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MEMÓRIAS DE UM FOTOJORNALISTA: Nem um doutorado chegava ao nível de Samora

Por admin
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Até aos vinte anos de idade não tinha frequentado uma instituição de ensino. Foram necessários “malabarismos” para que Tsiru beneficiasse de instrução. Hoje carrega consigo o epíteto de contador de histórias. De máquina fotográfica e lapiseira em mãos vem registando o percurso da sua pátria desde a governação de Samora, passando por Chissano e Guebuza, até chegar ao Nyusi. Em 2018 pensa em “arrumar as botas”, afinal já lá se foram mais de 30 anos de estrada.

A sua história de vida confunde-se com a do seu país. Nascido em Tete, no distrito de Marávia, em 1954, numa altura em que vigorava o colonialismo português, Albineiro Tsiru, seus pais e irmãos deram a sua “mão” na luta contra o regime colonial, ajudando no transporte de material de guerra e comida para os soldados, das zonas libertadas para as bases.

Nessa altura, a então criança via a sua escolarização a ficar refém da falta de condições para a locomoção. A distância que separava a sua residência da escola beirava os longos 23 quilómetros. Consequência disso é que, até aos 15 anos, não sabia ler, nem escrever. Só em 1969 tive a oportunidade de conhecer o “abc” nos campos de concentração. Mas não era para valer, pois não se considerava uma escolarização de facto. Somente depois dos 20 frequentou uma escola e oficialmente a 1.ª classe. “Malabarismos” tiveram de ser feitos. Reduzi a idade, o meu cunhado orientou-me nesse sentido. 

Texto de Carol Banze

carol.banze@snoticicas.co.mz

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