O fim-último resume-se na relutância (aparente ou não) dos pais, no Posto Administrativo de Méti, de levarem (ou exigirem) os seus filhos a irem à escola ou os próprios filhos incomodarem-se por não serem, no mínimo como os jovens que a sua própria região criou, tendo outros sido barrados pelo SISTEMA (aquele ou este).
Depois de tentativas vãs de os filhos de Méti estudarem, finalmente, em 1976, introduziu-se o nível da 4.ª classe. O primeiro grupo era de 11 alunos. Mesmo assim, não deviam fazer os exames na então Localidade, senão, na sede de Lalaua. Os pais e filhos de então, não se fizeram de rogados. Fizeram 74 quilómetros para fazer exames. Chumbaram apenas 3.
Começou e cada vez mais veio a vontade de estudar. Os 8 aprovados foram-se matricular na ex-missao de Iapala, já Centro Educacional, para fazer a 5- e 6- classes, que na altura significavam o ensino secundário. São 125 quilómetros que eram feitos, uma vez a outra, a pé, para os intervalos dos quatro períodos escolares ou para ir fazer o reabastecimento em víveres no longínquo Méti. Não desarmaram.
A base económica da população era apenas a agricultura de subsistência. Em toda a Localidade havia 8 motorizadas: do senhor Laurentino (chefe da secretaria), do Manuel Lepe (Enfermeiro-chefe), do senhor Cobra (encarregado da loja), do Nacoma, Naphiri, Nakove e Agostinho Etava (agricultores).
Quer dizer, os estudos, até os filhos serem homens, eram sustentados pelo pouco que a agricultura familiar dava: roupa, pratos, talheres, esteiras e pouco mais, para que os filhos fossem a Iapala.
Hoje, e depois de tudo facilitado, o gosto e a vontade de estudar desapareceu do vocabulário dos pais e dos filhos. Em seu lugar veio a aparente riqueza e, curiosamente um desinteresse de arrepiar, pelo progresso, via educação. Curiosamente, tanto os filhos quanto os pais, dizem não disporem de meios para o prosseguimento de estudos. Os filhos falam disso quando têm as suas motorizadas a funcionar em “ponto morto” (relantim), sinal de que há dinheiro…mas só para comprar motorizadas, camionetas, construir barracas.
A escola que então se encontrava a 125 quilómetros, agora está em todas as principais aldeias e, aquela cujo ingresso era impossível (até a 10- classe), agora está na sede de Méti. Aquilo que era para famílias, persistentes, quase heroicas, agora é para todos.
Pedro Nacuo



