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Emitidos mais de 35 mil documentos

Por admin
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– Ester Tondo, cônsul de Moçambique em Nelspruit, no rescaldo do trabalho efectuado no ano passado pelas brigadas da DIC e Migração

Em Maio de 2015, a entrada do consulado moçambicano de Nelspruit, há quem prefira chamar Mpumalanga, assemelhava-se a um enorme cone, tal foi a afluência de moçambicanos que acorreram para a regularização da sua documentação, preferencialmente passaporte e bilhete de identidade biométricos. Fomos saber os resultados desse trabalho e muito mais.

Senhora Cônsul, que resul­tados foram alcançados?

A estatística relativa ao tra­balho efectuado no âmbito da regularização da documentação de moçambicanos na diáspora, no caso em apreço África do Sul, foi positiva uma vez que conse­guimos, no total, a emissão de mais de 35 mil documentos, en­tre bilhetes de identidade, pas­saporte biométrico e certificado de emergência.

Na sequência desse traba­lho, posteriormente consta­tou-se que alguns passaportes continham imprecisões. Erros.

Sim. Mas todos os documen­tos que continham esses proble­mas foram substituídos. Já não temos esse tipo de queixas. A Migração fez um trabalho extra­ordinário e em tempo útil.

Presentemente, que solici­tações o Consulado tem rece­bido dos moçambicanos?

Continuam à procura da do­cumentação. Este ano vamos introduzir um terceiro elemento. Desta vez as brigadas já não se­rão apenas da Direcção de Iden­tificação Civil (DIC) e Serviço de Migração. Serão tripartidas. Isto é, vão incorporar funcioná­rios dos serviços de Registos e Notariado, porque temos muitos cidadãos que não têm qualquer tipo de documento e precisam ser registados. Acontece que a condição sine qua non para ob­tenção do passaporte biométrico é ser detentor do bilhete de iden­tidade biométrico, mas para tal é necessário que a pessoa tenha Certidão de Nascimento. Quere­mos responder a todas questões e preocupações inerentes à do­cumentação dos moçambicanos.

Quando é que começa a campanha?

Ainda no decorrer deste ano. A nossa expectativa é abranger as duas províncias que acolhem expressiva comunidade moçam­bicana aqui à entrada da África do Sul que são Mpumalanga e Limpopo. Não incluo Gauteng e todas as outras que acolhem também muitos, muitos moçam­bicanos.

Em termos estatísticos, quantos moçambicanos vivem nestas duas províncias?

Aproximadamente 500 mil, entre documentados e indocu­mentados. O trabalho a fazer é muito grande.

No ano passado, que difi­culdades enfrentaram para atender aquela maré humana?

Basicamente, espaço. O local tornou-se exíguo para atender a demanda. Para ultrapassar isso formamos dois grupos. O grupo dos mineiros atendemos na THE­BA, que nos cedeu uma parte dos seus escritórios para as brigadas trabalharem. A Comunidade, no geral, foi atendida aqui no Con­sulado. O sistema organizativo resultou e evitou que as pessoas dormissem aqui. Sabíamos qual era a nossa capacidade por dia. Então dávamos senhas na véspe­ra e no dia seguinte só atendía­mos aquelas pessoas.

O novo Regulamento Mi­gratório de Maio de 2014 está a ser estritamente observa­do? Refiro-me a observância dos 30 dias de permanência em território sul-africano para as pessoas detentoras do visto de turismo.

Creio que sim. Só, pontu­almente, somos solicitados a intervir, por exemplo em caso de doença em que a pessoa se vê obrigada a ficar muito mais tempo do atribuído na frontei­ra. Contactam-nos e apoiamos na solução da questão junto do “Home Affair”.

Em concreto, que tipo de apoio prestam? O doente pode estar internado ou im­possibilitado de caminhar.

Com a declaração do médico a aferir que a pessoa está inca­pacitada de viajar ou em trata­mento, a questão fica resolvida sem grande alarido.

 

 Quais são as principais acti­vidades programadas para este ano atendendo que continua a deportação de moçambicanos em situação irregular um pou­co por toda a África do Sul?

