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REHEMA OMAR: A gastronomia em pessoa!

Por admin
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Texto de Pedro Nacuo

Quem já foi (ou espera ir) à Pemba e lá desfrutar da praia do Wimbe, cuja beleza fala mais alto, por isso audível nos quatro cantos do mundo, sabe (ou saberá) da existência do rosto que trazemos hoje.

Natural do distrito meridional de Balama, Rehema Omar aceitou por momentos ser engolida por Pemba, antes de ser ela a fazê-la, por aquilo que das suas mãos brota do ponto de vista gastronómico.

Localizou-se no “coração” do Wimbe, sem medo de se digladiar com as casas de hospedagem e de lazer da primeiríssima classe, segura de que mais ninguém faz como ela. Escolheu uma especialidade simples, mas potencialmente única: pratos típicos da cidade onde vive.

Das folhas de mandioca faz matapa com o recurso ao leite de coco, castanha de caju; da própria mandioca faz uma caldeirada (“luminu”) que a acompanha com peixe seco, caril de coco ou dá outras possibilidades: xima de farinha de mandioca, tendo à ilharga como condimento indispensável aos caris, a manga seca.

É na Rehema onde os que querem comer de Pemba vão ter ao “tocossado” (água e sal) de peixe, com arroz de coco ou de feijão ekúthe (nhemba) ou ainda de uma galinha macua (cafreal), vulgo “revoada”, associada a pouco tomate e, de novo, à manga seca.

Rehema que não se coíbe, desde muito tempo, em fazer nhewé (tseke, no sul) refogado, pondo ao lado uma galinha macua, que serve com xima de farinha de milho/mandioca ou arroz novo de coco.

Se se quiser comer polvo seco, feito com molho de amendoim, para acompanhar com arroz ou xima, Rehema resolve, assim como busca no feijão bóer (verde) refogado, um prato envolto em abas.

Quem não sabe deliciar-se destes pratos, Rehema e a sua equipa ensinam. Se quiser uma sobremesa, de novo, “made in Pemba”, ela encarrega-se de propor: bolo de arroz ou de farinha de mandioca (mukathé), doce de coco, gergelim ou amendoim, ou ainda de um “luminu” (caldeirada) de banana verde com peixe seco ou frito.

Isso fez dela uma coleccionadora de distinções: sete diplomas outorgados tanto na FACIM, em Maputo, como em festivais nacionais de cultura, realizados em Gaza e Nampula, agora por ocasião dos 59 anos da cidade de Pemba.

Rehema está em páginas de revistas estrangeiras e já ombreou com representantes de cinco países africanos, a representar Moçambique. O Brasil sabe disso!

Mesmo assim, o seu dia-a-dia não muda, cumprindo rigorosa e religiosamente o costume que é alimentado pelo hábito: acordar com as limpezas, antes de determinar o que há ou não para o seu restaurante.

Preparo almoço para os meus filhos e deixo. Quando algo falta passo primeiro pelo banco antes de ir ao mercado comprar o que não deve faltar no restaurante. Uma vez por semana (segunda-feira, dia de folga) vou ao cabeleireiro tratar das unhas e enrolar o cabelo, que é natural, não preciso de outro, sou filha de um indiano e uma negra macua. Vejo televisão todos os dias em casa ou no restaurante, preferencialmente telejornais e mais logo as novelas. Namorar? Sim, quando der e sempre depois de fechar o restaurante, com a excepção dos fins-de-semana em que isso acontece à madrugada.

 

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