Começa com um trago. Um só. Depois outro. O corpo aquece, os músculos relaxam, o riso surge fácil. É barato, dá coragem, alivia a alma e custa apenas 50 Meticais. Mas o que parece alívio, paulatinamente, transforma-se numa prisão.
Nas traseiras poeirentas dos bairros, longe dos holofotes e da atenção institucional, muitos jovens moçambicanos estão a perder-se para as bebidas espirituosas, vulgarmente conhecidas por “xivotxongo”.
O país está a perder filhos para o álcool. Aceleradamente. A cada trago, esvai-se uma parte do futuro. A cada garrafa vendida, uma esperança é soterrada.
O “xivotxongo” não poupa. Devora. Consome os corpos, os rostos, a lucidez. Deixa um rasto de cegueira, convulsões, envelhecimento precoce, surtos de violência, desorientação e leva à morte. Não há números oficiais. Mas nos bairros, onde a vida se conta em pequenos esforços diários, a tragédia é visível, constante e aceite com uma resignação fria.
Com o arroma do álcool a pairar no ar, domingo percorreu os bairros periféricos da cidade de Maputo, onde encontrou jovens vencidos pelo famoso “xivotxongo” e comerciantes que, entre a sobrevivência e o remorso, sustentam-se à custa da tragédia alheia. Leia mais…



