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Estrada Beira-Machipanda: um calvário

Por admin
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Circular pela Estrada Nacional Número Seis (EN6) virou um autêntico martírio para os automobilistas devido ao estado degradado da via e aos constrangimentos resultantes das obras de reabilitação e ampliação em curso. Naquela via de 288 quilómetros (km) que ligam a cidade da Beira, em Sofala, e a vila fronteiriça de Machipanda, na província de Manica, circula-se sob a “lei do mais forte”.

A reconstrução daquela via está orçada em 410 milhões de dólares norte-americanos financiados pelo Governo e o Exim-Bank, da China. Foi repartida em dois troços, sendo um para Sofala e outro para Manica. As obras iniciaram em Abril de 2015, estando a sua conclusão prevista para Abril do próximo ano (2018).

Para além da ampliação das faixas de rodagem, a obra compreende a construção de pontes, aquedutos, paragens para os passageiros, bem como de três portagens, sendo duas do lado da província de Sofala e uma em Manica, o que anima os automobilistas que por ali transitam, uma vez que passarão a usufruir de uma via de elevado padrão.

Entretanto, e enquanto decorre a execução dos trabalhos, os mesmos motoristas deploram a desorganização que ocorre no controlo do tráfego ao longo da rodovia, sobretudo, nas chamadas zonas de paragem obrigatória, vulgo “Stop and Go”, que foram estabelecidos ao longo da extensão da via, num total de sete.

É que por ali reina a lei do mais forte e, no caso concreto, camiões de grande tonelagem que fazem a ligação entre o Porto da Beira e o Zimbabwe, Zâmbia e Malawi não respeitam as ordens dadas pelos sinaleiros, muito menos aos veículos ligeiros.

A agravar o problema está o facto de os sinaleiros não regularem o trânsito em cada sentido em função do tempo, o que faz com que, em muitos casos, a circulação seja interrompida por poucos minutos para uma via, e dezenas de minutos para a outra, o que aumenta o caos.

A nossa Reportagem observou este triste cenário na zona da baixa do rio Púnguè, e nos troços que ligam a vila-sede de Nhamatanda a Tica e Mafambisse, do lado de Sofala, e no distrito de Gondola, no posto administrativo de Amantogas, em Manica, áreas consideradas críticas em termos de desgaste para os automobilistas e passageiros.

Como se não bastasse a desordem promovida pelos camionistas de longo curso e a falta de capacidade de controlo dos sinaleiros, o calvário aumenta com a existência de inúmeros buracos de várias dimensões, o que obriga a fazer gincanas.

Quem sai do Inchope com destino à cidade da Beira é obrigado a fazer gincanas da zona conhecida por Monte Xiluvo até ao posto administrativo-sede. Neste percurso, a viagem é feita em regime de “salve-se quem puder”, havendo casos em que as viaturas ficam sem alguns pneus e peças.

Quem parece estar alheio ao perigo que os buracos representam são os transportadores inter-provinciais e semicolectivos de passageiros que, ávidos em chegar o mais rápido possível ao seu destino, passam por aquele troço a uma velocidade de 50 quilómetros por hora, contra os dez recomendados e bem sinalizados. A justificação, segundo apurámos, é a de que estes automobilistas perdem muito tempo nos pontos de paragem obrigatória.

Enquanto isso, ao longo do mesmo troço existe um grupo de crianças que empunham pás, picaretas, entre outros instrumentos de trabalho e fingem estar a tapar os buracos nas zonas em que as obras ainda não iniciaram a troco de algumas moedas que os automobilistas vão atirando pela janela.

A nossa Reportagem também observou que nos troços onde o trabalho de construção da base da estrada está concluído e aguarda-se pelo asfalto existe um outro grupo de adultos e crianças que remove pedra para vender aos montinhos.

Sobre este assunto fala-se de algumas detenções, contudo, durante a nossa passagem por aquelas bandas o frenesim continuava ante o olhar indiferente de algumas patrulhas policiais.

A ODISSEIA DOS TRABALHADORES

Para além dos transtornos pelos quais passam os automobilistas e passageiros, há a assinalar a desgraça a que estão votados os trabalhadores encarregues de reconstruir a estrada e uma vasta gama de pontes que existem naquela via.

O que observámos são jovens na sua maioria de idades compreendidas entre os 15 e 30 anos de pás e picaretas em punho a removerem o que sobra do asfalto, enquanto outros carregam o entulho para os camiões. Outros, se calhar os mais sacrificados, realizam trabalhos de soldadura sem óculos de protecção.

Na ocasião, ouvimos relatos da existência de jovens que adoeceram por terem estado expostos excessivamente a poeira e a outros riscos, o que lhes fez perder emprego, porque grande parte dos trabalhos, incluindo a resselagem da primeira parte, é feita manualmente, reservando-se a última, que é a do asfalto, para máquinas como cilindros, bulldozers, retroescavadoras, entre outras.

 

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