
Ana Gemo sublinha, nesta entrevista, que a Procuradoria-Geral da República sempre esteve pronta para agir na Direcção Nacional de Património de Estado, contudo, aguardava por um
documento auxiliar por despachar pela Inspecção Geral de Finanças.
Gemo esclarece ainda que a PGR já abriu um processo contra a Direcção Nacional de Patrimínio de Estado. Segue a entrevista em discurso directo.
Por que motivo o Ministério Público não interveio com meios próprios na investigação da corrupção na Direcção Nacional do Património do Estado, sem esperar pelo relatório da Inspecção Geral de Finanças?
Estamos a intervir, tanto é que já existe um processo. Como foi feita uma auditoria e existe um relatório, pensamos que vai nos ajudar na explicação e esclarecimento do que está a acontecer. Como eu disse, o processo foi aberto, mas como a auditoria foi realizada e está finda, nós requisitamos o relatório e estamos à espera do devido encaminhamento.
Não tem receio que o relatório da Inspecção Geral de Finanças tenha sido manipulado?
Mas estamos a intervir. Por isso eu disse que já existe um processo. Estamos a intervir no processo.
Podemos ter a certeza de que o Gabinete Central de Combate à Corrupção já está a trabalhar no assunto?
Sim. Já estamos a trabalhar no assunto. Abrimos o processo, mas agora estamos a aguardar o envio do relatório, porque a auditoria já está feita. As auditorias são meios de investigação auxiliar em qualquer parte do mundo. Nada melhor do que uma auditoria, porque ela espelha a investigação efectuada e traz elementos que ajudam no processo.
Vocês estão a fazer uma investigação em paralelo?
Não em paralelo. É a mesma investigação, porque o relatório de auditoria será incorporado no processo aberto pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção.
Portanto estão a investigar com base no relatório por eles fornecido?
Nós ainda não recebemos o relatório.
Então estão a efectuar uma investigarão independente?
Não chamaria independente, porque nós temos competência para investigar, então é isso que estamos a fazer. Como já existe uma auditoria realizada nada melhor do que obter o respectivo relatório para verificar que elementos incorpora.
Mesmo sem a investigação da Inspecção Geral de Finanças vocês teriam avançado?
Claro!



