
– Mufundisse Chilengue, presidente da autarquia de Bilene
Se o mandato de presidente do Conselho Municipal de Bilene, em Gaza terminasse hoje, o respectivo autarca, Mufundisse Chilengue diz, que declararia sem rodeios, “ missão cumprida” e ficaria por justificar cerca de 15% do que o seu manifesto prometia.
Chilengue diz que os resultados estão à vista, tal como se pode afirmar que a melhoria das condições da vila e dos munícipes é uma tarefa que vai perdurar ao longo de todos os mandatos, interessando, todavia, que os titulares se concentrem, em primeiro lugar, àquilo que constituiu o seu manifesto quando foi namorar o eleitorado.
Localizado na costa Leste do único distrito no país com duas autarquias, Macia, o município de Bilene, 145 quilómetros a norte da capital moçambicana, é considerado pelo respectivo presidente, sustentável, mas que clama por uma melhoria incessante das condições sanitárias e de outros serviços sociais de modo a torná-los abrangentes à maioria dos munícipes.
Trata-se de um município que detém uma vila balnear, cujo número de habitantes (11.576) é tido como permanentemente provisório, porque, as autoridades municipais entendem que em dias de pico de turismo e datas festivas, por exemplo, a este número se acrescenta cerca de 100.000 hóspedes, incluindo os não sazonais.
“ Do ponto de vista do manifesto que levávamos ao crivo eleitoral, diríamos que o cumprimos em cerca de 85%, o que não quer dizer que teríamos razão de parar, mesmo naquilo que foi iniciado” disse Chilengue.
A restante percentagem, de acordo com o entrevistado, refere-se ao abastecimento de água, electricidade, vias de acesso e unidades sanitárias que ainda não são abrangentes à totalidade dos bairros daquela vila turística.
Para o presidente do Conselho Municipal há dificuldades que se transformaram em desafios que ainda clamam por mais intervenção nas áreas acima citadas, incluindo a recolha e gestão de resíduos sólidos, abertura de mais salas de aulas, unidades sanitárias, melhoramento das vias de acesso para alguns bairros, entre outras necessidades vistas como permanentes num município com apenas 3 anos de idade, mas sempre a crescer.
Na verdade, segundo dados reunidos pelo nosso jornal, pelo menos o bairro Matha, limítrofe com o distrito vizinho de Manhiça, não tem tido comunicação permanente com Tsatsene, passando pelo Nhangolo, em virtude da falta de uma pequena ponte construída sobre um riacho que desemboca na lagoa Wambje, um dos responsáveis pelo seu assoreamento.
Sazonalmente, aquela via de acesso tem sido interrompida em virtude da invasão das águas oceânicas, coincidentemente em períodos em que o canal de ligação fica saturado, não deixando que a comunicação com a parte continental se efectue com relativa fluidez.
Há duas semanas, por exemplo, o estreito canal que liga o Oceano e a parte de terra firme, encontrava-se entupido o que levou a que as águas galgassem terreno nas margens da parte continental de Bilene. Como acontece recorrentemente, foi necessário um trabalho humano para a competente desobstrução.
O mesmo não se pode dizer dos restantes bairros da vila, designadamente, Chinhambanini (a caminhar para o seu baptismo com o nome de Samora Machel), Nhuane, Chilengue, Mahungo, Tsoveca e o de cimento, que comunicam entre si em todos as estações do ano.
Parece contraproducente querer saber quantos habitantes vivem na vila de Bilene, porque a seguir ao número oficial, 11.576, segue-se uma revelação:
“Em tempos de pico do turismo ou datas festivas, recebemos cerca de 100.000 hóspedes que se acrescentam os residentes, havendo outros que não são tao sazonais quanto devia ser, pelo que Bilene está sempre cheio de pessoas novas, de tal jeito que mesmo os residentes raras vezes se conhecem”.
A mesma incerteza regista-se quando se pretende saber da capacidade do município de cobrar receitas próprias, na medida em que, sendo, apesar de tudo, um município eminentemente rural, que vive da agricultura familiar e pesca artesanal, o turismo, fora estar consubstanciado pela existência de muitos imóveis, acaba não se traduzindo em ganhos assinaláveis.
A razão principal está no facto de a maioria dos imóveis não serem explorados permanentemente, visto que os seus donos só os têm como casas de férias, sendo utilizados poucas vezes por ano.
“ Há imóveis não funcionais ou abandonados, mas que têm donos. Entretanto, há poucos lugares para novas construções. Isto está quase completamente tomado” enfatiza o presidente do Conselho Municipal de Bilene.
Na semana que ora termina, na presença da nossa reportagem, uma equipa de empresários chilenos esteve em Bilene e o presidente do município abordado para falar da visita dos cidadãos daquele país sul-americano, disse:
“ Eles vinham ver as oportunidades aqui do Bilene. Apontamo-los as vantagens comparativas do município, a partir de conselhos que receberam da respectiva embaixada, em Maputo. Pretendem investir e, porquê não, ensaiarmos um tipo de relacionamento traduzido na gemelagem entre nós e determinadas autarquias do seu país” disse o nosso entrevistado.
Em tempos menos frios, a praia de Bilene, que faz parte integrante do município, tem sido demandada para a realização de eventos de diversa índole, mormente cursos de curta duração, seminários, workshops, incluindo reuniões bilaterais de quem procura o sossego para alinhavar ideias fora dos grandes aglomerados citadinos do país e de outros pontos do planeta.
Bilene, é na opinião de alguns turistas, uma vila turística em que os preços das hospedarias e principais restaurantes parecem fixados de modo particularmente oportunístico, se bem que mudam conforme a qualidade e quantidade dos pretendentes, os dias da semana e outras diferenças vistas como injustas.
Uma dormida em quartos da mesma qualidade e com os mesmos privilégios de darem ou não vista ao mar, tanto pode custar 3.500,00MT quanto 2.500MT, conforme seja um pedido individual ou colectivo.
Na mesma vila um refrigerante pode estar a um determinado preço num restaurante e o seu triplo num outro do mesmo perímetro.
“ Não se pode entender que uma cerveja, da mesma marca e qualidade custe aqui 120,00 MT e no outro restaurante esteja a 70,00 MT” lamentou Hélder da Conceição, jornalista sediado na cidade de Lichinga, que esteve em Bilene nesta semana, para uma capacitação promovida por uma organização de que é membro.
O facto é que Bilene está a transformar-se na cidade onde os hóspedes têm razoes de sobra para estarem sempre a questionar os preços dos mesmos produtos, desde que estejam em instâncias ou estabelecimentos diferentes, porque díspares.



