
Nascido em Memba, distrito costeiro de Nampula, é um padre que se encontra na capital queniana a cumprir com uma dupla missão: estudar e evangelizar. Jovem que aparenta menos de 30 anos, quando soube que o Presidente de Moçambique tinha na sua agenda um encontro com os seus concidadãos ali radicados, não se fez de rogado. Veio, bem identificado nas vestes, tal como o tinham feito três irmãs de caridade, igualmente da pérola do Índico.
Chama-se José Joaquim. Na correria havida, dada a escassez de tempo que a agenda presidencial impunha, foi, mesmo assim, possível que o domingo captasse algumas palavras do clérigo, no corredor principal que conduzia à sala onde os moçambicanos se encontravam reunidos.
“Sou moçambicano que nasceu no distrito costeiro de Memba. Sou missionário comboniano. Na verdade estou cá desde 2014 por motivos de estudo, depois regresso a Moçambique e estou já a pregar”, disse para se apresentar.
Estudou na então Primária de Namaaca, antes de ingressar na Escola Secundária de Nacala-Porto, depois na de Nampula, para logo a seguir ingressar no Seminário Maior, Pio X, na capital do país, para fazer Filosofia.
“Depois vim para aqui, fiz Inglês e dei outras voltas, no Equador, América Latina… mas depois será o regresso a casa, Moçambique”, assevera o Padre José Joaquim.
Conheceu os padres que marcaram a juventude de muitos moçambicanos nos distritos costeiros de Nampula, incluindo Giuseppe Brunnelli, mais conhecido por Padre Bruno, que missionou principalmente em Eráti, antes de se ir estabelecer em Boroma, província de Tete, e, de novo na província de Nampula, desta feita, em Meconta, na Missão de Santa Filomena (hoje Santuário) e na Ilha de Moçambique, donde terá partido de vez de regresso à Itália, já debilitado por motivos de saúde.
“Dir-se-ia também porque aqui é perto, mas a verdade é que estou na Universidade Católica de Nairobi, havendo outros moçambicanos que estão aqui a estudar, preparando-se para serem padres. Por enquanto sou o único padre moçambicano aqui em Quénia, mais aquelas que vê ali, que são irmãs também moçambicanas, da Consollata, da Providência, Jesuítas…”, indicou-nos umas três moçambicanas rigorosamente trajadas como irmãs de caridade.
No próximo ano, segundo prevê, poderá concluir o seu curso e terá de regressar a Moçambique onde espera a sua colocação como padre em qualquer lugar do país.
Na reunião dos moçambicanos residentes no Quénia com o Presidente da República, Filipe Nyusi, soubemos que a maioria deles é constituída por aqueles que chegaram àquele país durante o período antes da independência do país hospedeiro, maioritariamente empregados nas plantações de açúcar e sisal.
Em mensagem apresentada por Rafael Mazula, aqueles compatriotas disseram que a crise económica mundial e o terrorismo na África Oriental e não só afectaram significativamente as suas actividades principais, pois estavam relacionadas com artesanato e outras cuja clientela era maioritariamente constituída por turistas. Trata-se daqueles que vivem na região litorânea do Quénia.
Porém, há moçambicanos que foram para aquelas paragens depois da independência de Moçambique, outros nascidos ali e aqueles que nunca foram à mãe-pátria.
Outros estão a estudar em diferentes áreas de conhecimento, por fim, nacionais empregados nas organizações não-governamentais, para além dos que estão ali em resultado de casamentos com cidadãos quenianos.
Pediram ao Chefe de Estado que fizesse o que estivesse ao seu alcance para flexibilizar a identificação dos compatriotas no Quénia, apenas para que sejam vistos com alguma identidade e lhes facilite a sua sobrevivência e acesso aos serviços sociais.
Acusaram os serviços de identificação no nosso país de serem extremamente burocráticos, inultrapassáveis nos curtos espaços de tempo em que vêm ao país visitar os seus familiares.
Quisemos saber do Padre José Joaquim se se identificava com os pontos colocados pelos outros moçambicanos ao Presidente da República, ao que nos respondeu.
“Têm razão, mas, sobretudo, foi a maneira que encontraram para falar com o seu presidente. Como deve ter notado, não se trata de problemas de grande vulto. Os moçambicanos aqui, felizmente, não têm muitos problemas”, disse o Padre José Joaquim.
Pedro Nacuo



