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EFEMÉRIDE: Das 25 meninas do DF ao sucesso de milhares de moçambicanas

Por admin
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1967 foi um ano importante na história do povo moçambicano. 25 meninas, militantes da luta de libertação nacional, apresentaram-se em Nachingweia para dizer: “não viemos atrás dos homens, viemos para treinar!”. Contra alguma avalanche que temia em não anuir o seu enfileiramento, encontraram o seu espaço. Actualmente, já se colhe frutos dessa coragem: milhares de mulheres moçambicanas demonstram o seu valor em diferentes esferas do Estado moçambicano.

Tamanho vigor e determinação foram destacados pelo Presidente da República (PR), Filipe Jacinto Nyusi, durante as comemorações do quinquagésimo aniversário da criação do Destacamento Feminino, que serviu para homenagear as militantes da luta armada de libertação nacional e, igualmente, a alguns combatentes que se destacaram na cimentação daquele movimento. São os casos de Eduardo Mondlane, Samora Machel, Armando Guebuza, Salésio Nalyambitano e Matias Lingone.

Na ocasião, Nyusi enalteceu a proeza das 25 jovens abnegadas, que pela primeira vez iam viver ao lado de homens num contexto de guerra, numa base militar, o que representava uma vitória, tendo em conta que estavam inseridas numa sociedade que teimava em subalternizar a participação da mulher em diferentes contextos, remetendo-a a papéis secundários. A rejeição da participação dos indivíduos do sexo feminino na guerra era notável, igualmente, em alguns militantes do sexo masculino no seio da organização pró-independetista.

Assim sendo, “a participação do DF representou o prelúdio da emancipação da mulher moçambicana… o DF é a expressão sólida de todas as manifestações emancipatórias da mulher moçambicana na história da luta anti-colonial ”. Conforme frisou, foi graças ao seu contributo que se tornou possível a mobilização da população na luta armada de libertação de Moçambique.

Reconhecendo o sacrifício das combatentes na luta de libertação da nação moçambicana, o Chefe de Estado apelou a todo povo moçambicano para, nestes 50 anos, honrar o sacrifício daquelas mulheres “que suportaram as piores provações e privações durante a luta armada”. A melhor forma de as honrarmos, disse o PR, é continuarmos a lutar para a realização ou concretização dos seus sonhos, transformando-os em nossos próprios sonhos.

Conforme anotou, a sua bravura inspira às mulheres inseridas em diferentes áreas de actuação: mulheres juízas, mulheres governantes, mulheres camponesas…. Trata-se de “uma bravura que inspira o país”.

Por tal, determinou Nyusi, devemos abandonar atitudes que abafam as raparigas e promovem os rapazes, atitudes que punem as mulheres, e felicitam os homens.  “Devemos promover atitudes que colocam o homem na cozinha, troca fraldas aos bebés … (e) incentivar as meninas a seguirem os seus sonhos pelas ciências exactas e pelas tecnologias”, disse, ao mesmo tempo que enalteceu a necessidade de promover ainda mais a equidade de género pois, de acordo com as suas declarações, sem a inclusão da mulher, as possibilidades do nosso sucesso serão reduzidas.

A finalizar, Nyusi convidou a todos os moçambicanos, dentro e fora do país , ,homens , mulheres e jovens a caminharem juntos na busca de um  dever comum. Conforme explicou, trata-se da aspiração pela paz e tranquilidade duradoira ou simplesmente sustentável num clima social e político onde todos podem fazer de Moçambique sua casa, seu lar, para viver e trabalhar e prosperar. “eu acredito num Moçambique próspero da mesma forma que  aquela mãe transportando material de guerra para as bases continuou caminhando  mesmo consciente da morte do filho  que carregava ao colo. Eu acredito num Moçambique ainda cintilante da mesma forma que Josina mesmo doente e debilitada continuou a trabalhar em prol da causa das mulheres  e crianças até o último suspiro. Eu acredito que por mais difícil que seja o caminho por percorrer, estou convicto de que não há noite que não termina em alvorada”, disse o PR. Demonstrámos

 

que também pensamos

– Marina Pachinuapa, Comissária Política do DF

Conforme foi destacado ao longo da cerimónia de comemoração dos 50 anos da criação do DF, o papel da mulher foi preponderante na mobilização da população para a luta armada de libertação nacional.

Marina Pachinhuapa, Comissária Política, declarou que a sua criação serviu de oportunidade para demonstrar que as mulheres pensam, tal como os homens, e que lado-a-lado fortificariam as acções para combater o colonialismo.

Pachinuapa revelou que, já naquela altura, um espírito comum as movia: “tínhamos Moçambique no coração, e não ganhávamos nem um centavo pela nossa participação”.

Actualmente, volvidos vários anos após a independência, apelou para a participação de todos, especialmente das mulheres na vida do país, até porque: “Moçambique é nosso, depende de nós mulheres na produção de alimentos, na saúde, na educação, na defesa… o 4 de Março não é só das 25 meninas, mas de todas as mulheres…, sublinhou.