Continuamos a apelar aos nossos compatriotas para quan­do se fizerem à África do Sul virem documentados e respeita­rem a legislação. E como forma de ajuda-los, porque sabemos que vem à procura de ganhar a vida, o Governo está empenhado em organizar brigadas para do­cumentarem todos os cidadãos moçambicanos de maneira a vi­verem em paz.

Quais são os requisitos a preencher ou a observar pelos moçambicanos que preten­dam obter o ID aqui na África do Sul?

A pessoa tem que começar o processo todo em Maputo, em Moçambique. À semelhança do que os sul-africanos fazem cá. Pedem os formulários todos, apresentam o registo criminal, contrato de trabalho, vão para os “Home Affair”, depois subme­tem o pedido de ID.

ID’s BLOQUEADOS

Senhora Cônsul, o que é que está a acontecer com os ID’s dos moçambicanos cuja reno­vação não está a ser aceite?

O que aconteceu foi que para eles obterem aqueles ID’s (auto­rização de residência permanen­te) beneficiaram de uma decisão política. Muitos moçambicanos não tinham documentos de su­porte. Então, quando vão re­nova-los fica difícil porque não têm cadastro. As autoridades ficam sem saber se é um docu­mento forjado ou se é genuíno. Quero acreditar que nas Comis­sões Mistas Regulares que Mo­çambique e África do Sul sobre a matéria têm realizado há-de se discutir e vai-se achar uma solução.Significa que foi à luz de uma decisão política…

Sim, saída do primeiro go­verno democrático da África do Sul.

Até ao ano passado cerca  de cinco mil moçambicanos estavam inscritos neste con­sulado. Hoje o que é que os números dizem?

Não mudou significativamen­te. Por isso é que estamos a tra­balhar, e bastante, no sentido de inculcar nos nossos cidadãos o valor da inscrição consular. Até agora, quando os nossos com­patriotas vêm ao Consulado é porque pretendem passaporte, certificado de emergência ou re­gistar a criança recém-nascida. Quando fizermos o levantamento deste primeiro trimestre é pro­vável que os números nos mos­trem uma oscilação evolutiva.

Quais são as vantagens de estar inscrito num consulado?

A grande vantagem é no sen­tido de apoio em caso de neces­sidade. O Consulado, o Governo, ficam a saber que existem tantos moçambicanos nesta zona da África do Sul e estas pessoas em Moçambique tem este e aquele parente que em caso de neces­sidade podem ser contactados. A inscrição consular não visa só conhecer o número.

Com a introdução de uma série de obrigações para quem queira viajar com menores da África do Sul para Moçam­bique e vice e versa, de que maneira se reflectiu no vosso trabalho?

Nos primeiros momentos ti­vemos muita solicitação. Nos in­quiriam sobre o que e como fazer. A imprensa ajudou bastante, pois foi anunciando a necessidade de se respeitar essa norma quando se viaja com crianças. Por exem­plo, se for a viajar com um dos progenitores levar a autorização do que não viaja. Se o menor não é filho do adulto viajante, por exemplo tio, primo, avô, terá de ter a autorização dos pais. Mas devo frisar que as pessoas já perceberam a importância deste requisito tanto mais que não há problemas de as pessoas serem impedidas de passar com a crian­ça quando com a documentação em dia.

E…

Aqueles que têm possibilidade de ir a Moçambique para emitir os seus bilhetes de identidade, passaportes biométricos, que o façam para viverem cá tranqui­lamente.

Aventava-se a hipótese do visto de turismo passar de 30 para 90 dias. A intenção man­tém-se?

Sim. De acordo com os enten­dimentos alcançados aquando da visita do Presidente Filipe Nyusi no ano passado a África do Sul, os dois governos concordaram em estender para 90 dias, porém, ainda não está em vigor. Mais acreditamos que venha a mate­rializar-se ainda este ano.

7 de Abril em Tzameem

O sete de Abril, Dia da Mulher Moçambicana, está à porta. Que actividades o con­sulado tem agendadas para assinalar a efeméride?

Vamos comemorar sim, mas na província do Limpopo, em Tzameem. Temos agendado um encontro com a nossa comunida­de e usaremos o momento para, em princípio, apresentar o nosso novo embaixador, João Macarin­gue, na nossa área de jurisdição.

André Matola

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