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Testemunho de mulheres vivendo com o HIV/SIDA

Por admin
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A cobertura do HIV e Sida no país continua ainda insuficiente. São apontados como principais factores a insuficiência de unidades sanitárias com serviço de atendimento a doentes e a falta de

 cultura de testagem.

Neste âmbito, parte considerável de mulheres diagnosticadas como seropositivas são testadas durante a gravidez, quando recorrem às unidades sanitárias para a consulta pré-natal.

domingotraz depoimentos de  diferentes mulheres vivendo com HIV.  Estas partilharam com a nossa Reportagem a sua vivência desde a descoberta do seu estado até à fase de tratamento antiretroviral nos diferentes centros de atendimento.

Os depoimentos foram recolhidos na cidade de Maputo e na província de Gaza.

 

Vivo com HIV há cinco anos

 – Marta Macie

Marta Henriques Macie partilhou com o domingo a sua vida com o HIV. Revela que soube do seu estado serológico há cinco anos quando esteve grávida. Diferentemente das outras mulheres, Marta Henriques revelou o seu estado ao seu esposo e imediatamente iniciaram o tratamento no Centro de Saúde de Macia.

“Desde que começamos o tratamento antiretroviral a nossa vida corre de forma saudável. Tive dois filhos falecidos e hoje, temos mais dois e, graças a Deus, são seronegativos”, declarou.

Hoje diz-se feliz por saber que vão beneficiar de melhor atendimento e acompanhamento nas novas clínicas móveis, pois existem muitas mulheres que abandonam o tratamento por se encontrarem distantes dos centros de saúde.

 

Iniciei tratamento

sem conhecimento do meu marido

– Ginoca Mucatxo

À semelhança de muitas mulheres, Ginoca Sebastião Mucatxo, residente no distrito de Bilene, descobriu ser seropositiva na consulta pré-natal e iniciou o tratamento sem revelar ao seu esposo. “Tive medo, pois tinha certeza de que havíamos de nos desentender. Por esse motivo comecei a fazer tratamento às escondidas”, recordou.

 Para ultrapassar aquela situação contou com o apoio dos agentes daquela unidade sanitária. “Os activistas das comunidades foram à minha casa para falar sobre a doença e, nesse momento, ele aceitou fazer o teste. Quando lhe foi relevado de que também era seropositivo, exigiu que eu também fosse testada. Fingi que era a minha primeira vez a fazer”, contou.

 

Usamos sempre preservativo

– Balbina Langa

Balbina Inácio Langa é mãe seronegativa, com parceiro HIV positivo. Contou que o marido descobriu o seu estado há cerca de um ano e já iniciou o tratamento antiretroviral. Para a sua protecção, o casal optou pelo uso do preservativo nas relações sexuais.

“No centro de saúde aconselharam-nos a usar sempre preservativo, e temos cumprido este princípio para preservar a nossa saúde, pois vemos que muita gente perde a vida por não seguir com as recomendações passadas pelo hospital”, explicou.

 

“Assumi a minha situação com naturalidade”

-Alice Agostinho

Alice Agostinho, de 40 anos de idade, descobriu que era seropositiva em 2003 quando estava grávida de seis meses. Para ela foi fácilassumir a nova realidade.

“Quando soube que era seropositiva não entrei em pânico. A primeira coisa que fiz foi contar ao meu parceiro sobre a minha situação. Encaminhei-o ao posto de saúde na Matola para que ele também fizesse teste”, contou.

Volvidos 10 anos desde a descoberta da sua situação serológica, dona Alice mostra ser optimista. “Gosto de viver a realidade. Estou feliz porque faço o meu tratamento junto da minha família e de lá até ao momento ajudei cinco mulheres que eram seropositivas e permaneciam em casa por vergonha”, conta.

 

“Meu esposo

sempre me apoiou”

– Felicita

Outra mulher que aceitou conversar com o nosso jornal foi Felícia, uma jovem de 35 anos. Faz tratamento no Centro Dream desde 2004 quando descobriu o seu estado. Revelou que nada mudou desde então, tendo contado ao seu esposo que é seropositiva.

“Meu marido é seronegativo e mesmo assim convivemos na maior harmonia, pois sempre me deu todo apoio”, diz à nossa Reportagem para acrescentar que graças ao tratamento o seu filho nasceu livre do HIV.

 

“Descobri minha situação

quando tive tuberculose”

Paula é nome fictício de uma jovem de 24 anos que aceitou conversar com o domingo. Conta que vive com HIV há 2 anos e descobriu do seu estado quando contraiu tuberculose.

“Descobri que sou portadora do vírus quando fiquei doente e meu pai ficou chocado mas, ainda assim, se conformou”,recorda.

Mãe de três filhos, tendo o último sete meses, Paula relata que nem todos os membros da sua família sabem do seu estado de saúde e nunca contou ao seu esposo, embora desconfie que ele também seja.

“Há dois anos que vivo com o meu marido. Nunca contei para ele que vivo com o vírus, mas não tenho escondido os comprimidos que tomo. Contudo, desconfio que ele saiba e também esteja no mesmo estado de saúde que eu. Nas relações íntimas exijo-o que usemos preservativo e ele respeita”,contou.

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