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Falam os vigilantes

Por admin
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Falando para o domingo, alguns membros dos comités de patrulhamento dos bairros de Infulene, Malhazine e George Dimitrov, foram unânimes em afirmar que a situação é preocupante e pedem 

que A Polícia comece a agir no sentido garantir a segurança no seio das comunidades.

Mário Ngawane, do bairro Infulene D, considerou a situação de desumana, visto que, à noite, as pessoas estão expostas a vários perigos, dentre eles as doenças por causa do sono que vem acumulando desde que foi anunciada a medida de patrulhamento. “Não sabemos até quando vamos ficar nestas situações, embora seja a única forma que encontramos para nos manter seguros. Porém, é preocupante, porque já não confiamos até nas pessoas dos quarteiros vizinhos”, disse.

Falando sobre o facto estarem no grupo miúdos dos oito aos 12 anos, Ngawane, disse que “ninguém os convida, eles próprios tomam a iniciativa e ficam connosco todo o tempo. Eles têm medo de ficar sozinhos em casa. Ninguém se sentiria seguro deixar os seus filhos noutros sítios, numa altura destas. Vamos ficar assim até a situação normalizar-se”, referiu.

Por sua vez, Melita António Manjate, outra integrante do grupo de patrulha no Infulene D, estudante do curso nocturno, disse que esta é a melhor forma encontrada para fazer face à acção dos criminosos no bairro. “Enquanto estivermos assim reunidos numa fogueira ou patrulhando as ruas, achamos que ninguém vai ter coragem de assaltar uma residência ou encontrar alguém e abusá-la sexualmente”.

Melita Manjate afirmou que esta rotina das patrulhas para garantir segurança dos bairros, mudou completamente a organização das suas actividades: alguns descansam entre às 18 e as 23 horas e outros vão à cama logo que termina a patrulha, por volta das 4 horas de madrugada.

No bairro George Dimitrov, encontramos vários jovens carregando pneus duma das oficinas na Estrada Nacional Número Um (EN1) para fazer uma fogueira.

Neste bairro, nas bermas da avenida Maria de Lurdes Mutola, estivemos com dois grupos: um constituído por senhoras e outros por jovens do sexo masculino. Aqui conversamos com Maria Crisa que nos disse que “nós ainda não fomos assaltados, mas já temos casas que foram marcadas, por quem não sabemos. Então, achamos ser necessário manter-nos reunidos aqui com as nossas crianças”, disse, tendo acrescentado que não sabia se aquela decisão era boa ou não.

“Quando se está no desespero, não há ideia que não vale. Neste momento, esta é a melhor, porque ficamos assim até amanhecer e depois cada um de nós vai procurar o seu sustento”,referiu.

Ainda neste bairro, uma outra entrevistada que quis falar em anonimato disse que a situação é preocupante, porque elas estão naquela concentração, mas nenhuma delas tem ideia de como poderá se defender caso apareçam os malfeitores.

“Foi nos dito para fazermos patrulha, mas pelo que sei nenhum de nós está preparada para enfrentar um criminoso. A melhor saída é reforçar as equipas da Polícia de Protecção. Ao invés de ficarem nas estradas a servir de polícia de trânsito, os “cinzentinhos” deviam estar aqui nas ruas. Desta forma alguns dos bandidos não teriam coragem. Dizem que os meios não são suficientes, concordamos sim, mas esses poucos, bem geridos podem chegar para controlar a situação”, disse a nossa entrevista.

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