As famílias reassentadas, desde 2010, na pacata comunidade de Cateme, devido às operações de exploração de carvão pela multinacional Vale Moçambique na bacia carbonífera de Moatize, província de Tete, começam a colher os frutos de uma árvore cujas raízes tinham seiva amarga.
As 716 famílias (1365 pessoas) desterradas de Chipanga, Malabwe e Mitete tiveram de deixar as terras ancestrais onde, por sinal, esperavam morrer, para dar início a uma nova era nas suas histórias de vida a 37 quilómetros mais a norte no local identificado para o efeito, depois que a sua integração foi rejeitada em 10 comunidades.
Antes, Cateme era um lugarejo completamente ermo, inóspito e desabitado salvo a presença de alguns arbustos nativos e exóticos, que desafiam, durante o ano, a radiação do sol fulminante. Mas é naquele local, no vasto distrito de Moatize, que as comunidades desterradas encontrariam a “terra prometida”.
As casas edificadas variam em função da realidade e condição social em que se encontravam os agregados contemplados pelo plano de reassentamento, numa escala de um a três, assim como salvaguardadas questões de hierarquia e respeitabilidade dos poderes locais.
Texto de Leonel Muchano, AIM



