante da cobrança de taxas de Portagem entre a cidade de Maputo e Matola.
Texto de Idnórcio Muchanga
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