
Os responsáveis do Instituto Nacional de Aquacultura (INAQUA) foram desafiados a abrir 150 tanques em cinco distritos e elevar para 500 o número destas unidades em toda província até 2014.
A meta é produzir até 600 mil toneladas de peixe em piscicultura.
O Instituto Nacional de Aquacultura (INAQUA) foi desafiado a promover a massificação da aquacultura através da abertura, ainda este ano, de 150 tanques piscícolas em cinco distritos, Malema, Ribáuè, Mogovolas, Moma e Angoche, na província de Nampula, como forma de responder à demanda e entusiasmo verificado entre os piscicultores, numa média de 30, por distrito.
Conforme explicou o Ministro das Pescas, Victor Borges, “os referidos tanques deverão ter dimensões, povoamento e assistência técnica adequada para que sirvam de modelo e exemplos numa província em que os níveis de aquacultura estão abaixo do desejado.”
Borges fez esse desafio durante a visita de trabalho que efectuou recentemente àquela província, onde foi verificar o nível de produção, o grau de execução do plano na aquacultura, no processamento de pescado e seu interface com os mercados de primeira venda.
“Em termos de aquacultura, há um grande entusiasmo entre os piscicultores. Há acções concretas. Porém, estão ainda em fase embrionária. Por isso, é necessário providenciar uma assistência técnica”, disse Víctor Borges.
O ministro acrescentou que“vamos afectar dois técnicos do INAQUA em Nampula para que possam prestar todo o apoio técnico que for preciso e acompanhamento dos piscicultores nos cuidados que deverão ter com os tanques.”
A par disso, serão formados técnicos dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE´s) e potenciar os produtores por via de capacitação.
O ministro explicou ainda que como consequência dos programas em curso na área de aquacultura, nota-se um grande entusiasmo dos pescadores dos distritos de Mogovolas, Moma e Angoche, que ao verificar que em determinadas épocas do ano os níveis de captura de pescado são baixos, decidiram engrenar na piscicultura.
Assim, orientou os técnicos para que identifiquem locais específicos para a prática de aquacultura nos distritos acima indicados, onde se possa colher bons e visíveis resultados para serem disseminados para outros pontos dos distritos.
Aliás, o governante verificou que alguma actividade já iniciou, como a abertura de tanques. Porém, nota-se uma reduzida capacidade de resposta dos piscicultores.
O referido apoio será feito através da aquisição de kits necessários para abertura de tanques e também no fornecimento de alevinos (semente para repovoamento dos tanques) aos piscicultores.
Os técnicos do INAQUA que integravam a comitiva do ministro Borges verificaram que o distrito de Mogovolas possui condições para acolher uma unidade de recria de alevinos para ambientação e redistribuição por toda a província.
Fomento de Aquapesca
O Major General Frazão está a desenvolver a aquapesca, uma actividade que consiste na retirada de peixe do mar para criação em tanques de água salgada.
A iniciativa promete resultados encorajadores, embora requeira paciência.
Uma das dificuldades enfrentadas prende-se com o controlo do ciclo de crescimento dos peixes à capturar, porque apenas fazem a verificação visual do grau de desenvolvimento para depois pescar. A situação torna-se complicada porque possuem quatro tanques piscícolas com dimensões recomendadas pelo INAQUA de 50/25 metros quadrados.
Mas o facto de estarem a criar espécies como o vermelhão, bacalhau, garoupa, peixe pedra entre outras de alto valor económico é visto como promissor, uma vez que o empreendimento é banhado na sua extensão pelas águas do Oceano Índico.
A Quinta Maquele, onde se faz a actividade de aquapesca, está disposta em 38 hectares. Para além da actividade piscícola, desenvolve a agricultura, com o cultivo de arroz, milho e feijão, donde provem a alimentação do peixe.
O director nacional adjunto do INAQUA, José Halafo, mostrou-se surpreendido com a iniciativa, pois toda actividade ali desenvolvida incide sobre as espécies de água doce, tilápia, que é melhor conhecida e cultivada. “Não fazíamos uma aposta nesta espécie de peixe da água salgada, embora soubéssemos do seu potencial no país, pois no nosso mar abunda o peixe pedra, garoupa, vermelhão, linguado, corvina, bacalhau que foram identificados como potenciais para aquacultura e com alto valor comercial”, explicou Halafo.
Halafo acrescentou ainda que da conversa mantida com os piscicultores foi possível apurar que repovoaram o tanque com dois mil e 500 a três mil alevinos, número recomendado, tendo em conta as dimensões do tanque.
O director adjunto explicou que ao INAQUA interessa verificar quanto tempo vai passar para que o peixe atinja o tamanho recomendado para o consumo e comercialização que é de 350 a 400 gramas. Neste período, vai-se monitorar o processo e a partir dos resultados obtidos, proceder-se-á à disseminação para outros pontos da província de Nampula ou do país.
“O processo deve ser bem gerido e com paciência, visto que o peixe marinho leva mais tempo a desenvolver, entre um e um ano e seis meses, quando comparado com a tilápia da água doce que precisa de seis meses”, referiu a fonte.



