
Texto de Luísa Jorge
Alice Chirindza, de 34 anos de idade, natural de Manhiça, província de Maputo, teve um parto prematuro há sensivelmente um mês. O bebé nasceu com mil gramas. Estava com sete meses de gestação, quando certa manhã não conseguiu sair da cama devido a intensas dores de ventre. O que ela não sabia era que a gestação chegava ao fim, prematuramente.
Esta é uma das experiências que domingo traz, como forma de chamar atenção para um problema que ocorre com alguma frequência, conforme alertam especialistas de saúde materno-infantil: a antecipação do serviço de parto.
O caso de Alice, que vive com a mãe e sua cunhada, ocorreu pelo desconhecimento dos sinais de perigo. Conforme contou, antes do parto prematuro sentiu dores que a levaram a ficar em casa por aproximadamente sete dias. Nesse período deixou de lado o trabalho da machamba, de produção de carvão e outros afazeres domésticos, que garantem o sustento da família. E, no quinto dia da semana, “as dores intensificaram-se, fui ao hospital e dei à luz”, contou a jovem.
Alice confessou algum desmazelo com a sua saúde geracional. “Não sabia que fazer trabalhos muito pesados podia prejudicar o bebé. Nas consultas de controlo da gravidez não tive essa informação”, garantiu.
Outra experiência colhida pelo domingo foi relatada por Marta Macamo, de 17 anos. Segundo ela, o trabalho pesado também foi um dos factores que contribuiu para a antecipação do serviço de parto do seu primeiro filho.
“No dia anterior ao parto, estava sozinha em casa. Um dia houve falta de água, por isso tive de ir buscá-la na vizinhança. Carreguei três garrafões de 15 litros para conseguir realizar as tarefas domésticas”, disse Marta.



