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SAÚDE E EDUCAÇÃO: Excesso de peso das pastas escolares afecta saúde dos alunos

Por admin
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Um mal que passa despercebido aos olhos da maioria: o material escolar carregado em pastas escolares por alunos, sobretudo do ensino primário, costuma estar acima do que elas podem suportar em termos de peso. Este facto já se reflecte na saúde das crianças. domingo conversou com algumas delas que reportaram dores nos ombros e na coluna lombar.

“Desde o ano passado sinto dores aqui no ombro e às vezes nas costas. Quando se tornam intensas,  minha mãe  aplica-me uma pomada que alivia me um pouco”, disse Jéssica Quintano, aluna da 7ª classe, em conversa com o domingo.

Durante o contacto com esta menina de 11 anos de idade, a nossa reportagem constatou um problema na utilização da sua mochila: uma das alças estava estragada, o que leva a que esta aluna carregue a pasta de forma não aconselhável, ou seja, sem distribuir correctamente o peso pelas suas costas.

Na mesma circunstância, carregamos a pasta de Kevin Spenet, de 11 anos de idade. O peso era estonteante. Depois de abrir e contar o total de livros e sebentas dentro da sua mochila escolar, confirmamos a quantidade: Eram no total 10 itens. Ainda assim Kevin refutou a ideia de que a mochila estava demasiado pesada e afirmou que a carrega confortavelmente. Entretanto, trocar os pesados cadernos de tamanho papel A4 (sebentas) pelos de tamanho A5, também está fora de cogitação. “Não uso cadernos pequenos porque os acho feios”.

Em conversa com Aysha Mwayi, de 11 anos de idade e aluna da 7ª classe, contou-nos que já sofre de muita dor nos ombros por causa do peso da sua pasta. Este facto é corolário do peso fora do normal que vinha carregando ao longo dos últimos anos. “Eu carregava muitos livros e cadernos. Por isso, este ano passei a deixar todos livros em casa. Na escola, junto-me a minha colega de carteira para partilhar o livro dela”.

Já Shairon Quintana de 10 anos de idade, outro aluno com quem domingo privou, levava na altura da conversa oito livros e seis cadernos do tipo sebenta. Questionado sobre a quantidade de livros que carregava na pasta, justificou-se que era por uma questão de zelo. “Mantenho todos os livros e cadernos na pasta para não correr o risco de esquecer alguns em casa”. 

Alguns pais que conversaram com a nossa reportagem, passaram a sua experiência no controlo do dia-a-dia dos seus filhos na carreira escolar. Helena Macamo afirmou ter aprendido a verificar as mochilas dos seus filhos numa palestra e passou a ter alguma atenção no peso que eles carregam.  “Eles falaram das implicações que o peso tinha na saúde das crianças o que me leva a controlar as pastas diariamente para verificar se está de acordo com o recomendado”.

Interagimos com encarregados

para alertar sobre questão-Sabino Congolo,

 

O coordenador dos directores de turma no colégio Arco-íris deu a conhecer as experiências daquela instituição no que respeita aos cuidados a observar durante o ano lectivo, especialmente no que respeita às pastas escolares. “Primeiro, falamos da qualidade de pasta que os pais têm comprado. São pastas com cerca de meio quilograma de peso e com rodas que são suportadas por uma estrutura metálica na parte traseira, o que pode ferir as costas dos menores, fora a questão do peso”, afirmou.

 Entretanto, segundo a nossa fonte, para minimizar o problema do peso do material escolar, a escola disponibiliza cacifes onde  os alunos guardam tanto os materiais escolares complementares como de actividades extra-curriculares, que muitas vezes os petizes não precisam usar em casa para consulta diária nos estudos em casa.

Não temos cacifos

para material dos alunos

-Manuel Matavele, Professor da Escola Primária Completa 16 de Junho

Para o professor Manuel a existência de cacifos na escola poderia ajudar a direcção a minimizar o problema de peso. “Já constatamos esse sobre peso quando por alguma razão pegamos nas pastas das crianças. Mas ainda não temos mecanismos para o controlo diário desta situação. Acho que os pais e encarregados de educação é que devem fazer o acompanhamento da quantidade de material a ser usado diariamente na escola. É para isso que temos o horário escolar”, disse.

Já tratamos adolescentes com deformações posturais

 -Carmónio Ngale, fisioterapeuta

O departamento de Medicina de Reabilitação Física do Hospital Central de Maputo já começa a registar casos de adolescentes que recorrem à consulta por causa de dores lombares.

Segundo o fisioterapeuta Carmónio Ngale apesar de ainda serem poucos casos esta realidade preocupa esta unidade sanitária.

“Há duas semanas recebemos na consulta uma criança que foi diagnosticada com a coluna deformada. Mas vivemos uma realidade em que para além de pastas inadequadas e peso excessivo, temos também carteiras escolares que não são recomendáveis”, conta.

 Para o fisioterapeuta é importante que os pais e encarregados de educação assim como as escolas prestem atenção no material escolar que elas carregam, pois é a saúde dos petizes que pode ficar comprometida ao longo dos anos.

“As crianças devem carregar nas costas um peso que seja compatível com a sua massa corporal. Isto implica comprar pastas com pouco peso e tamanho razoável. Deve-se também apostar em cadernos pequenos para não sobrecarregar as costas dos menores”,apontou o fisioterapeuta.

Outro aspecto a não perder de vista, segundo o fisioterapeuta, são as queixas de dores dos seus filhos: dores cervicais e o comportamento corporal dos seus filhos, pois são um sinal de que alguma coisa não vai bem com o peso que carregam.

Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz

 

 

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