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Lourenço do Rosário acha que os “media” prestam pouca atenção aos assuntos de biodiversidade

Por Jornal domingo
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O académico e presidente da Fundação Universitária para o Desenvolvimento da Educação (FUNDE), Lourenço do Rosário, considera haver défice na cobertura mediática sobre biodiversidade e conservação ambiental em Moçambique, que, na sua opinião, se deve ao que chama de “subordinação dos meios de comunicação à agenda política”, em detrimento de temas de interesse público.
Para o académico, esta tendência faz com que os órgãos de comunicação actuem como reféns da classe política, negligenciando temas cruciais como a biodiversidade: “Não se trata de manipulação. Trata-se, sim, de uma escolha editorial que, muitas vezes, ignora questões relevantes”.
Lourenço do Rosário teceu estas considerações na sexta-feira, durante um encontro com jornalistas, promovido pela FUNDE, com o objectivo de debater o papel da comunicação na defesa da biodiversidade, no âmbito do seu compromisso com a promoção do diálogo sobre questões cruciais do meio ambiente, mudanças climáticas e gestão sustentável dos recursos naturais.
Na sua intervenção, o académico chamou à atenção para o facto de Moçambique ser um dos países mais afectados por fenómenos naturais, o que deveria merecer mais destaque na agenda mediática e, acima de tudo, uma estratégia nacional clara sobre biodiversidade e ambiente, a começar pela mudança de atitude dos meios de comunicação.
“Esta é uma área que carece de mais informação sobre a actualidade do problema, sobre a gravidade da situação e sobre a importância de mudarmos as políticas públicas no País, relativamente ao ambiente e à conservação”, sublinhou.
Por isso, “queremos motivar os órgãos de comunicação social a pensarem em como podem influenciar as autoridades políticas para a criação de políticas públicas eficazes nesta área”, sublinhou Lourenço do Rosário, que é, também, chanceler da Universidade Politécnica, a primeira instituição de ensino superior privado do País, da qual já foi reitor.
Na ocasião, o reitor da Universidade Politécnica, Narciso Matos, defendeu, por sua vez, a necessidade do reforço do conhecimento no seio das comunidades sobre os ganhos da preservação: “Tudo está relacionado com o comportamento humano. É essencial que as pessoas compreendam a ligação directa entre o seu bem-estar presente e o bem-estar futuro”.
“Só se pode conservar aquilo que se conhece e valoriza. Por isso, é necessário fazer um esforço para que as populações compreendam que há benefícios concretos quando se regista um aumento da riqueza em termos de fauna e flora, e que há perdas significativas quando essas espécies começam a desaparecer”, acrescentou.
Por seu turno, a directora executiva da FUNDE, Rosânia da Silva, explicou que o encontro se insere num ciclo de debates iniciado em 2023, nos quais são abordados temas ligados ao ambiente e à conservação, “procurando envolver diversos segmentos da nossa sociedade, como é o caso dos jornalistas, para sensibilizar, informar e promover mudanças de atitude”, referiu.

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