
Porque a honestidade é a principal ferramenta dos homens da comunicação social, os jornalistas cá de casa assumiram à letra esse preceito, daí que tenha sido natural que tenhamos escolhido a morte de Nelson Mandela ou simplesmente Tata Madiba para acontecimento internacional do ano 2013.
A repercussão da morte de Nelson Mandela no mundo inteiro, com bandeiras a meia-haste e luto em diversos países, reflectiu um pouco da importância do homem que dedicou sua vida à luta pela igualdade e liberdade.
O velório inspirou situações históricas como o cumprimento entre Obama e Raúl Castro. Diferentes jornais, inclusive os que apontavam Mandela como terrorista a serviço do comunismo no início de sua trajectória, publicaram sua foto na primeira página no dia seguinte à sua morte.
No dia do julgamento de Mandela, em 1964, quando foi condenado à prisão perpétua pelo regime que pregava a superioridade dos brancos, seu depoimento foi centrado na luta pela harmonia entre brancos e negros. Quando saíu da prisão, 27 anos depois, enquanto fervilhava uma guerra civil entre brancos e negros, Mandela mais uma vez demonstrou sua grandeza ao continuar lutando contra o Apartheid, mas em busca de harmonia, não de um "acerto de contas" com o regime que o privou da liberdade e matou tantos em nome de uma política racial.
Quando virou o primeiro presidente negro do seu país, criou a Comissão da Verdade e da Reconciliação. Aceitou até a aproximação de líderes que antes o condenavam, como Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990, sem deixar de fazer parcerias como com palestinos e cubanos.
"Durante a minha vida, me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se preciso for, é um ideal para o qual estou disposto a morrer", disse Mandela, em sua declaração de defesa no Julgamento de 20 de abril de 1964.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um pronunciamento após a morte de Mandela, pelo qual reforça que o líder rendeu toda a sua vida ao seu povo e à humanidade, com "grande sacrifício pessoal". Ban Ki-moon reconheceu que a posição de princípios e a força moral de Mandela foram decisivos no desmantelamento do sistema de apartheid.
"Notavelmente, ele ressurgiu após 27 anos de detenção sem rancor, determinado a construir uma nova África do Sul com base no diálogo e na compreensão. A Comissão da Verdade e da Reconciliação estabelecida sob a sua liderança continua a ser um modelo para alcançar a justiça nas sociedades que confrontam um legado de violações dos direitos humanos."
A Assembleia Geral da ONU declarou 18 de julho, aniversário de Madiba, como o Dia Internacional Nelson Mandela, uma celebração anual e reconhecimento de sua contribuição para a promoção de uma cultura da paz e da liberdade.
"Tive o privilégio de conhecer Nelson Mandela em 2009. Quando eu lhe agradeci pelo trabalho de sua vida, ele insistiu que o crédito pertencia a outros. Fiquei muito emocionado por seu altruísmo e profundo senso de propósito comum", declarou o secretário-geral da ONU.



