
O Presidente da República (PR), Armando Guebuza, procedeu na sexta-feira última, em Beleluane, província de Maputo, à inauguração da primeira Fábrica de Produção de Painéis Solares de Moçambique, que vai contribuir para o aumento da energia disponível com vista a atender a crescente demanda na electrificação rural.
domingo apurou que aquela unidade fabril tem uma capacidade de produção de cinco megawatts/ano, podendo expandí-la para 15 megawatts/ano quando operada na sua capacidade máxima e em regime de turnos.
Para garantir o funcionamento da fábrica, construída em parceria com o Governo indiano, foram treinados 17 técnicos moçambicanos na Índia (entre médios e superiores) em tecnologias de produção de painéis solares, com a missão de garantir a manutenção dos equipamentos.
Os técnicos estão perante o desafio de adoptarem procedimentos que concorram para uma produção assente na observância de padrões de qualidade internacionalmente aceites para garantir a competitividade dos produtos da fábrica e desta forma conquistar o mercado nacional e regional.
Armando Guebuza recordou, na ocasião, que o Governo moçambicano definiu o distrito como pólo de desenvolvimento e a electrificação rural como um dos factores impulsionadores deste desenvolvimento tendo, por conseguinte, estabelecido a meta de ligar, até 2014, todos os 128 distritos do país à Rede Nacional de Energia.
Contudo, ressalvou o estadista moçambicano, devido a distância entre os agregados nacionais e o traçado da linha de distribuição de energia da rede nacional levar-se-á muito tempo para abranger todos os potenciais consumidores.
“Em resposta a esse desafio, concebemos e aprovamos as estratégias de energia e a de desenvolvimento das energias novas e renováveis, que têm como objectivo promover e acelerar o desenvolvimento público e privado nos recursos renováveis tendo em vista complementar os assinaláveis progressos alcançados na electrificação rural que está a ser implementada através da Hidroeléctrica de Cahora Bassa”, explicou o Chefe de Estado.
Segundo Guebuza estas estratégias vem também responder aos compromissos assumidos pelo Governo no contexto do Protocolo de Quioto visando a redução na atmosfera dos gases poluentes responsáveis pelo aquecimento global e efeito estufa.
Trata-se de fenómenos responsáveis pelo desequilíbrio que se regista no ecossistema e que induz à mudanças climáticas cujos efeitos já se fazem sentir em Moçambique, através da ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos tais como ciclones, cheias, secas e irregularidade nas chuvas. Para a mitigação deste cenário, o protocolo de Quioto avança, entre outros, o reflorestamento e o uso de energias renováveis mais limpas e sustentáveis como é o caso da energia gerada pelos painéis solares.
Em resposta aos desafios que são colocados ao Governo moçambicano pelos efeitos das mudanças climáticas foram introduzidas iniciativas como “Um líder, uma floresta comunitária”, e “Um aluno, uma planta por ano”, para além do reforço do uso das energias renováveis através de painéis solares.
MAIS DE 200 VILAS ILUMINADAS
Com a utilização de energias novas e renováveis foram iluminadas até Setembro de 2013 um agregado de 207 vilas, 344 escolas e 403 unidades sanitárias, que estão a beneficiar a um universo de cerca de 3.5 milhões de moçambicanos.
“Com energia, nestes locais as crianças podem fazer o trabalho à noite sem esforçar a vista com os candeeiros a petróleo e não dependem da lua para as suas brincadeiras socializantes. Esta energia também se dinamiza a economia local através da organização de sessões de entretenimento, refrigeração de bebidas e conservação de mercadorias diversas”, sublinhou Guebuza.
Por seu turno, a Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo de Energia (FUNAE), Miquelina Menezes, disse que ao tomar dianteira no desenvolvimento daquela unidade fabril, o Governo de Moçambique demonstra o seu comprometimento com a massificação do acesso à energia, bem como com a preservação ambiental apostando em fontes de energia limpas e amigas do ambiente.
“Esta fábrica reflecte a aposta e o crescimento que o sector energético nacional tem vindo a registar nos últimos anos, bem como a necessidade da diversificação da matriz energética nacional, a qual esperamos venha constituir um impulso para a procura dos sistemas, tanto para o uso industrial como doméstico, contribuindo assim para a disseminação de novas tecnologias”, sublinhou Miquelina Menezes.



