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Residentes da “Portagem” resistem e exigem compensações

Por admin
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Contrariando decisão tomada pela edilidade da Matola, residentes nas imediações da Portagem de Maputo estão determinados a não abandonar habitações construídas ilegalmente nos arredores da Portagem de Maputo alegadamente porque não têm outro sítio para morar.

A sua reacção vem na sequência do alerta feito pela edilidade da Matola, segundo o qual devem desocupar aquela parcela de terra por não apresentar condições apropriadas para a fixação de infra-estruturas residenciais ou de outra natureza. A zona da Portagem de Maputo, sabe-se, é baixa e sujeita a inundações devido a forte concentração das águas de chuva e do mar.

Facto curioso é que os habitantes daquela zona estão conscientes disso, tendo confirmado que quando a maré sobe, suas casas ficam alagadas. O mesmo cenário verifica-se quando chove com intensidade.     

Leide Wate referiu que vive naquela parcela desde o princípio do presente ano vinda da zona da Casa Branca, Município da Matola, onde arrendava uma casa.

A nossa entrevistada reconhece que aquele sítio não é próprio para habitação, contudo não pensa em sair porque não tem para onde ir. 

Não temos para onde ir por falta de dinheiro para comprar terreno ou arrendar um imóvel num outro sítio,disse.

Por sua vez, Cecília Paia, também residente naquela zona desde o passado mês de Junho, conta que se mudou para ali porque tinha dificuldades de pagar o arrendamento de uma casa.

De qualquer forma, confirma a solicitação do município no sentido de se retirarem daquele local. Não temos para onde ir. Por esse motivo, pedimos ao Governo que nos ajude a localizar um sítio seguro. Nós escolhemos este porque é único que vimos, ajuntou.

Maria Joaquim, que reside naquele local desde Abril do ano corrente, disse não ter noção exacta do que lhe vai acontecer nos próximos tempos quando as autoridades municipais destruírem a sua casa. Entretanto finca o pé naquele local. Afirma, determinada, que dali não sairá a menos que o próprio Município crie condições noutra zona.

Por seu turno, Maria Savinho, que vive naquela zona desde Dezembro do ano de 2014, apega-se ao facto de ter crianças a estudar nas escolas existentes nas redondezas para afirmar a sua dificuldade em sair daquela zona.   

Se saímos daqui prejudicaremos as crianças. Viver na rua é que não podemos. Que venham as máquinas, vão encontrar-nos aqui, apontou. 

Município adverte:

ninguém será recompensado

O Conselho Município da Matola avisou às famílias que construíram as suas residências nas proximidades da Portagem de Maputo para se retirarem e advertiu que ninguém será recompensado e nem atribuído novos espaços para a construção de suas casas.

Trata de dezenas de famílias que vem se fixando naquelas bandas desde finais do ano passado, 2014, alegadamente por não terem onde morar.

De referir que várias entidades, nomeadamente Conselho Municipal da Cidade da Matola, Instituto Nacional de Gestão de Calamidades e Caminhos de Ferro de Moçambique mantiveram um encontro recentemente com aquelas famílias.

O encontro visava alertá-las do perigo a que estão sujeitos, pelas inundações e por estarem nas proximidades da linha férrea.

Abibo Selemane
habsulei@gmail.com
Fotos de Jerónimo Muianga

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