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VISITA DO PRESIDENTE DA RASD: Defendemos soluções sustentáveis e duradoiras

Por admin
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–Filipe Jacinto Nyusi a propósito do diferendo entre Marrocos e Sahara Ocidental

 

O Governo de Moçambique continuará a apoiar os esforços tendentes à aproximação entre Marrocos e a República Árabe Saharuí Democrática para o alcance de uma solução sustentável e duradoura do diferendo que opõe os dois países vizinhos.

Tais soluções devem acon­tecer dentro do quadro da União Africana (UA) e da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo referiu o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, por ocasião da visita do seu ho­mólogo saharauí, Brahim Ghali.

O nosso país acolheu semana finda a visita do Presidente da República Árabe Saharauí De­mocrática, ocasião que serviu para a passagem em revista dos laços de amizade e cooperação que culminaram com a assi­natura de um Memorando do Entendimento sobre Consultas Políticas.

Filipe Nyusi ofereceu um banquete ao seu homólogo saharauí, no qual, em discurso de praxe, sossegou aquele diri­gente no que diz respeito à sua autodeterminação.

Para o Presidente moçam­bicano, a readmissão do Reino de Marrocos na UA é mais do que uma expansão numérica da organização, sendo na verdade uma materialização da visão africana de irmandade, solida­riedade, emancipação e indepen­dência do povo saharauí.

“Moçambique encara a readmissão de Marrocos na União Africana como a cria­ção de condições duma pla­taforma de oportunidades necessárias para conciliar as posições dos dirigentes e po­vos dos dois países. Através deste espaço, a União Africa­na deverá facilitar a abertura de caminho para negociações directas, francas e abertas, no quadro dos princípios da in­tangibilidade das fronteiras e boa vizinhança que vem carac­terizando a interacção no seio da nossa organização”, obser­vou o Presidente da República.

Filipe Nyusi sublinhou que a presença do Presidente saharauí revestia-se de grande importân­cia para o reforço e aprofunda­mento das excelentes relações históricas de amizade e solida­riedade que existem entre os dois povos e Governos forjadas na luta pela independência e autodeterminação, não só dos povos moçambicano e saharauí, como também da África e do mundo, em geral.

“Ainda que geograficamen­te distantes, a República de Moçambique e a República Árabe Saharauí Democrática estão unidas por laços fortes que alicerçam e alimentam as nossas excelentes relações político-diplomáticas, desde o acto de reconhecimento da República Árabe Saharauí De­mocrática, a 13 de Março de 1976, nove meses após a pro­clamação da nossa indepen­dência nacional”, disse.

Sublinhou que tal significa que os povos de ambos os paí­ses têm cooperado, através dos seus Governos, na materializa­ção do desiderato que norteou a fundação da actual União Africa­na, que é a emancipação e inde­pendência de todos os povos da nossa mãe África, um princípio inegociável e estruturante da nossa política externa.

“Estamos perante uma matriz identitária consagra­da constitucionalmente. Por isso, a causa do povo saharauí é também a causa do povo moçambicano. Como dizia o Presidente Samora Machel, o fundador do Estado Moçam­bicano, a independência e a autodeterminação do povo moçambicano só estariam completas quando os outros povos irmãos, do nosso con­tinente, tivessem alcançado a sua emancipação”, disse.

Para Nyusi, o Memorando so­bre Consultas Políticas assinado entre os dois países é expressão clara da vontade do Governo mo­çambicano, da formalização dos canais de interacção já existen­tes e vai permitir a concertação de pontos de vista das aspira­ções dos dois povos e dinamizar a cooperação entre Moçambique e aquele país Oeste-africano.

Refira-se que a União Africa­na readmitiu o Reino de Marro­cos como membro de pleno di­reito da família africana, durante a Vigésima Oitava Conferência dos Chefes de Estado e de Go­verno da União Africana, reali­zada de 30 a 31 de Janeiro de 2017, em Adis Abeba, Etiópia.

Moçambique é exímio

na pacificação dos povos

–Mohamed Salem Salek

O ministro dos Negócios Estrangeiros da República Democrática Saharauí, Mohamed Salem Salek, diz acreditar que Marrocos cum­pra com as recomendações saídas da última Cimeira dos Estados membros da União Afri­cana (UA), aceitando a autodeterminação e o direito de aquele país ser livre da dominação que vem sofrendo há vários anos.

Falando numa conferência de Imprensa no final das conversações entre os dois es­tadistas, Mohamed Salek disse acreditar que a admissão de Marrocos na UA venha criar um ambiente viável para a solução de todos os problemas que existem naquele país, “so­bretudo, a violação dos direitos humanos, uma vez que ao ocupar ilegalmente o nos­so território está a violar o princípio uni­versal que é a liberdade dos povos”.

“Queremos que a adesão de Marrocos à UA sirva para que este país ratifique sem pré-condições e reservas a Carta Africana no que concerne à autodeterminação dos povos. A expectativa é que Moçambique venha a desempenhar um papel preponde­rante dada a sua larga experiência na so­lução de conflitos em África”, disse Salek.

Que haja boa-fé

por parte de Marrocos

–Oldemiro Baloi

Oldemiro Baloi, ministro dos Negócios Es­trangeiros e Cooperação, afirmou que na últi­ma cimeira da União Africana em Adis Abeba, Etiópia, houve um debate intenso sobre a auto­determinação do Sahara Ocidental. “Todos es­távamos de acordo que Marrocos aderisse à UA e a questão era em que condições e aí é que surgiram as divergências”.

“Um grupo defendia que podia entrar de imediato e outro opunha-se alegando que este país tinha uma situação colo­nial, pelo que havia que esclarecer uma série de assuntos. A outra parte dizia que em nome da unidade vamos nos juntar todos e discutir o problema em família, posição que acabou gerando consenso, o que possibilitou a entrada de Marrocos”.

Acrescentou que a expectativa é que haja boa-fé dos que defenderam a entrada de Marrocos na organização. “Ou seja, tanto Marrocos, como os seus apoiantes devem cumprir com o acordado visto que resolvi­da a questão colonial abrem-se espaços para se começar a atacar com consis­tência todos outros valores, incluindo os direitos humanos que neste momento estão a ser violados com a ocupação co­lonial”, finalizou.

 

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