Entretanto, agradeceu o espírito paternalista de Samora Machel durante o período da luta armada: “Samora educou-nos, dava-nos carinho. Dava-nos, também, dinheiro para comprarmos perfumes, calcinhas e pensos. Ele não tinha vergonha, de abordar estas questões pois era enfermeiro”, explicou.

Herdamos a coragem e determinação

– Ana Flávia Azinheira, Vice-ministra da Juventude e Desportos

Desde a altura da luta de libertação nacional a mulher assumiu um papel preponderante, colocando-se à disposição para contribuir em qualquer frente, e o que se viu é ela singrou nas tarefas que lhe foram atribuídas.

Hoje em dia, a luta continua, mas em outro contexto, e ela continua a demonstrar capacidade e pujança para encarar todos os desafios que se lhe impõem, afirmou Ana Flávia Azinheira, por ocasião da comemoração dos 50 anos do DF.

Entretanto, apontou para alguns desafios que persistem, que emperram a ascensão da mulher nos diferentes sectores da sociedade: “é preciso trabalhar ainda mais para empoderar a rapariga, para potenciá-la, facilitando o seu acesso à educação, sobretudo nas zonas rurais”. Para Ana Flávia Azinheira, essa é a condição primordial para fazer com que a participação das mulheres em diferentes esferas seja ainda mais evidente, sendo que, neste momento, “já demos passos consideráveis, através da políticas de inclusão, facto reconhecido internacionalmente”, anotou.

Comemorar valorizando

as 25 jovens combatentes

Chude Mondlane, activista social

Esta comemoração constitui uma oportunidade para lembrarmos e consagrarmos as acções das 25 jovens guerreiras da luta armada de libertação nacional, que tiveram a coragem de reagir contra o colonialismo, palavras de Chude Mondlane, activista social e filha do primeiro presidente da Frelimo, Eduardo Mondlane.

Chude Mondlane lembrou que a mulher, de uma forma geral, sofre por causa da tendência quase que generalizada de ser inferiorizada: “ela era e ainda é colocado num plano secundário, são lhe colocadas barreiras que dificultam o acesso às diferentes oportunidades sob ponto de vista financeiro, entre vários, o que tem como consequência a sua fraca progressão”, denunciou.

Entretanto, fazendo jus à sua natureza“é necessário continuar de mangas arregaçadas, tal como estiveram as nossas jovens que se destacaram na luta armada, falo de Josina, Marina, Paulina, Emília, entre outras, e, dentro das famílias, cimentar o espírito de luta e perseverança iniciado naquela altura. Conforme indicou, “é preciso pegar nas nossas irmãs e seguir em frente, sobretudo porque os resultados actuais demonstram que valeu e vale a pena apostar nesta luta pelo empoderamento da mulher”.

Já conseguimos o 50 por 50

Mariazinha Niquice, secretária-geral da OMM

Hoje em dia, notamos muitos avanços, no que respeita à participação da mulher moçambicana na tomada de decisões, fruto do trabalho árduo que se tem desenvolvido, através de palestras nas escolas, para além de outros fóruns, procurando demonstrar que a mulher exerce uma influência positiva e tem sempre uma palavra a dizer nos diferentes sectores que compõem o nosso Estado, referiu Mariazinha Niquice, secretária-geral da Organização da Mulher Moçambicana.

Segundo defendeu, “é importante seguir o exemplo do DF, entretanto, referiu, apostar na alfabetização mostra-se crucial: “é preciso, em primeiro lugar, investir na alfabetização das mulheres, ao mesmo tempo que deve potencializar a luta contra os casamentos prematuros e discriminação social”.

Ainda assim,comemorou, “já podemos registar o equilíbrio no tange ao acesso às oportunidades. Hoje já temos 50 por 50 de actuação e participação, em algumas áreas, e esse é o grande motivo para a nossa  de alegria nesta efeméride”, finalizou.      

Orgulho-me de ser fruto das suas obras

-Leda Hugo, Vice Ministra da Ciência e Tecnologia

Para Leda Hugo, Vice-ministra da Ciência e Tecnologia,  a independência de Moçambique é também fruto do esforço de notáveis mulheres que lutaram pelo país. “Hoje temos um país maravilhoso, orgulho-me de ser fruto desta conquista em que a mulher teve o papel preponderante. Hoje temos a mulher a participar e a dar o seu contributo em diferentes áreas”, afirmou.

Para ela o DF foi criado para dar oportunidade às mulheres de participação e decisão, daí a importância de se combater o preconceitos e a discriminação.

A mulher destaca-se graças à sua pujança

-Antónia Charre, deputada da Assembleia da República

Segundo Charre, a mulher sempre foi forte. É graças a sua pujança que hoje se destaca na nossa sociedade, conquistando o seu espaço em diferentes sectores de actividade e com muito mérito.

Contudo, sublinhou que a sua luta ainda não cessou pois hoje a sociedade moçambicana esta a enfrentar uma crise moral e mais uma vez a mulher é chamada para dar o seu contributo. “A sociedade está cada vez mais intolerante. Diariamente ouvimos notícias que retratam as várias formas de violência contra a mulher e a criança o que nos preocupa. A mulher hoje tem um papel imprescindível na recuperação dos valores que se estão a perder”, afirmou Antónia Charre.

Texto de Carol Banze e Luísa Jorge

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