O governo por um período de 2 anos andou a tentar convencer a Renamo, através do diálogo, para que as sua forças residuais fossem desarmadas, contudo a organização foi protelando, usando manobras dilatórias, exigindo do governo cedências inconstitucionais.
O mais grave foi exigir um regime de paridade no comando de unidades e chefias militares, como se as forças armadas fossem do partido Frelimo, e não do estado moçambicano.
O tempo foi passando, entre manobras dilatórias engendradas da cúpula da Renamo, enquanto o discurso narrativo psicológicamente concebido foi avivando memórias da guerra, e usados psicológicamente contra o cidadão, lembrando ser Dlhakama o senhor de uma guerra de má memória, em que ele foi o actor principal;uma guerra que todos os nacionais não querem lembrar, quanto mais viver.
A estratégia de usar a derrota eleitoral como arma de arremesso político, resultou ser o maior fracasso na manobra tácita da Renamo.É que os deputados nacionais tomaram posse e recebem dinheiro do estado, assim como os deputados das assembleias provínciais, o que é o mesmo, reconhecer a derrota eleitoral.
Jogando em várias frentes, comícios de afrontamento,exigências inconstitucionais, como de um regime de paridade nas FDS e polícia, e a ridícula exigência das autarquias provinciais chumbadas já no parlamento, apenas restava ao governo quebrar a espinha dorsal da organização.
Dlhakama ao avisar que estava a montar um quartel general, na província da Zambézia, para qualquer dia dizia ele, montar um potencial governo alternativo no norte do país,deu o mote à legitimidade do governo de acionar mecanismos de defesa neste jogo de poderes.E que governo seria esse quando temos um governo legítimo,e que obteve maioria absoluta.No meu entender, o ambiente de paz interessa a todos nós, e se as forças residuais da Renamo são hoje um alvo militar legítimo das FDS, deve-se à desobediência em desarmar, no espaço de tempo esperado pelo governo.Colocaram-se à mergem da Lei.Ora quando o ministro do Interior Basilio Monteiro afirma “O que está a acontecer em Vanduzi e em Morrumbala são esforços de instituições com vocação, que perseguem ninhos de instabilidade, para remover estas ameaças, em obediência aos anseios de todo o povo moçambicano,…Ele resume tudo dentro da Lei e da ordem.
São moçambicanos, mas apenas as FDS podem andar armadas.As armas andam em mãos erradas, era preciso agir com firmeza.Uma reconciliação política e social passa necessariamente pelo desarmamento, e integração das forças residuais da Renamo. O governo gere os assuntos do estado, e o estado quer os cidadãos livres da ameaça de uma guerra psicológica, movida contra as suas cabeças.
A dissuasão militar estratégica como instrumento político actual, quanto a mim, é o indicativo que na perspectiva governamental o tempo de pôr fim à crise política tinha chegado, sendo a acção militar a única via possível de arrumar a casa.Efectivamente o desagravamento da crise política exige uma exibição de força, da parte das forças armadas poderosas e fortes.Ou desarmam voluntariamente, ou são desarmados. É que a diversidade e o debate interno sobre esta investida militar são a prova da vitalidade de um governo forte, com apoio de sectores vitais da sociedade política e económica.
Na minha opinião a perspectiva da acção política militar do governo assenta em três pontos fundamentais:
Quando o final do diálogo politico éinconclusivo as armas falam.
Ponto 1- O governo não está a mover uma guerra contra quem quer que seja, apenas pretende garantir a paz e segurança dos cidadãos, partindo da base legal, que as forças residuais da Renamo devem entregar as armas na sua posse, e integrar-se nas FDS voluntariamente, ou são alvos militares legitimos, como qualquer criminoso armado.
Ponto 2-A operação é desenhada para em caso haja resistência, haver um assalto para desmantelamento total e completo do arsenal militar na posse da ala militar da Renamo, até ao momento usada para fins politicos, e propósitos obscuros,e recuperar o armamento à força caso necessário.O uso da força irá certamente forçar a definir a transição e estruturação estrategica de uma direccão autoritária em tempos da democracia.
Ponto3-Há razões mais que evidentes para se concluir que o governo agiu certo na hora exacta., prevenindo desta forma que a economia não seja mais afectada numa conjuntura delicada.As recorrentes chantangens e ameaças de retorno à guerra tem contribuido na retração do investimento estrangeiro no pais.
Éque apesar de a economia mostrar ter pernas para andar, a depreciação do metical face ao dólar americano conforme o presidente Filipe Nyusi reconheceu recentemente, fez com que as receitas de divisa estrangeira sejam mais difíceis de adquirir, e o baixo preço de matérias primas, traça um quadro difícil de superar para o produto local.Discordo de alguns que dizem que a depreciação do metical é favorável às exportações, por ter um efeito similar ao da queda de preços, no país em relação ao exterior. Considero que encarecer as importações tem um efeito penalizador maior, já que Moçambique é uma economia alimentada na sua maioria por produtos oriundos de outros mercados.
Para terminar,tanto o AGP já prescrito, como o Acordo para Cessação das hostilidades, ambos reconhecem a legitimidade do estado,e as FDS como os únicos e legítimos instrumentos do estado, para garante da soberania, e segurança pública.A integração gradual das forças residuais esgotou, aquando da tomada de poder do primeiro governo, saído das eleições gerais.
O AGP também previa que apenas uma pequena força residual de segurança ao presidente da Renamo, ficaria com direito a usar armas, mas a partir de um certo momento já esgotado no tempo, essa segurança deveria ser substituída pelo corpo da polícia de Moçambique.O Acordo de Cessação de hostilidades, também observa esse espaço de transferência.O acto abusivo e de provocação de aliciar e alistar jovens nas forças residuais, com intuitos pouco claros e sombrios, em desobediência ao acordado, tanto na AGP já prescrito e ACH, deu a tónica para a ruptura.
A Renamo como partido politico devia assumir em toda a plenitude, o estatuto de principal partido da oposição, apresentando propostas alternativas no parlamento, ao invés de usar tácticas obscuras e incongruências evitáveis, perturbadores da paz e do desenvolvimento e que pôem em causa a segurança do estado.
Unidade Nacional, Paz e Progresso
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Inacio Natividade



