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Renamo deve desarmar-se e fazer política de forma convencional

Por admin
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O Presidente da República (PR), Armando Guebuza, considera inadmissível que se tente arrastar o país para uma situação de dualidade de critérios normativos para acomodar as exigências da Renamo e/ou como forma de persuadi-la a participar nos processos eleitorais que se avizinham.

Tal pronunciamento foi feito em resposta a uma questão sobre se ainda há espaço para que a Renamo participe nas eleições autárquicas aprazadas para 20 de Novembro do ano em curso e, quiçá, nos pleitos do próximo ano. Guebuza falava, na quinta-feira última, na vila de Nova Mambone, distrito de Govuro, no rescaldo da sua visita de quatro dias à província de Inhambane.

O Chefe do Estado reiterou, contudo, a sua disponibilidade para pessoalmente reunir-se com o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, para discutir todos os assuntos que se acharem relevantes, sobretudo para “àqueles ligados a segurança e questões militares. (…) Mas não podemos ter duas normas. Uma para todos nós outros e outra especial para a Renamo. As normas que regem este tipo de processos já foram aprovadas e são do domínio de todos partidos”, afirmou o Presidente Guebuza, salientando que o partido da “perdiz” conhece (ou era suposto conhecer) as normas vigentes no país para além de que "todo o povo moçambicano está também a ver ou viu o esforço que estamos ( Governo) a fazer para que a Renamo participe no processo eleitoral".

NINGUÉM TEM “TÍTULO DE PROPRIEDADE” DA PAZ

Guebuza deplorou ainda o facto de os elementos da Renamo, nas conversações com o Governo, não estarem a exibir quaisquer sinais sérios que ilustrem algum cometimento em prepararem o aludido encontro entre o alto magistrado da Nação e o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama. Este chegou a assumir publicamente a autoria moral dos ataques armados perpetrados na região de Muxúnguè contra alvos civis e propriedades de particulares.

Aliás, o Presidente da República referiu que, tal como já o fez no passado, continua pronto para dialogar com Dhlakama, embora entenda que tal encontro "não deveria alimentar expectativas que depois não serão totalmente satisfeitas para não frustrar as pessoas".

A ocorrer tal frente-a-frente, ainda de acordo com Armando Guebuza, este momento deveria ser encarado de parte a parte como aquele que “deve sim dar  esperança de que os problemas vão ser resolvidos para que as pessoas se sintam livres de circularem mais à vontade, sem medo ou receios de serem atacadas e, portanto, voltarem a levar a sua vida normalmente”.
"O nosso povo não pode continuar a ter medo de circular à vontade ou sentir-se intimidado no seu próprio país. O povo moçambicano é livre, e, por conseguinte, a sua liberdade não pode ser ameaçada  por ninguém”, sublinhou o Chefe do Estado, para quem ninguém deve arvorar-se como detentor de uma espécie de “título de propriedade da paz”.

A paz, segundo referiu Guebuza, é um bem imensurável e inalienável, que faz parte da galeria das conquistas que os moçambicanos obtiveram com muito sacrifício, pelo que ela deve ser saboreada e exaltada em ambiente festivo, acompanhado de danças, alegria e nunca ao som do troar de armas de fogo como “alguns pretendem que seja”.

Para Guebuza é lamentável que haja moçambicanos, ainda que poucos, que se preocupam em ver reinstalado o clima de guerra no nosso país, no lugar de reunirem energias e forças para melhor travarem o combate contra a pobreza, a começar por cada um, individualmente, na sua casa e família até ao nível colectivo.

“É por isso que os moçambicanos genuínos e do bem não querem ouvir falar e nem ver o nosso país em guerra. Estes sabem que a guerra significa sofrimento para o nosso povo, destruição e retrocesso no desenvolvimento do nosso país. Quando há guerra, o país fica paralisado. As pessoas ficam impedidas de circularem livremente, de irem à machamba livremente”, apontou o Presidente.

Na interacção com parte da população de Maxixe, no bairro de Bembe, o Presidente Guebuza lançou um vigoroso apelo para que todos moçambicanos assumam a paz como um bem ou conquista que lhes pertence e, por conseguinte, devem valorizá-la no seu dia-a-dia, contribuindo para a promoção e consolidação da cultura de paz.

“Este é um exercício que deve fazer parte do nosso quotidiano e vivência. A cultura de paz deve começar connosco próprios e depois implementá-la junto do próximo. O diálogo é a ferramenta primordial para que promovamos a paz e concórdia entre nós”, realçou Guebuza  

Aliás, Guebuza enumerou repetidamente em comícios e noutros momentos com outras forças vivas da “terra da boa gente” as demarches e iniciativas levadas a cabo pelo Governo, com destaque para as cerca de duas dezenas de rondas de diálogo entre o executivo e a Renamo, o que ilustra, de per si, mais do que a vontade política, o respeito e compromisso de valorização da paz. 

Todavia, segundo referiu, tal esforço não tem sido coroado de êxitos, pelo menos até ao momento, em virtude de tanto a Renamo assim como o seu presidente, Afonso Dhlakama, apresentarem muitas dificuldades de se adaptarem às regras de convivência democrática e sobretudo de se integrarem numa sociedade, onde reine a paz e não as armas.

“Colocamos uma delegação à disposição para junto com os elementos da Renamo preparem o encontro entre a minha pessoa com Dhalkama,  mas os resultados são os que todos temos acompanhado. A Renamo tem que deixar as armas e fazer política de forma convencional. Vamos falar, discutir os problemas que temos. Ademais, existem todas as condições para tal, como é, só para citar alguns exemplos, o caso da Assembleia da República e outros mecanismos de diálogo. Ninguém deve enveredar pela via militar como forma de solucionar os problemas sejam de que natureza forem”, sublinhou Guebuza. 

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