
Os jornalistas do domingoelegeram como principais Figuras do Ano de 2013 duas influentes personalidades moçambicanas, que pela sua acção para a preservação da paz, se notabilizaram grandemente no ano prestes a findar. Trata-se de Dom Dinis Sengulane, o bispo anglicano, e do académico, Lourenço do Rosário.
Dom Dinis Sengulane e Lourenço do Rosário foram as escolhas consensuais para Figuras do Ano de 2013. A sua luta para que a paz prevaleça no país e que o diálogo seja a única arma para os moçambicanos resolverem os problemas, fizeram deles personalidades de destaque, numa altura em que as armas voltaram a troar no centro de Moçambique e estão a ceifar vidas inocentes.
Tanto Sengulane como do Rosário são defensores de uma “guerra” contra o subdesenvolvimento traduzido em fome, doenças, miséria, corrupção, pobreza e ausência de conhecimento. O nome da paz já não é ausência de espingardas, a vomitarem balas e fogo. O novo nome da paz chama-se desenvolvimento sustentado. Em que todos somos militares e todos devemos ser militantes do progresso e bem-estar. Sengulane esteve à frente do projecto “Transformar Armas em Enxadas” (TAE), lançado logo depois da guerra, cujo resultado foi a recolha de muitos artefactos de guerra e está também ligado a acções de combate à malária. Lançou um movimento de advocacia da paz com o nome “OLÁ PAZ”.
Do Rosário, além de ser o Reitor duma universidade que forma anualmente vários quadros para o desenvolvimento do país, preside o Fórum Nacional do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), que recentemente apresentou mais um relatório sobre a realidade nacional.
Ambas são personalidades muito frontais e cheias de humanismo. Dizem abertamente o que pensam e empenham-se nas causas que defendem sem pensar em dividendos e ganhos pessoais, ou outras adjacências umbilicais. Acreditam que os moçambicanos são capazes de se entenderem e que guerra enterrada pelo Acordo de Roma jamais voltará ao nosso convívio. Jamais instalar-se-á aqui, porque a guerra, como diz um grande clássico da língua portuguesa, o Padre António Vieira, é “aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades e talvez em um momento sorve reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades em que não há mal algum que, ou não se padeça ou se não tema: nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos templos e nos sacrários não está seguro.”
A paz concretiza-se na construção da Justiça, na criação de condições para que todo o ser humano possa exercitar-se em liberdade mediante o trabalho, para que goze de bem-estar e tranquilidade interior, que tenha condições para gostar de si mesmo, para criar auto-estima, para se desenvolver em solidariedade com todos os outros.



