Um estudo recentemente publicado na revista PLOS Global Public Health, liderado por Agostinho Lima, investigador da Unidade de Pesquisa Social do Centro de Investigaçao em Saúde da Manhiça (CISM), revelou importantes lacunas no conhecimento e nas práticas de prevenção e diagnóstico da tuberculose (TB) entre adultos vivendo com HIV e cuidadores de crianças com sintomas sugestivos da doença no distrito de Manhiça, em Moçambique.
Os investigadores recorrem a uma abordagem qualitativa para analisar as percepções, atitudes e comportamentos relacionados à procura de cuidados de saúde, num contexto marcado por elevada carga de HIV e TB.
Segundo Lima, “neste estudo, notamos que a tosse persistente é o sintoma mais reconhecido entre os participantes, seguido de dor no peito, perda de peso, febre, fadiga e sudorese noturna.
Apesar disso, persistem percepções equivocadas sobre formas de prevenção, com muitas pessoas acreditando que evitar o compartilhamento de utensílios, como copos, seria a principal medida de proteção contra a doença”.
Outro resultado preocupante refere-se aos atrasos na procura por cuidados.
O artigo, que resultou do estudo Stool4TB, alerta que “vários indivíduos, sobretudo pessoas vivendo com o HIV, esperaram mais de três semanas após o início dos sintomas para procurar assistência, muitas das vezes aproveitando consultas de rotina para levantamento de antirretrovirais ou exames regulares, o que compromete o diagnóstico precoce”.
A investigação também evidencia barreiras culturais e técnicas que dificultam a resposta à TB.
Entre elas, estão narrativas sociais que associam a doença ao compartilhamento de objectos, à exposição à fumaça ou até a crenças culturais, bem como limitações diagnósticas, como a dificuldade na recolha de escarro em crianças e em pessoas vivendo com HIV, além da baixa sensibilidade de alguns testes tradicionais.



