
Texto de Carol Banze
Trata-se de barracas de venda de diversos tipos de bebida, que atropelam as normas de funcionamento estabelecidas pelas autoridades municipais e prolongam as suas actividades praticamente até ao amanhecer.
Em conversa com o domingo, Madalena António, residente no bairro do Aeroporto, manifestou o seu desagrado por conta da existência do que designou por “covis”, em que os bandidos se concentram desde as primeiras horas da noite, de onde, mais tarde, por volta das 23.00 horas se espalham em alguns becos, para atacar as suas vítimas.
Ainda de acordo com esta cidadã, a poucos metros de uma dessas esquinas dos malfeitores, localiza-se uma igreja, que serve de palco onde eles completam a sua malvadez. “É lá onde terminam o serviço, injuriando sexualmente as suas vítimas, quando se trata de indivíduos do sexo feminino”.
Na verdade, estar fora de casa a partir das 21.00 horas tornou-se um exercício de coragem.
Maria Gumende, chefe do quarteirão número1, do bairro do Aeroporto B, foi quem teceu estas considerações. Para piorar, “a descrença na actuação da Polícia faz com que tenhamos medo de denunciar os bandidos”. É que, segundo disse,das vezes que foram feitas participações, seguidas de detenções,“poucos dias depois esses marginais foram soltos e vieram ter connosco para tirar satisfações”.
Nos bairros de Maxaquene e Polana-Caniço a realidade não é diferente disto. Ao final da Rua da Resistência, conhecida como Rua Zaida e Carlos Chongo, onde existem vários estabelecimentos de vendas de bebidas, a partir das 23.00 horas, a via transforma-se e dá lugar a um cenário de lutas, conforme revelou Lino Vasco, que trabalha perto daquele local.
Algumas vezes as brigas ocorrem entre os próprios malfeitores, “que se picam ou rasgam-se com recurso a fragmentos de garrafas ou a facas. Mas outras lutas são entre os bandidos e as suas vítimas”, disse aquele cidadão.
Já no mercado Mucorreano, bairro de Polana-Caniço, a espera pelo “momento certo” para os ataques é também feita em barracas adjacentes ao mercado. Este facto faz com que aquela zona seja temida: “o ambiente é terrível; é praticamente impossível circular à vontade ao cair da noite”, afiançou um residente que não quis ser identificado.
PATRULHAMENTO PRECISA-SE
Movidos pelo temor após a ocorrência de três crimes brutais, um dos quais culminou com a morte de uma estudante de jornalismo, há dias, moradores do Aeroporto A e B mobilizaram-se e formaram uma força local, composta por homens jovens e adultos, com o objectivo de impedir as actuações dos bandidos.
“A partir das 22.00 horas fazem policiamento, e quando se cruzam com cidadãos desconhecidos ou suspeitos revistam-nos, para ver o que levam nos bolsos, se têm algum tipo de arma. Também fazem perguntas sobre a proveniência e/ou destino dos desconhecidos”, disse Madalena António.
Aliás, a ideia é fruto de reuniões feitas nas últimas semanas, tendo-se “decidido que esse seria o caminho mais rápido para parar com ocorrências criminais, uma vez que não temos conseguido resultados positivos com a actuação exclusiva da Polícia”, afirmou por seu turno Maria Gumende.
Essa insatisfação foi também registada no bairro de Maxaquene, quando Lino Vasco afirmou que a patrulha da Polícia da República de Moçambique termina por volta das 19.00 horas. Depois, “o bairro fica desguarnecido e os bandidos actuam a seu bel-prazer, confiantes na sua liberdade”.
Outro facto, desta feita levantado no bairro da Polana-Caniço, dá conta da ocorrência de crimes a poucos metros dos postos policiais locais. “Temos um posto aqui no Hospital da Polana-Caniço, mas quando gritamos por socorro dizem sempre que estão sem efectivo. Certamente os malfeitores têm conhecimento dessas limitações, o que faz com que actuem de maneira destemida”, desabafou um morador.



