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Regadio de Chókwè sem água

Por admin
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A produção agrícola no regadio de Chókwè, província de Gaza, está comprometida devido à falta de água que resulta da seca que está a afectar a região Sul do país. A albufeira de Massingir dispõe de água que poderia ser usada para irrigar os campos, mas os descarregadores de fundo daquela barragem estão em reabilitação. Por outro lado, a seca fez com que o nível de água baixasse tanto, a ponto de não atingir a quota de referência que permita o uso dos descarregadores auxiliares.

As metas de produção prognosticadas pelos agricultores do regadio de Chókwè estão todas do avesso devido à prevalência da seca que transformou os rios que alimentam aquele sistema de irrigação, nomeadamente o rio Limpopo e dos Elefantes, em trilhos secos.

Na campanha agrícola passada, os camponeses daquela área tinham planificado produzir 20 mil toneladas de arroz numa área de cerca de cinco mil hectares, mas a falta de água em momentos cruciais fez com que só fosse possível colher cerca de nove mil toneladas.

No que se refere às hortícolas, os produtores daquele distrito colheram cerca de 48 mil toneladas, o que só foi possível porque ainda havia algumas reservas de água em valas e lagoas, e consta que, em alguns casos, alguns camponeses usaram meios alternativos para bombear a água para os campos.

Dados em nosso poder indicam que o quadro poderia ser diferente se a barragem de Massingir estivesse a funcionar em pleno, porém o empreendimento está em obras de reabilitação dos seus descarregadores de fundo que romperam em Maio de 2008.

As referidas obras estão orçadas em 54 milhões de dólares e foram iniciadas em Julho de 2014, sendo que fontes ligadas ao processo asseguram que as mesmas estarão concluídas até ao dia 22 de Maio do próximo ano, enquanto decorre a reabilitação dos descarregadores de fundo, a barragem permite que o escoamento de água seja feito por via dos descarregadores de superfície.

Entretanto, o volume de água existente naquela albufeira reduziu tanto que já não atinge a quota de referência dos descarregadores de superfície, que é de 115. “Neste momento estamos com uma quota de 114, o que inviabiliza a passagem da água por estes descarregadores e, por isso, não é possível fornecer água ao regadio”, revelou fonte da barragem.

As alternativas que sobram aos camponeses de Chókwè são “aguardar pela chuva para que o nível da água volte a atingir a soleira do descarregador de superfície, esperar pelo final das obras agora em curso na barragem ou, como último recurso, usar meios alternativos para irrigar os campos”.

PRODUTORES INATIVOS

Sem água para irrigar os campos, o regadio de Chókwè rapidamente transformou-se num campo de decomposição de espécies animais e vegetais aquáticas, a exalar um cheiro nauseabundo e, em alguns pontos, está a ser transformado em lixeira.

Apurámos no local que a ausência de chuva contribuiu de forma significativa para a redução da disponibilidade de alimentos. Consta também que os poucos produtores que conseguem manter os seus campos com alguma produção socorrem-se de água conseguida em furos que é distribuída por camiões-cisterna, o que, à partida, encarece o custo de produção. Outros abrem poços ao longo do leito do rio Limpopo.

A nossa reportagem ouviu André Sitóe, agricultor daquele regadio, que disse que faz parte de um enorme grupo de camponeses que perderam a sua produção por falta de água. “Os que ainda estão a produzir são aqueles que possuem meios para recolher água de furos e poços”, lamentou.

Por seu turno, a agricultora Mónica Macamo sublinhou que grande parte dos agricultores está a perder as culturas e animais por causa da seca e estiagem que têm assolado aquela região. “Ainda não sabemos o que devemos fazer porque a situação tende a piorar”.

Para além da falta de água que está a inviabilizar a produção, os agricultores manifestaram a sua preocupação em relação ao facto de a empresa gestora do regadio, a Hidráulica de Chókwè Empresa Pública (HICEP) estar a proceder à cobranças de utilização da água quando esta não tem estado a ser fornecida há sensivelmente três meses.

Conforme apurámos, cada agricultor deve pagar à HICEP 800 meticais por hectare irrigado durante a campanha de produção de arroz e 500 meticais na época de hortícolas.

A vice-presidente da Associação União das Cooperativas Agrárias de Chókwè, Ester Mathe, disse que o que preocupa aos seus associados é que mesmo sem o fornecimento de água aquela empresa insiste em fazer cobranças.

Por sua vez, o director de Operações da HICEP, Eduardo César, disse que a falta de água se registou numa altura em que a maior parte dos agricultores já tinham usado a água para a irrigação das suas sementeiras durante três meses, uma vez que a campanha agrícola tem seis meses.

A HICEP tem instado os produtores que usaram água para efectuarem o pagamento das despesas. A campanha agrícola tem seis meses e durante três meses tiveram água e devem pagar pelo tempo de uso”, disse Eduardo César, que de seguida acrescentou que os agricultores que se sentem injustiçados poderão se apresentar à HICEP para receberem explicações detalhadas sobre o assunto.

De referir que Chókwè possui um total de 33. 848 hectares dos quais dez mil áreas estão afectados pela salinidade e a área utilizável é estimada em 23 mil hectares. Segundo Eduardo César, há esforços em curso que visam a recuperação dos 10 mil hectares ociosos devido à salinidade.

Texto de Idnórcio Muchanga
idnorcio.muchanga@snoticias.co.mz

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