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SUMIR COMO ESFEROGRÁFICA NA REDACÇÃO DE UM JORNAL

Por admin
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Das coisas de que não me acostumo é não “ rou­bar” uma esferográfica na mesa de um colega ou ser vigilante para que nenhum colega ma “roube”.

É um exercício interessante esse de ouvir várias vozes clamando: “desapareceu-me a minha cane­ta”; “também não vejo a minha” e todos procuram a sua, para num outro dia descobrir-se que há tantas numa gaveta ou mesa, simplesmente porque há mo­mentos em que todos estão tontos e a esferográfica torna-se o objecto mais procurado, embora não se ache rapidamente em lado nenhum.

Se acaba sendo divertido e provoca risadas opor­tunas, não é o mesmo que desaparecer uma pessoa – como parece ter acontecido há cerca de 14 dias com um empregado de um deputado da Assembleia da República, que sumiu literalmente das mãos do Estado – seja com que motivos depois nos vierem a justificar.

A verdade, segundo a notícia não desmentida e profissionalmente elaborada, um deputado do nos­so parlamento sentiu a não presença de um valor, que para a condição da maioria dos moçambicanos, é avultado, e desconfiou que fosse o seu empregado a surripia-lo.

Fez queixa à esquadra (a notícia diz que o em­pregado foi levado pelo deputado) onde ficou a ser, provavelmente, interrogado com o fim único de lhe avivar a memória para que “se lembrasse” aonde teria deixado o dinheiro do digno representante do povo. Podemos abrir um parêntesis para duvidar se houve ou não algum mandato de condução ou se a queixa foi formal. No dia em que exibirem esses do­cumentos legais, fecharemos os parêntesis.

O que aconteceu – tal e qual com as esferográfi­cas duma redacção – foi que o empregado desapare­ceu entre as secretárias da esquadra e as portinho­las existentes, de tal sorte que o nosso deputado não o achou mais, mesmo na companhia de familiares daquele.

Isso, convenhamos, é diferente do que acontece com uma esferográfica, a lenda está a saber acre, porque na redacção acabamos “roubando” uma de um colega e no fim ou início de semana acabamos encontrando muitas numa ou duas secretárias, o que dá gozo.

O empregado desaparecido nos obriga a também saber se foi solto. Aqui abrimos novos parêntesis para dizer que tal acontece mediante um documento cujo apelido é soltura. Depois que o exibirem fecha­remos os parêntesis.

Se os primeiros e os segundos parêntesis não fo­rem fechados vamos procurar novas hipóteses que convidam ao deputado e à polícia a aproveitarem a oportunidade de serem sérios, dizendo de facto o que é que aconteceu, para evitar alongar o tempo, visto que a elasticidade temporal acaba sendo res­ponsável pelas conclusões que convém a cada gru­po e fazem com que as más interpretações corram mais rápido que as verdadeiras verdades (passe o que parece repetição)!

Pedro Nacuo
nacuo49nacuo@gmail.com

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