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MORALIDADE: “Mulheres vestem-se indecentemente para participar em funerais”

Por admin
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A modernidade tem feito das suas. Com ela veio a liberdade e alguns ‘desajustes’ na forma de se apresentar, o que gera discórdia entre gerações. “As mulheres vestem-se indecentemente para cerimónias religiosas e fúnebres”, afirmam algumas matronas contactadas pelo domingo. Do lado oposto, posiciona-se outra geração que não vê motivo para espanto, até porque, “os brasileiros vão de calções aos cemitérios e às igrejas”, argumentam alguns jovens.

Hoje em dia é notável a indignação das gerações amadurecidas em relação à forma como os mais novos se apresentam em cultos religiosos e sessões fúnebres. As mulheres estão no centro do furacão.

De roupa colorida, colada ao corpo ou de comprimento que nem de longe roça o joelho as jovens vêm criando ‘desgosto’ nos mais velhos que olham para esta forma de se apresentar como verdadeira aberração e atropelo moral.

Quando o fórum é litúrgico e necrológio Maria Isabel Machava, de 43 anos, não acha correcto “vestir-se como se fosse à praia. Somos africanos, temos a nossa cultura. A minha família desde cedo ensinou-me como me apresentar nessas ocasiões e creio que é o que deve ser repassado em todas as gerações. Mas a moda estraga a cabeça das pessoas…”, considera.

A dita ‘moda’ parece não agradar, de facto, a quem tem princípios e valores enraizados na sua essência, e chama atenção para o facto segundo o qual “dantes não era assim. As pessoas comportavam-se decentemente”, aponta Júlia Francisco, de 77 anos.

Para esta idosa, os tempos mudaram e, actualmente, vivemosnum mundo sem rumo, em que “as pessoas participam em funerais vestidas como se fossem a uma festa. Outros levam bebés de colo, o que não é conveniente, pois isso tem implicações negativas na saúde da criança, conforme rezam os ensinamentos que nos foram passados pelos nossos ancestrais”. Desagradada, afirma que, no momento, os filhos desobedecem aos pais, numa luta “quase perdida” pela transmissão de valores sociais.

O que ocorre é que, “não somos ouvidos! E muitas vezes as nossas filhas fintam-nos”. Só para exemplificar,“fingem que cumprem as ‘regras’ ao participarem em funerais: saem de casa de capulana mas, na rua descartam-na. Quando vão à igreja têm feito a mesma coisa. É preocupante”, considera.

“Os brasileiros vão de shorts”

Mira Matsinhe, estudante, de 16 anos de idade, afirma conhecer, de cór e salteado, as ‘boas formas’ que orientam a sua sociedade: “dizem que não devemos entrar de calças apertadas e nem de vestidos e saias curtas na igreja e principalmente no cemitério. Devemos amarrar a capulana ao corpo”.

Ainda assim, as influências estrangeiras, colhidas em telenovelas, aparecem para adulterar, senão emperrar os preceitos locais. Envolta em dilema, refere que “os brasileiros vão ao cemitério e igreja de shorts” (calções), daí que“não vejo nenhum problema nisso”. E para desviá-la ainda mais do que rezam as formas ‘adequadas’, revela que “as minhas tias também vestem-se à vontade, de roupa curta e apertada”.

Este é o principal factor apontado por A.D., idosa, funcionária da salubridade afecta a um dos cemitérios de Maputo, como sendo o motor do comportamento ‘descarrilado’ das jovens mulheres e não só.

Para ela, as famílias vivem praticamente sem regras.Aliás,“a mãe é a primeira pessoa a vestir-se sem pudor; mãe e filhas são ‘massinguitanes’ (despudoradas), o que, certamente, leva a que se encontre ‘massinguitanes’ em cemitérios e igrejas”, anotou.

No seu dia-a-dia no posto de trabalho assiste a passagem de diferentes modelos de roupa, o que a leva a afirmar que: “o cemitério parece uma praia. As mulheres (especialmente) apresentam-se de roupa curta, decotada e colorida. É uma verdadeira falta de respeito por um lugar tão sagrado”, observa.

O desconforto é sentido igualmente na “casa de Deus”. Lá os seus fiéis enfurecem-se e afirmam o seu descontentamento em relação à indumentária seleccionada para as ocasiões de se ajuntar para clamar ao Senhor . É o que revelam as conversas que se seguem.

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