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Mercado de peixe aguardado com expectativa

Por admin
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Vendedoras de pescado na vila-sede do distrito de Marracuene, na província de Maputo, mostram-se expectantes em relação ao curso das obras de construção do mercado de peixe de Marracuene, cujas obras são financiadas pelo Governo moçambicano em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).

Trata-se de um empreendimento orçado em cerca de 11 milhões de meticais que está a ser erguido nas imediações da ponte que liga Marracuene e Macaneta, no quadro da implementação do Projecto de Promoção da Pesca Artesanal (ProPESCA) e que deverá estar concluído até Julho deste ano.

Dados colhidos junto de Larissa Macaringue, representante do fiscal daquela obra, indicam que a infra-estrutura deverá compreender um edifício principal com três sectores, nomeadamente bancadas para a venda de peixe fresco, seco e uma área para a comercialização de vegetais, intercalado por espaços para a lavagem do peixe, uma fábrica de gelo, lavabos e três escritórios.

O projecto prevê ainda a construção de um sistema de abastecimento de água com respectivo furo, quiosques com cozinhas e um parque de estacionamento.

Esta obra está a gerar imensa expectativa entre as vendedoras de peixe estabelecidas naquela vila, as quais comercializam os seus produtos em bancas improvisadas, sem condições adequadas de conservação, higiene e também conforto.

Almina Macandza, vendedora da vila de Marracuene, desenvolve a actividade há vários anos e disse que faz parte de um grupo de cerca de 30 mulheres que aguardam ansiosas pela conclusão da construção daquele mercado para que, entre outros, possa desenvolver as suas actividades num espaço com condições muito mais atractivas.

Sentimento igual é partilhado por outras 30 mulheres que se reúnem habitualmente num espaço improvisado junto à chamada ponte de Macaneta para comercializarem o pescado em bancas improvisadas em esteiras e sacos estendidos no chão.

Outra vantagem vista pelas vendedoras de peixe de Marracuene reside na possibilidade de poderem ter acesso ao gelo que será produzido naquele mercado e a espaços para a conservação dos produtos, o que lhes vai ajudar a estancar as perdas que actualmente se registam no negócio.

Outra infra-estrutura que deverá melhorar a qualidade de vida das comunidades pesqueiras do distrito de Marracuene é a estrada que liga a Estrada Circular de Maputo ao povoado de Montanhana, cujo financiamento foi recentemente aprovado pelo FIDA, num montante ainda não revelado.

Aquela estrada de terra batida, com cerca de dois quilómetros e meio de extensão, foi construída há cerca de dois anos pelo Projecto de Promoção de Pesca Artesanal (ProPESCA), mas encontra-se degradada devido às chuvas que se abateram sobre a faixa costeira da província e cidade de Maputo no período que se seguiu à sua edificação.

Trata-se de uma importante via que, a ser reposta, irá ajudar a materializar os objectivos do Governo no que tange à melhoria dos rendimentos e das condições de vida das famílias envolvidas na pesca artesanal porque vai facilitar o escoamento da produção que se regista em Montanhana.

Para além das obras de manutenção daquela importante via, o Governo e o FIDA têm estado a implementar naquele povoado um vasto conjunto de actividades, tais como a promoção de grupos de Poupança e Crédito Rotativo (PCR), boas práticas de manuseio de pescado, incluindo a disseminação de técnicas modernas de conservação, produção de gelo, entre outros.

Aliás, sobre a produção de gelo, a nossa Reportagem apurou que foi ali instalada uma máquina de produção deste importante insumo, com a capacidade de produzir um total de 1200 quilogramas por dia.

Nesta região operam cerca de 250 pescadores que canalizam a sua produção para o mercado de peixe local, erguido pelo ProPESCA, que depois é transportado para a cidade de Maputo por comerciantes locais e outros idos de várias partes da cidade de Maputo.

JÚLIA MAGAIA OU “RAINHA DO MAR”

O povoado de Montanhana é um importante centro pesqueiro de onde provém parte considerável dos mariscos que são comercializados na cidade de Maputo e arredores. Camarão, lulas, caranguejo, amêijoas e variedades de peixes fazem parte do quotidiano de homens e mulheres que encontram no mar que se estende a perder de vista por toda a largura do povoado e não só.

É neste ambiente onde se entrelaçam barcos a vela e a motor, redes, bóias, marés, vendavais e brisas leves que Júlia Magaia, casada e mãe de quatro filhos, encontra o sustento para a sua família através da participação activa na pesca. “Sou proprietária de duas embarcações de cinco e seis metros, a remo e a motor, e vou pessoalmente à pesca”.

Conforme disse, participa em todos os processos atinentes à pescaria, nomeadamente a condução dos barcos, lançamento e recolha das redes para a praia, separação dos produtos e venda, geralmente feita a clientes já identificados que aguardam em terra pelo produto.

Sou a única mulher no meu grupo de trabalhadores que variam de cinco a seis pescadores por barco. Sou pescadora desde a minha infância, por isso não tenho medo do mar. Vivo nele. Cresci acompanhando o meu pai a pescar e a ajudá-lo nas vendas”, conta.

O dia-a-dia de Júlia é feito de ligações permanentes e sempre de barco entre a região de Macaneta, onde reside, para o centro de pesca de Montanhana. Como prova de sucesso, que resulta da sua profunda ligação com a pesca, revela que conseguiu adquirir uma viatura, os barcos a vela e a motor e ainda construiu a sua habitação de quatro quartos, duas salas e uma cozinha.

 

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